Presépio de Natal: seja fruto da pobreza criativa

Escrito Por Antonio Marcos na terça-feira, dezembro 10, 2013 Sem Comentários


José Bortolini, Sacerdote Católico, Biblista e Escritor

O evangelista Lucas é o único a narrar com detalhes o nascimento de Jesus (2,1-7): “Naqueles dias, o imperador Augusto publicou um decreto, ordenando o recenseamento em todo o império. Esse primeiro recenseamento foi feito quando Quirino era governador da Síria. Todos iam registrar-se, cada um na sua cidade natal. José era da família e descendência de Davi. Subiu da cidade de Nazaré, na Galileia, até à cidade de Davi, chamada Belém, na Judeia, para registrar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida. Enquanto estavam em Belém, se completaram os dias para o parto, e Maria deu à luz o seu filho primogênito. Ela o enfaixou, e colocou na manjedoura, pois não havia lugar para eles dentro da casa”. 

A “casa” pertencia provavelmente aos parentes de José, nascido em Belém. Não havia lugar para eles dentro da casa, e tiveram de se abrigar no “puxadinho” do lado de fora da parede, onde recolhiam os animais à noite. Lucas fala claramente de uma manjedoura que serviu de berço para o Senhor do mundo.

Essa cena noturna, de extrema pobreza, grandiosa por sua simplicidade, inspirou o bem-aventurado pobre em espírito Francisco de Assis (1181-1226). Comovido e identificado com aquela cena, criou nas cavernas de um monte de sua região aquilo que hoje chamamos de presépio. Não podemos esquecer que o sentido primeiro dessa palavra é “estábulo”, “estrebaria”, “curral”. 

A arte e a fantasia não têm limites, e hoje muitos têm o costume de viajar para visitar essas obras de arte que são os presépios. Contudo, a característica principal é a simplicidade com que o Salvador entrou em nossa história, pelo caminho dos pobres e sem-teto. Pobreza criativa deveria ser a regra para montar o presépio.  

Fonte: Advento e Natal, Coleção Por que creio, 2010.