A Igreja se seculariza quando reduz a fé à medida humana

Cardeal Robert Sarah adverte: a secularização entra na igreja quando deixa de propor uma fé fundada na revelação de Cristo para reduzi-la às exigências e à mentalidade do homem moderno.

Viver a difícil liberdade

Nestes nossos dias muito se fala de liberdade, seja de expressão, de opinião, sexual, afetiva ou financeira.

Sobre os Felizes

Olá, amigos e amigas leitoras, estamos de volta! Partilho com vocês esta Coluna me enviada no WhatsApp por uma amiga.

Namoro: escola de aprendizados felizes, apesar dos desafios

Partilhar a vida a dois é um anseio do coração humano, uma vocação, uma vivência que passa por muitas experiências de aprendizado...

2015-01-09

Reserva de felicidade

Dra. Zenilce Vieira Bruno, Psicóloga, Sexóloga e Pedagoga

Leitores acostumados com meus artigos, reconhecem a expressão do título, muitas vezes usadas quando me refiro a aproveitar oportunidades de sermos felizes e de não segurar emoções. Acredito que podemos nos relacionar voluptuosamente, extraindo alegrias dos momentos de encantamento, nos aprofundando lenta e saborosamente nas delícias de um mundo volátil, que nos oferece coisas simples, nutrindo nas grandes e pequenas alegrias do amor, sabedoria de convívio, de toque, de bem-estar vivenciado com amigos, familiares e amores. Sonhamos com felicidade, de preferência absoluta, estonteante e definitiva, mas isso é fantasia. Ela é sentimento simples, perto da suavidade e da paz, que das conquistas extremadas de bens, culto do corpo e de si mesmo.

Adoro reencontros com colegas do passado. É inacreditável como parece que nunca nos separamos. Falamos de vidas e intimidades como se estivéssemos sentados no corredor do colégio. Naquela época falávamos de pais, irmãos e paqueras. Hoje falamos dos anos que estivemos separados com a empolgação e confiança que tínhamos na adolescência em contar segredos. Fico encantada com isso. Não abro mão desses momentos e da possibilidade de me sentir feliz. Saímos renovados, animados e com datas marcadas para os próximos. E mesmo que não cheguem a acontecer, valeu a pena. Este é um sentimento de felicidade interna, mesmo que algo externo a promova. O homem contemporâneo é inquieto e assustado, em seu modo de inventar-se um sujeito feliz.

Encontro à felicidade neste caminho da amizade e do amor. Penso que são possíveis saídas ao dilema que vivemos, por um lado, a saturação das relações pós-modernas globalizadas, e por outro, a solidão ameaçadora. Essas relações possibilitam-nos outra aprendizagem democrática. Afinal, é nesse conviver que exercitamos tolerância, respeito, entendimento, desconstrução de ideias, a reinvenção de nós mesmos, a politização dos sentimentos. O ato de escrever sobre isso, me faz pensar em estimular amigos leitores a incrementar e valorizar a ética da amizade, a política do bem querer. Amigo não é só aquele que conforta no abatimento, mas, que vibra com nossas vitórias. Alegrar- se com a alegria do outro é das mais puras expressões de generosidade. Muito da graça da vida devemos aos amigos e familiares. A eles, dedico essas reflexões.

Para o ano novo, podemos sonhar com humanidade mais cordial, o que acontecerá quando começarmos a ser mais amáveis com os outros, principalmente os mais próximos de nós. A amizade pode ser o caminho de amorosidade necessário ao bem-estar das relações, nos proporcionando a sonhada felicidade. Podemos nos reencantar com outras coisas, simples e belas: deixar-se atingir pela emoção do encontro, da palavra, da brincadeira, do presente. Podemos sim, autorizar a emoção da coisa simples que há na vida e no viver. Deixemos nosso riso frouxo quando estivermos ao lado de quem queremos bem.

Como articulista e com a honra de escrever o que penso que o jornal me conferiu, desejo a todos feliz ano novo, tendo a ousadia de oferecer o artigo de hoje a todos que passaram pela minha vida e me ajudaram a ser feliz. Para os que eu não conseguir mais abraçar...muita saudade!


Fonte: Publicado no Jornal O Povo (Opinião), Fortaleza, 28/12/2014.

 

2015-01-07

“Alá é grande!”

Sim, Sr. Presidente da França, François Hollande, o ataque à redação da Revista Charlie Hebdo - ocorrido na manhã desta quarta-feira, 07/1, matando 12 pessoas, dentre as quais policiais, o diretor da revista, chargistas renomados cartunistas - foi um ataque terrorista com característica não de protesto, mas de vingança (“Vingamos o profeta!”, teriam dito os matadores). E é importante que a França reconheça se tratar de ofensiva terrorista para livrar assim a Comunidade Muçulmana que lá reside das hostilidades nas ruas e nas redes sociais. O fato chocou a França e a deixou em estado de alerta máxima. 

Não se sabe se por trás está o “Estado Islâmico”, mas se sabe que “Alá é grande!”, como se fez ouvir da boca dos terroristas enquanto fugiam. Quem não se curva diante de Alá (ou melhor, do profeta Maomé, deve morrer, fazendo memória dos tempos bíblicos em que os “reis pagãos” desafiavam os chefes e os profetas Israelitas. É lamentável! Por outro do lado, penso comigo que a ofensiva é mesmo em resposta às ofensas cometidas aos extremistas quando a revista e seus chargistas zombaram do profeta Maomé (fato que vinha ocorrendo desde 2011 pela revista). Bem, o mundo hostil também aprendeu a zombar de Jesus Cristo e de seus pastores, como dos seus seguidores. Só que “Alá é grande!” e toda grandeza, na compreensão dos extremistas islâmicos, merece ser defendida a ferro e fogo. Uma barbárie!
Em 28 de novembro de 2014, em Discurso na Turquia ao presidente dos assuntos religiosos em Diyanet, disse o Papa Francisco: “Como chefes religiosos, temos a obrigação de denunciar todas as violações da dignidade e dos direitos humanos. A vida humana, dom de Deus Criador, possui um caráter sagrado. Por isso, a violência que busca uma justificação religiosa merece a mais forte condenação, porque o Onipotente é Deus da vida e da paz. O mundo espera, de todos aqueles que afirmam adorá- Lo, que sejam homens e mulheres de paz, capazes de viver como irmãos e irmãs, apesar das diferenças étnicas, religiosas, culturais ou ideológicas”.

Tudo isto se faz complexo e o Santo Padre sabe bem disso. Eis o desafio: viver como irmãos apesar de “zombarem do nosso Deus” com seus "sinônimos de liberdade de expressão e valorização da Democracia". Do outro lado o fundamentalismo e as ideologias traçam a sentença de morte para quem pensa e crê diferente, uma barbárie! Tudo isso está longe de ser religião e os verdadeiros crentes do Islamismo, no caso a maioria, confessam.

Quanto a nós, os cristãos, continuamos a caminhar para os guetos e voltaremos aos poucos a nos reunirmos em “casas de oração”, como no princípio. Já os “grandes” continuarão a defender seus deuses, e se preciso for, matando sempre! Deus conforte as famílias das vítimas e o mundo combata qualquer tipo de terrorismo, inclusive o "terror que banaliza o sagrado" em nome da liberdade de expressão e de imprensa. O nosso Cartunista Ziraldo disse: "Eles eram muito corajosos e faziam um humor agressivo com a questão Islâmica". O atentado foi mesmo um ato covarde e matar em nome de Deus é mesmo a maior das barbáries. Nós conhecemos bem essa página na nossa história.

Por: Antonio Marcos