O aprendizado e a comunicação da fé “na minha vida”

Escrito Por Antonio Marcos na sexta-feira, janeiro 31, 2014 Sem Comentários
Aprendi muito cedo, ainda nas leituras pós-catequese e preparatórias para o recebimento do Sacramento da Crisma, que o universo do aprendizado sobre os conteúdos da minha fé era bastante vasto. Porém, há sempre aqueles pontos que todos os católicos precisam ter conhecimento, como por exemplo: o Credo, a Santa Missa Dominical, a presença do verdadeiro Corpo e Sangue de Cristo na eucaristia (o que chamam de “Transubstanciação”), os demais Sacramentos, a Páscoa de Jesus Cristo, o Culto e veneração a Nossa Senhora, a fé na Santíssima Trindade e a confirmação desta fé através da maternidade da Igreja e de seus pastores (o padre, os bispos e o papa). Enfim, aprendi muito cedo que tudo isso é parte do universo da doutrina da minha querida Igreja Católica, mas depois eu descobri que esta Igreja tem mais de Dois Mil anos de existência e sua trajetória na história da humanidade a fez detentora de um Depósito inconfundível de valores e doutrinas que a ajudam a prosseguir fiel à sua missão nos dia dias de hoje, que é orientar o povo de Deus nos caminhos do Mistério de Jesus Cristo.

A Crisma, os livros lidos, os cursos mais consistentes sobre a minha fé e a formação na vida missionária, sobretudo a formação recebida no Noviciado da Comunidade de Vida Shalom me ajudaram a compreender todos esses mistérios mais profundamente, abrindo assim novos horizontes. Outros critérios e orientações também foram apreendidos. Quando veio o começo da vida seminarística já me encontrava colaborando na formação de outras pessoas através, sobretudo, das Palestras e Aulas nos Cursos de Formação da Comunidade Católica Shalom. E assim a experiência em sala de aula, os questionamentos e a troca de experiência com outras pessoas me fizeram ainda mais entusiasmado com o vasto mundo da minha fé e da doutrina da minha Igreja, como ainda a sua beleza, seu nexo e conexão com um todo chamado Mistério de Cristo. Guardo deste tempo as diversas experiências em que comunicar a Doutrina me requereu muito mais que apenas um “saber por ele mesmo”, mas escuta, reflexão, o colocar-se no lugar do outro e disponibilidade e humildade para aprender, deixar-se corrigir sem jamais se intimidar e perder a minha consciência e capacidade de continuar sendo um colaborador na formação e evangelização.

Hoje não estou mais na vida missionária e nem no caminho seminarístico, mas nunca deixei de buscar minha formação e colaborar na formação de outros, de um jeito ou de outro, sempre em comunhão com o que ensina o Credo Católico. Acredito que tenho e partilho a mesma paixão pela minha fé e pela beleza do mistério e missão desta Igreja que segue o compasso da missão de Jesus Cristo, sua Cabeça e fundamento. Hoje eu tenho necessidade contínua de me debruçar sobre as Sagradas Escrituras, os Documentos da Igreja, o Catecismo e os livros acadêmicos - sobretudo com o que o Curso Superior de Teologia trouxe para a minha vida – para que o “depósito da fé em mim não seja mitigado ou esquecido” (cf. ITm 6,20). Essa “palhinha” de alguma coisa que aprendi não seria nada se o amor e a oração não continuassem a transformar tudo isso em respeito, prudência, zelo e consciência missionária.

As pessoas precisam da educação da fé, principalmente nos tempos de hoje nos quais temos tantos ensinamentos contrários aos verdadeiros valores cristãos e católicos. Graças a Deus que nestes tempos midiáticos de ampla produção de conteúdos nas redes sociais, também os comunicadores da fé, os evangelizadores se adaptam às novas exigências e areópagos, tanto leigos e agentes pastorais como também padres e bispos, comunidades e instituições cristãs. Apenas chamo atenção para duas questões: a formação continuada – “aprofundar o ensinamento da fé para melhor aderir a ele e melhor aplicá-lo”, como diz João Paulo II na Introdução da Constituição Apostólica Fidei Depositum; A aplicação do ensinamento da fé é o meu segundo ponto, ou seja, aprimorar o método de comunicar os valores e a doutrina cristã católica aos de dentro e, sobretudo aos de fora. A Igreja tem muitas correntes de pensamentos, mas tem uma linha de reflexão coerente, a que provém de duas vertentes (duas Fontes): as Sagradas Escrituras e a Sagrada Tradição. Saber falar da fé é uma arte que muita gente carece. A linguagem da Academia e a linguagem para o povo diferem, e se soubéssemos como manusear isto certamente evitaríamos muitos desgastes como temos visto.

Pra encerrar gosto sempre de uma afirmação do papa emérito Bento XVI, quando diz: “Julgo que o amor à verdade é sempre uma virtude essencial, precisamente para que também vejamos melhor o que a Igreja é e o que ela não é” (Sal da Terra, Edição de 1997, Cap III). E já dizia Teresa de Ávila: “a humildade é a verdade”. Se quisermos exercer a consciência missionária na formação do povo de Deus temos de viver nessa humildade de cada dia buscar aprender de novo a beleza e a profundidade da nossa fé e nos deixarmos encantar pela Verdade, que não sou eu, nem meus talentos, mas a pessoa de Jesus Cristo.


Ant. Marcos