2014-01-28

A pressa na comunicação e o discernimento nos juízos

Estamos vivendo os dias e suas correrias como nunca os vivemos antes. Tudo se faz necessário, importante, urgente e indispensável (ou não!). A notícia, o programa, o fato, o acontecimento, a tragédia, a comédia, a vida pública e privada, o permitido e proibido, o banal e o chocante, absolutamente nada escapa dos holofotes das sentinelas deste mundo midiático, apressado, e por que não dizer também “estressado e estrangulado”.

A pergunta que se faz necessária é se o que escutamos, percebemos, escrevemos, pregamos e fazemos corresponde, de fato, a uma saciedade do desejo natural pelo conhecimento, pela informação e pelo aprendizado. E mais, se de fato estamos alimentando os valores nobres que enaltecem a nossa dignidade humana.  Ou será que temos uma informação que dura pouco e produz muito pouco de formação?
É fato que estamos fartos de tantas palavras e poucas ações. Em situações mais desafiantes os juízos logo se formam e temos concepções rápidas, muitas vezes mal elaboradas, não aprendidas, não lidas, não estudadas e muito menos refletidas, por isso executadas sem sensatez. Como diz a expressão popular: “falo o que dá na teia” (o que vem na mente), não importa a inconsequência disso.

Os campos da fé e da religião também vivem seus desafios com a rapidez da comunicação. E tudo não se faz fácil, mas desafiante. As pessoas de boa vontade e, sobretudo os cristãos necessitam, muitas vezes, de respostas urgentes de quem tem fé, porque se supõe que este alguém fale com conhecimento de causa.  Penso que nós, os cristãos católicos, precisamos gastar mais tempo com a leitura, digo a boa leitura, e exercitarmos a capacidade de apreensão e percepção.  Tudo isso gera vida em nós quando o silêncio e a meditação favorecem o amadurecimento do discernimento, numa linguagem mais secular, do bom senso. A “pressa”, ou melhor, o “compasso” dos nossos juízos precisa de uma verdade na caridade que tenha brotado da experiência com o objeto da nossa fé encarnada: o coração de Deus, não de nossas ideias e habilidades comunicativas.  

Ant. Marcos


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