2013-12-06

Nelson Mandela: o perdão venceu o ódio e o desejo de vingança



Gabriel Chalita, Professor da PUC-SP e membro da Academia Brasileira de Educação.

Uma pessoa de boa vontade vai sendo construída aos poucos. “Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar as pessoas precisam aprender e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar”.
 
Esse ensinamento de Mandela sintetiza o bom e o belo de que tanto falamos. Esse homem ficou preso durante quase trinta anos. Em uma cela muito pequena. Nos momentos mais difíceis daquele quarto sem janelas, a luz entrava pela poesia que o acompanhava. Sofreu certamente pela consciência da injustiça, pela certeza de que seu povo também sofria. Saiu liberto da prisão e decidiu que sua alma não seria aprisionada. A prisão não teria o poder de continuar com ele. Era um momento novo, o momento da tão sonhada liberdade. Livrou-se dos sentimentos de ódio e de vingança e continuou sua jornada. 

Eleito presidente da república de seu país, Mandela teve de amenizar o desejo  que seu povo tinha de mostrar aos brancos o que é o sofrimento. Mandela venceu disposto a acabar com as guerras entre brancos e negros. Sabia que, caso se vingasse dos brancos, um dia um branco voltaria para se vingar dos negros e essa desfaçatez não teria mais fim. Era preciso unir. Era preciso perdoar verdadeiramente. E foi assim que a África do Sul começou a construir uma nova história. (...) São pessoas assim que nos impulsionam a prosseguir enxergando o outro.

Fonte: Cartas entre Amigos 2 (Sétima Carta), 2010.

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