Reserva de felicidade

Escrito Por Antonio Marcos na sexta-feira, janeiro 09, 2015 Sem Comentários
Dra. Zenilce Vieira Bruno, Psicóloga, Sexóloga e Pedagoga

Leitores acostumados com meus artigos, reconhecem a expressão do título, muitas vezes usadas quando me refiro a aproveitar oportunidades de sermos felizes e de não segurar emoções. Acredito que podemos nos relacionar voluptuosamente, extraindo alegrias dos momentos de encantamento, nos aprofundando lenta e saborosamente nas delícias de um mundo volátil, que nos oferece coisas simples, nutrindo nas grandes e pequenas alegrias do amor, sabedoria de convívio, de toque, de bem-estar vivenciado com amigos, familiares e amores. Sonhamos com felicidade, de preferência absoluta, estonteante e definitiva, mas isso é fantasia. Ela é sentimento simples, perto da suavidade e da paz, que das conquistas extremadas de bens, culto do corpo e de si mesmo.

Adoro reencontros com colegas do passado. É inacreditável como parece que nunca nos separamos. Falamos de vidas e intimidades como se estivéssemos sentados no corredor do colégio. Naquela época falávamos de pais, irmãos e paqueras. Hoje falamos dos anos que estivemos separados com a empolgação e confiança que tínhamos na adolescência em contar segredos. Fico encantada com isso. Não abro mão desses momentos e da possibilidade de me sentir feliz. Saímos renovados, animados e com datas marcadas para os próximos. E mesmo que não cheguem a acontecer, valeu a pena. Este é um sentimento de felicidade interna, mesmo que algo externo a promova. O homem contemporâneo é inquieto e assustado, em seu modo de inventar-se um sujeito feliz.

Encontro à felicidade neste caminho da amizade e do amor. Penso que são possíveis saídas ao dilema que vivemos, por um lado, a saturação das relações pós-modernas globalizadas, e por outro, a solidão ameaçadora. Essas relações possibilitam-nos outra aprendizagem democrática. Afinal, é nesse conviver que exercitamos tolerância, respeito, entendimento, desconstrução de ideias, a reinvenção de nós mesmos, a politização dos sentimentos. O ato de escrever sobre isso, me faz pensar em estimular amigos leitores a incrementar e valorizar a ética da amizade, a política do bem querer. Amigo não é só aquele que conforta no abatimento, mas, que vibra com nossas vitórias. Alegrar- se com a alegria do outro é das mais puras expressões de generosidade. Muito da graça da vida devemos aos amigos e familiares. A eles, dedico essas reflexões.

Para o ano novo, podemos sonhar com humanidade mais cordial, o que acontecerá quando começarmos a ser mais amáveis com os outros, principalmente os mais próximos de nós. A amizade pode ser o caminho de amorosidade necessário ao bem-estar das relações, nos proporcionando a sonhada felicidade. Podemos nos reencantar com outras coisas, simples e belas: deixar-se atingir pela emoção do encontro, da palavra, da brincadeira, do presente. Podemos sim, autorizar a emoção da coisa simples que há na vida e no viver. Deixemos nosso riso frouxo quando estivermos ao lado de quem queremos bem.

Como articulista e com a honra de escrever o que penso que o jornal me conferiu, desejo a todos feliz ano novo, tendo a ousadia de oferecer o artigo de hoje a todos que passaram pela minha vida e me ajudaram a ser feliz. Para os que eu não conseguir mais abraçar...muita saudade!


Fonte: Publicado no Jornal O Povo (Opinião), Fortaleza, 28/12/2014.