A Igreja se seculariza quando reduz a fé à medida humana

Cardeal Robert Sarah adverte: a secularização entra na igreja quando deixa de propor uma fé fundada na revelação de Cristo para reduzi-la às exigências e à mentalidade do homem moderno.

Viver a difícil liberdade

Nestes nossos dias muito se fala de liberdade, seja de expressão, de opinião, sexual, afetiva ou financeira.

Sobre os Felizes

Olá, amigos e amigas leitoras, estamos de volta! Partilho com vocês esta Coluna me enviada no WhatsApp por uma amiga.

Namoro: escola de aprendizados felizes, apesar dos desafios

Partilhar a vida a dois é um anseio do coração humano, uma vocação, uma vivência que passa por muitas experiências de aprendizado...

2014-12-22

Uma casa para Deus

Na Liturgia da Palavra do 4º Domingo do Advento (Ano B) tivemos a oportunidade de refletir o diálogo de Davi com o profeta Natã (cf. 2Sm 1-5.8), quando lhe revela sua preocupação com a Arca de Deus que habitava numa tenda, enquanto Davi residia num palácio de cedro.  No que Deus responde, como se tivesse ficado bravo, que todas as ações grandiosas na vida de Davi partiram da sua iniciativa. Deus quer uma casa para o seu povo e há de construí-la no tempo certo. Não serão das mãos de Davi, mas do seu filho Salomão que sairá o Templo do Senhor.

Aqui está escondida e revelada a intenção de Deus para com o mistério da nossa salvação. É chegado o tempo em que o amor será garantido para sempre numa aliança eterna e indissolúvel. Deus feito homem, o Filho encarnado, é esta a Aliança eterna, a verdadeira Casa de Deus, na qual todos são chamados a adentrarem e nela residirem. O Apóstolo Paulo revela que “o mistério foi levado ao conhecimento de todas as nações para trazê-las à obediência da fé” (cf. Rm 16, 25-27).

As casas que construímos, as promessas que fazemos e os propósitos que elaboramos, tudo parece tão frágil, assim como tão frágil é também o nosso amor. O novo projeto de Deus implica em viver no Espírito Santo, acolher a sua graça e sua força, deixar-se transformar por Ele. Maria de Nazaré foi um alvo da erupção desta força, deste novo amor que torna o impossível possível, como bem vimos no Evangelho (cf. Lc 1,26-38). Mas tudo requer resposta corajosa, acolhimento, decisão: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra”. Abramos o coração, apesar de tudo o que o impede, e deixemo-nos alcançar pela visita de Deus. Uma nova vida, uma verdadeira casa de Deus o Espírito Santo quer construir dentro de nós. Assim seja.

Ant. Marcos

2014-12-20

Abra espaços dentro de você

Dra. Zenilce Bruno, Psicóloga, sexóloga e pedagoga

Festas. Luzes. Alegria. Troca de presentes. As pessoas já começaram a falar do Natal, o que suscita sempre movimentos na cidade e no interior das pessoas. Exaltam-se afetos, lembranças e consumismos. Campanhas solidárias sugerem que se partilhe o que se tem, com aqueles que têm menos, que têm fome de pão, afeto e segurança. Na minha preciosa tarefa de cuidar do outro, penso se há espaço para o Natal. Sinto uma necessidade de abertura de outros espaços para que de fato o Natal possa acontecer: dos sentimentos, das atitudes, das emoções, das ações. Imagino a revolução fantástica que faremos, se pudermos abrir espaços internos no mais dentro de cada um. Isso nos possibilitará dar maior expressão à amorosidade, à amizade, aos entrelaces humanos tão dificultados pelo apressado e violento conviver contemporâneo. Em meio do burburinho consumista, o Natal, que significa nascimento, exige que nasçam em nós, gestos de abertura. Gestos de olhar em volta, de afagar a realidade que nos cerca, para poder transformá-la.

Começamos a combinar os encontros, as confraternizações de fim de ano. Aproprio-me da expressão, “abra espaços dentro de você” para pensar um Natal de aberturas, que possa oxigenar conversações, atitudes, relações familiares, ações governamentais, os novos rumos do país. É preciso abrir espaços para uma tolerância maior nas relações, sem o que se mantém o estado de hostilidade e violência destrutiva, que tanto tem ferido a dignidade da vida e das pessoas. Um pouco de possível nos acordos humanos torna-se caminho de paz, clarão que permite ver a beleza do mundo. É preciso abrir espaços para o perdão. A mágoa, a raiva, fazem muito mal, são maléficos à própria pessoa que as retém e aos outros com quem convive. Perdoar é um gesto muito nobre, exige coragem e beleza interna de quem o faz. A cultura, em suas marcas de tola arrogância, não prestigia o perdoar, gesto tão construtivo do bem estar humano.

Sinto um enorme desejo de felicidade. É preciso abrir espaços para os sentimentos, e de fato (con)fraternizar, não apenas trocar presentes. Confraternizar é um ato de vontade de ser irmão, de fraternar, de acolher, de ser amigo. O presente que damos deve ser um recado ao outro, uma declaração de afeto por ele. Uma metáfora de bem querer. Sem isso, o Natal torna-se mero consumismo. É preciso abrir espaços para a paz, tirar o dedo do gatilho da impulsividade e desafiar a própria capacidade de conviver com o outro e com as situações difíceis. Não há vitória sem superação de si mesmo. A vida fica insuportável se não mantivermos o entusiasmo por alguma dimensão construtiva.

É preciso abrir espaços para o bem. Temos apetite para produzir o bem como para produzir o mal, cabe-nos direcioná-los. Há um quê de inesgotável na capacidade humana de promover a dor, a alegria e o bem estar. A gente é jardineiro quando não pode ser flor. É assim que o bem fica possível. Somos criaturas e não deuses, mas cabe-nos dar feitio ao mundo que queremos para nós, para nossos filhos, e para os outros. O que permanece e dura é apenas aquilo que tem razões para recomeçar. A vida pode e deve continuar sendo uma obra de arte, onde cada um de nos põe o melhor de si mesmo. Se eu fosse Papai Noel diria: Um Natal de abertura para todos!

Fonte: Jornal O Povo (Opinião), Fortaleza, 23 de novembro de 2014. (Contato com a autora: zenilcebruno@uol.com.br).