"As devidas razoes de um coração que crê e espera na fé" (1 Pedro 3,15)

2014-01-31

O aprendizado e a comunicação da fé “na minha vida”

Aprendi muito cedo, ainda nas leituras pós-catequese e preparatórias para o recebimento do Sacramento da Crisma, que o universo do aprendizado sobre os conteúdos da minha fé era bastante vasto. Porém, há sempre aqueles pontos que todos os católicos precisam ter conhecimento, como por exemplo: o Credo, a Santa Missa Dominical, a presença do verdadeiro Corpo e Sangue de Cristo na eucaristia (o que chamam de “Transubstanciação”), os demais Sacramentos, a Páscoa de Jesus Cristo, o Culto e veneração a Nossa Senhora, a fé na Santíssima Trindade e a confirmação desta fé através da maternidade da Igreja e de seus pastores (o padre, os bispos e o papa). Enfim, aprendi muito cedo que tudo isso é parte do universo da doutrina da minha querida Igreja Católica, mas depois eu descobri que esta Igreja tem mais de Dois Mil anos de existência e sua trajetória na história da humanidade a fez detentora de um Depósito inconfundível de valores e doutrinas que a ajudam a prosseguir fiel à sua missão nos dia dias de hoje, que é orientar o povo de Deus nos caminhos do Mistério de Jesus Cristo.

A Crisma, os livros lidos, os cursos mais consistentes sobre a minha fé e a formação na vida missionária, sobretudo a formação recebida no Noviciado da Comunidade de Vida Shalom me ajudaram a compreender todos esses mistérios mais profundamente, abrindo assim novos horizontes. Outros critérios e orientações também foram apreendidos. Quando veio o começo da vida seminarística já me encontrava colaborando na formação de outras pessoas através, sobretudo, das Palestras e Aulas nos Cursos de Formação da Comunidade Católica Shalom. E assim a experiência em sala de aula, os questionamentos e a troca de experiência com outras pessoas me fizeram ainda mais entusiasmado com o vasto mundo da minha fé e da doutrina da minha Igreja, como ainda a sua beleza, seu nexo e conexão com um todo chamado Mistério de Cristo. Guardo deste tempo as diversas experiências em que comunicar a Doutrina me requereu muito mais que apenas um “saber por ele mesmo”, mas escuta, reflexão, o colocar-se no lugar do outro e disponibilidade e humildade para aprender, deixar-se corrigir sem jamais se intimidar e perder a minha consciência e capacidade de continuar sendo um colaborador na formação e evangelização.

Hoje não estou mais na vida missionária e nem no caminho seminarístico, mas nunca deixei de buscar minha formação e colaborar na formação de outros, de um jeito ou de outro, sempre em comunhão com o que ensina o Credo Católico. Acredito que tenho e partilho a mesma paixão pela minha fé e pela beleza do mistério e missão desta Igreja que segue o compasso da missão de Jesus Cristo, sua Cabeça e fundamento. Hoje eu tenho necessidade contínua de me debruçar sobre as Sagradas Escrituras, os Documentos da Igreja, o Catecismo e os livros acadêmicos - sobretudo com o que o Curso Superior de Teologia trouxe para a minha vida – para que o “depósito da fé em mim não seja mitigado ou esquecido” (cf. ITm 6,20). Essa “palhinha” de alguma coisa que aprendi não seria nada se o amor e a oração não continuassem a transformar tudo isso em respeito, prudência, zelo e consciência missionária.

As pessoas precisam da educação da fé, principalmente nos tempos de hoje nos quais temos tantos ensinamentos contrários aos verdadeiros valores cristãos e católicos. Graças a Deus que nestes tempos midiáticos de ampla produção de conteúdos nas redes sociais, também os comunicadores da fé, os evangelizadores se adaptam às novas exigências e areópagos, tanto leigos e agentes pastorais como também padres e bispos, comunidades e instituições cristãs. Apenas chamo atenção para duas questões: a formação continuada – “aprofundar o ensinamento da fé para melhor aderir a ele e melhor aplicá-lo”, como diz João Paulo II na Introdução da Constituição Apostólica Fidei Depositum; A aplicação do ensinamento da fé é o meu segundo ponto, ou seja, aprimorar o método de comunicar os valores e a doutrina cristã católica aos de dentro e, sobretudo aos de fora. A Igreja tem muitas correntes de pensamentos, mas tem uma linha de reflexão coerente, a que provém de duas vertentes (duas Fontes): as Sagradas Escrituras e a Sagrada Tradição. Saber falar da fé é uma arte que muita gente carece. A linguagem da Academia e a linguagem para o povo diferem, e se soubéssemos como manusear isto certamente evitaríamos muitos desgastes como temos visto.

Pra encerrar gosto sempre de uma afirmação do papa emérito Bento XVI, quando diz: “Julgo que o amor à verdade é sempre uma virtude essencial, precisamente para que também vejamos melhor o que a Igreja é e o que ela não é” (Sal da Terra, Edição de 1997, Cap III). E já dizia Teresa de Ávila: “a humildade é a verdade”. Se quisermos exercer a consciência missionária na formação do povo de Deus temos de viver nessa humildade de cada dia buscar aprender de novo a beleza e a profundidade da nossa fé e nos deixarmos encantar pela Verdade, que não sou eu, nem meus talentos, mas a pessoa de Jesus Cristo.


Ant. Marcos

2014-01-28

A pressa na comunicação e o discernimento nos juízos

Estamos vivendo os dias e suas correrias como nunca os vivemos antes. Tudo se faz necessário, importante, urgente e indispensável (ou não!). A notícia, o programa, o fato, o acontecimento, a tragédia, a comédia, a vida pública e privada, o permitido e proibido, o banal e o chocante, absolutamente nada escapa dos holofotes das sentinelas deste mundo midiático, apressado, e por que não dizer também “estressado e estrangulado”.

A pergunta que se faz necessária é se o que escutamos, percebemos, escrevemos, pregamos e fazemos corresponde, de fato, a uma saciedade do desejo natural pelo conhecimento, pela informação e pelo aprendizado. E mais, se de fato estamos alimentando os valores nobres que enaltecem a nossa dignidade humana.  Ou será que temos uma informação que dura pouco e produz muito pouco de formação?
É fato que estamos fartos de tantas palavras e poucas ações. Em situações mais desafiantes os juízos logo se formam e temos concepções rápidas, muitas vezes mal elaboradas, não aprendidas, não lidas, não estudadas e muito menos refletidas, por isso executadas sem sensatez. Como diz a expressão popular: “falo o que dá na teia” (o que vem na mente), não importa a inconsequência disso.

Os campos da fé e da religião também vivem seus desafios com a rapidez da comunicação. E tudo não se faz fácil, mas desafiante. As pessoas de boa vontade e, sobretudo os cristãos necessitam, muitas vezes, de respostas urgentes de quem tem fé, porque se supõe que este alguém fale com conhecimento de causa.  Penso que nós, os cristãos católicos, precisamos gastar mais tempo com a leitura, digo a boa leitura, e exercitarmos a capacidade de apreensão e percepção.  Tudo isso gera vida em nós quando o silêncio e a meditação favorecem o amadurecimento do discernimento, numa linguagem mais secular, do bom senso. A “pressa”, ou melhor, o “compasso” dos nossos juízos precisa de uma verdade na caridade que tenha brotado da experiência com o objeto da nossa fé encarnada: o coração de Deus, não de nossas ideias e habilidades comunicativas.  

Ant. Marcos