A Igreja se seculariza quando reduz a fé à medida humana

Cardeal Robert Sarah adverte: a secularização entra na igreja quando deixa de propor uma fé fundada na revelação de Cristo para reduzi-la às exigências e à mentalidade do homem moderno.

Viver a difícil liberdade

Nestes nossos dias muito se fala de liberdade, seja de expressão, de opinião, sexual, afetiva ou financeira.

Sobre os Felizes

Olá, amigos e amigas leitoras, estamos de volta! Partilho com vocês esta Coluna me enviada no WhatsApp por uma amiga.

Namoro: escola de aprendizados felizes, apesar dos desafios

Partilhar a vida a dois é um anseio do coração humano, uma vocação, uma vivência que passa por muitas experiências de aprendizado...

2013-07-31

Quem disse que não vivemos a Jornada Mundial da Juventude?

Resolvi escrever esses poucos parágrafos apenas para testemunhar a minha alegria com a JMJ RIO 2013 e com tudo o que o papa Francisco expressou com sua pessoa, seus gestos e palavras, sempre correspondido pelo enorme carinho e demonstração de amor e fé por parte do povo peregrino, sobretudo da gigantesca onda juvenil que tomou parte da cidade do Rio de Janeiro, provinda dos quatro cantos do mundo. Um cenário inesquecível, sem dúvidas!

Eu não estava no Rio de Janeiro – para a surpresa de quem agora lê essa partilha. Eu estava na minha cotidianidade existencial de família, muito trabalho, compromissos, horários para cumprir, desafios de cidadão e cristão. No entanto, pela graça da comunhão dos santos me uni não só aos peregrinos, mas a tantas outras milhares de pessoas que gostariam de ter ido à JMJ, mas não foi possível por diversas razões. Apesar disso os meus dias foram intensos para viver da melhor maneira a JMJ e os passos do santo padre, os seus compromissos, discursos e ações imprevisíveis e desconcertantes.

Numa época em que a comunicação virtual é de uma rapidez extraordinária, temos todas as oportunidades para também vivermos o que passa no mundo, sobretudo quando diz respeito a nós. Bastava lê rápido a capa do jornal do dia e já se tinha quase tudo de informação, depois os sites jornalísticos, os telejornais, as coberturas e programas das TVs católicas e seculares, o microblog Twitter, o Facebook, os aplicativos da JMJ, enfim, um mundo de mecanismos a serviço dos passos do papa no Brasil. Tudo falava do pastor Francisco, dos jovens e dos peregrinos. Do lado de cá vi gente emocionada, grudada na TV, perguntando em toda parte: “Você viu aquela cena? Escutou o que o papa disse? Veja tal vídeo, tal comentário etc.”

Confesso que a minha emoção gerou inquietações interiores e me senti profundamente desejoso de cada dia retornar a Deus e ser sal e luz para que muitos conheçam a face de Cristo. As palavras e os gestos de humildade e acolhida do papa a tanta gente que apenas queria olhar o seu sorriso e receber a bênção, ainda que de longe, foram marcantes para mim, provocando revoluções, decisões, encorajamento, revigoramento interior. Nós fomos alcançados pela graça da JMJ. Um mistério, um verdadeiro mistério de fé vivificadora! Por isso é que digo que eu vivi também a JMJ, ou, pra melhor dizer, eu também estive com os peregrinos e o papa. Obrigado, meu Deus!


Antonio Marcos 

2013-07-30

O testemunho e o exemplo são as cátedras e os púlpitos que mais convencem



D. Geraldo Majella Agnelo, Cardeal Arcebispo Emérito de Salvador.

Ainda continua valendo a certeza de que os adultos – e as instituições todas – temos responsabilidade perante as novas gerações. O testemunho e o exemplo são as cátedras e os púlpitos que mais convencem e de onde crianças e jovens retiram o aprendizado mais promissor para a própria vida.

Nosso Senhor falou com clareza e força contra o mau exemplo dado aos mais jovens – basta ler Mt 18,6-10. No Sermão da Montanha, Jesus chamou os discípulos de sal e de luz (cf. Mt 5,13-16). Sal sem gosto e lâmpada escondida não servem para nada! O brilho do discípulo está nas boas obras que realiza, nos bons exemplos que oferece, na fidelidade com que vive.  

Os jovens precisam encontrar nos pais, nos governantes, nas instituições, na Igreja exemplos a seguir.

A nossa juventude esteve voltada para a Jornada Mundial da Juventude – realizada de 23 a 28 de julho deste ano no Rio de Janeiro – cheia de entusiasmo, renovada nos seus ideais, abençoada pelo Cristo Redentor, que atraiu e enviou.

Na bagagem de volta do Rio de Janeiro, a juventude que lá esteve incluiu um desejo imenso de dizer ao mundo que Deus é Pai e ama a todos! Que Jesus Cristo é o único Senhor e Salvador! A juventude quer clamar por sobre os telhados de todos os lares que a família nasceu dentro do coração de Deus e que cada jovem é mais feliz porque conta com um pai e uma mãe que o acolhem e o orientam!

Que o caminho da nossa juventude encontre nas instituições, nas famílias, nos adultos o incentivo e o fulgor da verdade e do bem!

Fonte: Liturgia Diária, Paulus, agosto de 2013 (Vocacionados a ser sal e luz) .

2013-07-29

Trajetória amorosa

Zenilce Vieira Bruno, Psicóloga, sexóloga e pedagoga

Na trajetória amorosa, queremos, como em tudo, a felicidade. Mas ela não é previsível, controlável, não a possuímos, dela não nos apropriamos. Ela não é do tamanho do nosso sonho. O sonho é sempre maior. Na verdade, não podemos pensá-la concretamente como algo objetivo, que está ali e pode ser definitivamente alcançado. Ela não está nas coisas, no outro ou nos nossos projetos. Realisticamente, a felicidade não existe em si mesma. O que dela conhecemos são os momentos felizes que conseguimos viver.

O movimento da felicidade procede de dentro para fora da pessoa e a insere no contexto do sentido da vida. Dessa forma, entendo que a felicidade como o sentido da vida são buscas internas. Perdemos tempo em buscá-las fora de nós. O que está fora apenas acorda o que existe dentro. Nessa perspectiva, não encontramos a felicidade em si, mas razões para sermos felizes. Penso que estas razões estão em nós e à nossa volta, mas frequentemente as desperdiçamos ou nem as percebemos. Permanecemos na utopia de uma felicidade avassaladora. Os motivos que nos fazem felizes podem ser muito pequenos e, no entanto, preciosos. Talvez tenhamos que revitalizar a grandiosidade do sonho e encontrar os motivos simples que viabilizem felicidades.

Retalhos de prazer são bem vindos ao existir, mesmo que não nos bastem. Seria miséria erótica se nos bastassem. Contudo, valem enquanto prazer e expressão de busca. Na idealização de se viver apenas o amor extraordinário, perdem-se ocasiões de vivências importantes, ou mantém-se num estado de pobreza, de miséria amorosa. Não podemos é nos deter ante as máximas do “até que a morte os separe” ou que seja “pelo resto da vida”. Na verdade, “resto da vida” é tudo aquilo que se vive ao fim de cada etapa. Assim, atravessamos muitos “restos da vida”, porque ela se sucede em estágios que nascem desses finais.

Idealizamos muito porque ansiamos pelo maravilhoso, o melhor e o mais bonito. Sonho legítimo. Mas não podemos esquecer que o maravilhoso se esconde nas coisas simples. É o olhar interno que inventa o extraordinário e o descobre nas mais diversas circunstâncias. Um olhar, um afago, a roupa que o outro veste para agradar, a inteligência, a graça com que conduz à vida, o jeito próprio de amar, a flor que se abre sobre nossa janela, o sol que brilhou depois da chuva, tudo pode acordar o extraordinário em nós, quando estamos abertos aos gestos dos outros, aos movimentos da vida.

Estagnamos a relação se nos detivermos na ilusão da perfeita unidade, na utopia da completude, se não pudermos suportar e amar o outro como ele é: insuportável e maravilhoso. Diria que a relação amorosa é uma busca inquietante e que isso promove um “desassossego” que nos faz permanecer num devir constante. É no contexto de dores e alegrias que experienciamos o que há de mais denso emocional e sexualmente.

O difícil é admitirmos que a realidade amorosa tem essas duas faces. Qualquer parte dela negada, nos torna mais pobres experiencialmente. Porque assim é a vida, a existência, o sexo, a música, o universo, as pessoas em relação.

Fonte: Jornal O Povo (Opinião), Fortaleza, 28 de julho de 2013.

2013-07-03

O calor humano da gentileza




Li nesses dias uma frase que dizia assim: “Quem se reveste de gentileza está devidamente abrigado da cruel frieza deste mundo, é aquecido com um nobre valor e transmite um calor humano aos outros”.  Parece-nos fáceis compreender que se trata de uma verdade incontestável, exatamente porque o que testemunhamos “aqui fora” é uma realidade de insensibilidade gritante.

Os tempos são de contrastes entre o saber, o status, a estética, a própria consciência de que se quer paz e justiça e o vazio das ações, a arrogância, o autoritarismo de como julgamos as nossas necessidades e razões. É perceptível no cotidiano de nossa vida a frieza de tantos corações e mentes quando a necessidade e o bom senso pedem que cedamos isso ou aquilo no ambiente familiar, diante de um colega de trabalho e de todos os contextos diversificados que vivenciamos continuamente. Nunca vivemos com tanta liberdade e nunca fomos tão narcisistas, egoístas e indiferentes à necessidade do outro, o que é lamentável.

No entanto, o calor humano da gentileza continua a aquecer a muitos por parte de quem não se deixou animalizar pelas relações humanas decadentes.  Amar o próximo exige uma páscoa, mais do que nunca, nas pequenas coisas que embelezam a vida, nossas ações e consciência. A gentileza abriga e dá abrigo, enobrece e nos ajuda a traduzir o verdadeiro ato de fé. Cada dia temos novas oportunidades para sermos gentis, vamos aproveitar!

Antonio Marcos