CF 2014: A precarização do trabalho e o tráfico humano

Escrito Por Antonio Marcos na terça-feira, março 04, 2014 Sem Comentários
Pe. Luiz Carlos Dias, Secretário-executivo da CF

Nas sociedades sob o regime de economia de mercado, a competição e a obsessiva busca por lucros geram injustiças que excluem a maioria do acesso aos bens produzidos e a relegam à marginalização, sem o mínimo para uma vida saudável. Na raiz dos grandes lucros encontram-se situações de exploração de pessoas. O fenômeno de precarização das condições de trabalho, com terceirização e retrocesso de direitos anteriormente assegurados, é consequência dessa exploração do sistema produtivo. Mas o ambiente de competição e lucro dá margem a explorações ainda mais drásticas – por exemplo, o trabalho escravo no campo e na indústria.  

No Brasil, são fartas as notícias de trabalhadores escravos em determinados ramos da agropecuária e em indústrias do ramo têxtil – situação não exclusiva a essas áreas. Hoje  existe até um  cadastro que impõe sanções a empresas flagradas fazendo uso dessa prática ou a produtos advindos de trabalho escravo ou de condições análogas às de trabalho escravo. A população, mesmo sem o saber, contribui para tal exploração ao comprar esses produtos. Por isso, é bom desconfiar de ofertas de produtos de grife com preços muito abaixo da média do mercado, de produtos piratas ou importados de certas procedências. Pode-se, com isso, estar cooperando com o tráfico de pessoas para a produção em condições sub-humanas de trabalho e de vida.

Desse contexto aproveitam-se os aliciadores para ofertar o que muitos estão a desejar: trabalho e boa estrutura para viver. Assim, de repente, alguém que se encontra em condições de marginalização e sem horizontes e se vê diante de uma “oportunidade” para mudar radicalmente sua história. Essa dura realidade que anima muitos a acreditar em falsas promessas, deixar sua gente e até sua terra e empreender longas viagens em busca da sonhada melhoria das condições de vida. No entanto, a realidade com a qual deparam é bem outra. Quando chegam ao  destino, são informados da dívida contraída, têm os documentos apreendidos e se veem obrigadas a atividades forçadas
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Fonte: Folheto Litúrgico O Domingo, nº 10, 2/3/20014 – Texto VIII.