2013-02-21

Não produza provas contra você



Erika de Souza – Editora

Não se trata de provas criminais, mas de provas que, num momento ou outro, podem ser usadas contra você.

Faz parte da sabedoria popular, o “peixe morre pela boca”, e é por ela que muitos têm produzido conceitos e ideias ao próprio respeito que, em dada circunstância, poderão se voltar contra si mesmos. Por isso, fale um pouco menos, não saia por aí contando os seus apertos para todo mundo como se todo mundo, realmente, se importasse.

O desabafo, mesmo sendo um grande método de aliviar suas tensões, tem que ser comedido, cauteloso, prudente. As ideias que povoam sua mente podem se transformar em verdadeiras armas contra você. Então, organize-as antes de falar com alguém. Defina, com coerência, as pessoas com quem realmente você pode contar, pois muitas só se aproximam movidas por nada mais do que uma intensa e fútil curiosidade. Envolvidas por tais características, não vão ver grandes problemas em falar de você para quantas pessoas desejarem.

Entre esses “ouvintes”, não se iluda, há muitos que não dão a mínima para o seu bem-estar. Exercite o autocontrole e tente fazer uso mais frequente da razão que, apesar de parecer fria, tem grande potencial de poupá-lo de muitas e desnecessárias frustrações. Faça melhor uso de sua emoção, utilizando-a para ajudar o próximo, e não para falar desmedidamente com alguém em quem, sem fundamentos concretos, você pensa que pode confiar seu segredo, sua história, suas faltas.

Antes de falar de sua vida, lembre-se de que ela é um bem preciosíssimo e, como tal, não é prudente deixá-la exposta a ações de pessoas que desconhecem qualquer conceito simples de respeito e limite. Veja a vida sempre com bons olhos e não confunda a prudência com atitudes de impiedade, pouco caso e amargura. Achar que pode contar para todo mundo que você não está feliz sem sair profundamente machucado é, simplesmente, ingenuidade.

Mas cuidado, não generalize, ainda há, graças a Deus, muita gente boa, de bom coração e pronta para receber suas queixas de forma carinhosa, com largueza e uma boa dose de boa vontade. A essas não fale, apenas permita-se ouvi-las quando estiverem necessitadas e, assim como elas, abra bem o seu coração, pois pessoas assim são como tesouros de alto valor que devem ser muito bem-guardados e protegidos.

Fonte: Jornal O Estado – CE (Opinião), Fortaleza, 21 de fevereiro de 2013.(Grifo é nosso)

0 comentários:

Postar um comentário