2014-04-19

Deus quer nos salvar sempre!

A Sexta-feira Santa já passou, hoje vivemos o Sábado Santo, último dia do Tríduo Pascal, dia de espera e silêncio na terra, mas dia de encontro de Jesus vivo com os nossos primeiros pais, na Mansão dos Mortos. Cristo desce para buscar os justos. Logo mais à noite viveremos com a Comunidade de fé a grande Vigília de Páscoa, a mãe de todas as vigílias, já celebrando a Ressurreição do Senhor.

Pois bem, mesmo vivendo a graça deste dia, quero aqui ainda partilhar algo que Deus colocou no meu coração durante a celebração da Paixão do Senhor e da Adoração de Cristo na Cruz. Trata-se do “ato de querer”, da ação da vontade humana diante de nossas escolhas pelo que é reto, e que, evidentemente, requer a participação da sã consciência e do dom da liberdade.

Tive a oportunidade de meditar no ato da vontade do Pai em querer enviar o Seu Filho e a Sua resposta generosa como expressão da comunhão de vontades na Santíssima Trindade. Comunhão esta nunca contrariada, pois disse Jesu: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10,30); E disse a Filipe: “Quem me vê, vê o Pai. Crede: eu estou no Pai e o pai em mim” (cf. Jo 14, 9-11).

Dois personagens centrais do Mistério da Paixão de Jesus nos ajudam a meditar sobre como o ato da vontade humana pode ser iluminado pela verdade e ofuscado por nossos enganos e paixões. De um lado a figura de Judas que “quis” entregar Jesus aos soldados romanos acreditando apenas nas suas boas intenções. Sua capacidade de crer e de compreender o outro estava manchada pela sua não abertura à verdade que vem de Deus. Do outro lado temos a pessoa de Maria, Mãe de Jesus, quando quis acompanhar a via sacra do Filho e com Ele permaneceu diante da cruz, presenciando aquele horror. Maria, no entanto, exerceu o “ato de querer” permanecer presente e em silêncio, com o coração cheio de dor, mas também cheio de fé e esperança.

E chegamos ao centro de nossa meditação do ato da vontade humana em Jesus em perfeita harmonia com a vontade divina, porém, isso não ofuscou a reação da natureza humana em Jesus de reclamar ao Pai sobre o seu “ato divino de querer” aquela oferta: “Pai, por que me abandonaste? (Mt 27, 46). Mas logo manifesta a comunhão de vontade: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23, 46). Uma só vontade de amor, uma só comunhão, um ato de querer iluminado pelo amor e pela verdade.

Queridos amigos e amigas, concluo esta meditação crente que Deus nos salvou definitivamente em Jesus quando quis fazer a vontade do Pai e foi fiel a ela, mas continua a querer nos salvar, sobretudo desta “vontade doentia” que vivemos e presenciamos em muitos ao nosso redor. Precisamos do exercício da vontade humana iluminado pela fé e movido pela graça de Deus. Somente a graça pode nos mostrar a verdadeira realidade do Mistério da nossa salvação e fazer das nossas escolhas sinais e frutos desta redenção.

“Em verdade, eu te digo, hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23, 43), disse Jesus a um dos ladrões que estavam ao seu lado. Hoje é o dia da salvação, o dia de retornar para Deus, como expressou o jovem Agostinho de Hipona quando fora visitado pela ação da Palavra de Deus. Que a graça da entrega de Jesus, do seu ato de querer fazer a vontade de Deus, inteiramente movido pela força do Espírito Santo, ajude-nos nas nossas decisões por uma vida redimida. Que a espera vivida neste Sábado Santo seja também um sinal da nossa decisão e confiança no amor fiel de Deus por nós. 

Ant. Marcos

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