“Não nos cansemos de fazer o bem; quando chegar o tempo, colheremos”


Uma reflexão sobre a CARTA AOS GÁLATAS: D. Geral do Magella Agnelo, Cardeal Arcebispo Emérito de São Salvador da Bahia

A Carta aos Gálatas foi escrita quando Paulo se encontrava em Éfeso, provavelmente em 56-57 d.C. Nela dois temas se destacam: a liberdade cristã e a universalidade da Igreja. Naquela cidade Paulo soube que estava sendo alvo de críticas e restrições, assim como a doutrina que vinha expondo. A crítica maior incidia sobre a necessidade de circuncisão para os judeus convertidos ao Cristianismo.

Inicia a carta aborrecido, porque pessoas estranhas estão fazendo confusão com os ensinamentos que ele espalhara entre os gálatas. Em estilo repreensão, afirma que o cristianismo não é como a prática judaica engessada pelo legalismo: “Maldito seja quem anunciar um evangelho diferente daquele que vocês receberam. Por acaso é a aprovação dos homens que estou procurando ou a aprovação de Deus?” (1,9-10). Adiante ele reage: “Irmãos, eu declaro a vocês: o evangelho por mim anunciado não é invenção humana. E, além disso, não o recebi nem aprendi através de um homem, mas por revelação de Jesus Cristo”. Fala da polêmica que houve entre ele e Pedro por causa da circuncisão e conclui o trecho, ressaltando a unidade da Igreja e a liberdade cristã. Foi Gálatas 5.1 que inspirou o tema da CF-2014: “É  para a liberdade que Cristo nos libertou. Paulo aponta o objetivo da liberdade: “Irmãos, vocês foram chamados para serem livres. Que essa liberdade, porém, não se torne desculpas para vocês viverem satisfazendo os instintos egoístas. Pelo contrário, coloquem-se a serviço uns dos outros, através do amor” (5,15).

Em Gl 4,4-5, refere-se ao dom que nos foi dado por meio de Jesus Cristo e que teve como consequência a filiação divina. “Quando, porém, chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho. Ele nasceu de uma mulher, submetido à Lei para resgatar aqueles que estavam submetidos à Lei, a fim de que fôssemos adotados como filhos”.

Muito ainda teríamos a dizer sobre Gálatas. O espaço é limitado. Concluamos com este pensamento magnífico: “Não nos cansemos de fazer o bem: quando chegar o tempo, colheremos” (6,9).

Fonte: Liturgia Diária, Paulus, outubro de 2014.