2014-12-22

Uma casa para Deus

Na Liturgia da Palavra do 4º Domingo do Advento (Ano B) tivemos a oportunidade de refletir o diálogo de Davi com o profeta Natã (cf. 2Sm 1-5.8), quando lhe revela sua preocupação com a Arca de Deus que habitava numa tenda, enquanto Davi residia num palácio de cedro.  No que Deus responde, como se tivesse ficado bravo, que todas as ações grandiosas na vida de Davi partiram da sua iniciativa. Deus quer uma casa para o seu povo e há de construí-la no tempo certo. Não serão das mãos de Davi, mas do seu filho Salomão que sairá o Templo do Senhor.

Aqui está escondida e revelada a intenção de Deus para com o mistério da nossa salvação. É chegado o tempo em que o amor será garantido para sempre numa aliança eterna e indissolúvel. Deus feito homem, o Filho encarnado, é esta a Aliança eterna, a verdadeira Casa de Deus, na qual todos são chamados a adentrarem e nela residirem. O Apóstolo Paulo revela que “o mistério foi levado ao conhecimento de todas as nações para trazê-las à obediência da fé” (cf. Rm 16, 25-27).

As casas que construímos, as promessas que fazemos e os propósitos que elaboramos, tudo parece tão frágil, assim como tão frágil é também o nosso amor. O novo projeto de Deus implica em viver no Espírito Santo, acolher a sua graça e sua força, deixar-se transformar por Ele. Maria de Nazaré foi um alvo da erupção desta força, deste novo amor que torna o impossível possível, como bem vimos no Evangelho (cf. Lc 1,26-38). Mas tudo requer resposta corajosa, acolhimento, decisão: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra”. Abramos o coração, apesar de tudo o que o impede, e deixemo-nos alcançar pela visita de Deus. Uma nova vida, uma verdadeira casa de Deus o Espírito Santo quer construir dentro de nós. Assim seja.

Ant. Marcos

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