2014-04-21

Uma vida ressuscitada: eis a Páscoa de que o mundo precisa!

Estando a refletir o mistério da Ressurreição de Jesus, da sua Páscoa gloriosa, da sua vitória sobre a morte e o pecado, sentido da nossa vida e razão da nossa fé, debrucei-me sobre as Sagradas Escrituras, especialmente sobre o Evangelho do Domingo de Páscoa, Livro de João 20, 1-9, e desse texto me veio uma pequena compreensão que aqui partilho.

O texto fala que Maria Madalena, no primeiro dia da semana, quando ainda estava escuro, foi ao túmulo de Jesus e percebeu que haviam retirado o corpo. Ela então retorna depressa e relata o fato ao apóstolo Pedro e ao discípulo que Jesus amava: “Tiraram o Senhor do túmulo e não sabemos onde o colocaram” (Vers. 2). O primeiro impacto da pedra removida e da ausência do corpo para Maria Madalena não foi a certeza da ressurreição, mas o constrangimento de não encontrar o falecido no seu sepulcro, o que é assustador e, é claro, quando se trata de uma pessoa querida há motivos maiores para tristeza e indignação.

O evangelho relata que o discípulo amado chegou primeiro, mas só entrou no sepulcro depois de Pedro que, uma vez tendo constatado que o corpo de Jesus não se encontrava mais lá, acreditou. E conclui o evangelho: “De fato, eles não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos” (Vers. 9). Os fatos bíblicos não são frutos do acaso, não são ações sem sentido, desencontradas, mas estão dentro de uma conexão de inspiração e da condução do Espírito Santo para fazer cumprir o desígnio de Deus. As Escrituras Sagradas são o centro do que realmente Deus reserva para nós, ainda que os fatos sejam embaraçosos e que a nossa compreensão do texto sagrado seja tão limitada, porém, precisamos nos aproximar do texto bíblico com fé, disposição para acolher e compromisso em anunciar.

Os contextos atuais na sociedade em geral, como na nossa família, nos nossos grupos de convivência e na nossa própria vida refletem, muitas vezes, essa obstinação pelo “ver para crer”. Os discípulos cresceram na experiência com Deus e na fé. Foram aos poucos largando suas certezas humanas e se deixando conduzir pela providência divina. Só o Espírito Santo pode descortinar diante dos nossos olhos a realidade da ressurreição de Jesus, da sua vitória sobre toda e qualquer forma de morte e nos revelar o plano de felicidade que Deus reservou para nós a partir da recriação que a fé e acolhida à ressurreição proporcionam em nós. Enquanto a vida de Jesus não impactar nossas consciência e o profundo do nosso ser ficaremos sempre dependendo do que os outros pensam e falam.

A ressurreição de Jesus é o grande choque de amor numa vida crente. Impossível pensar uma continuidade de vida sem esta realidade. Porém, há sempre aqueles que nos ajudam a ir outra vez ao túmulo e constatar que de fato Jesus não mais se encontra entre os mortos. Quero dizer que há verdades de fé das quais jamais podemos nos desfazer, mas isso não significa que elas não sejam provadas. O mundo frio e descrente no qual nos encontramos duvida amargamente que por trás da fé cristã exista uma razão de felicidade e sentido. No entanto, este mesmo mundo tem necessidade do testemunho de “vidas ressuscitadas”. Todos nós um dia fomos ao Sepulcro de Jesus e lá, pessoalmente e em comunidade, a nossa mente e o nosso entendimento se abriram. Foi esta a experiência de Madalena que também compreendeu com os discípulos que Jesus havia ressuscitado. Porém, o anúncio de Madalena foi fundamental para Pedro e João. 

Não precisamos ter medo das realidades temporais, muito menos das provas ou dos tempos de secura e até mesmo de nossas perdas, pois tudo tem um propósito se assim nos deixarmos guiar pela ação do Espírito Santo. Ele torna a Palavra de Deus atual e operante em nós para que não guardemos conosco, mas a anunciemos por meio de uma vida ressuscitada. Aqui está o segredo de tudo o que celebramos nesses dias: a Páscoa é uma realidade na minha vida porque Jesus ressuscitou em mim. Vamos levar isso aos outros e juntos compreenderemos melhor o sentido da Páscoa.

Ant. Marcos


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