2013-02-01

Aprendendo com Platão


Quando Platão pensou o Estado dentro da sua obra “A República”, fecundou o imaginário com a utopia de uma cidade ideal, “possível” e feliz. Para isso destacou a mais importante de suas engrenagens, as virtudes éticas, a saber: a prudência ou sabedoria dos governantes, a coragem dos soldados e a temperança dos artesãos. Para o pensador tais virtudes precisam ser conhecidas e praticadas. Hoje se fala de ética e moral, de honra aos princípios democráticos e de honestidade diante da consciência pessoal e coletiva, porém, lamenta-se o descrédito a essas virtudes e a forma como vamos caminhando à insensibilidade para com os valores fundamentais. A lei do mais forte, do despudor ético e da banalidade dos valores parece prevalecer em detrimento do que se aprendeu na esfera do bem e do bom. 

Particularmente fico chocado em não perceber as mínimas reações de constrangimento em muitos quando as ações e as decisões feriram a consciência, o senso comum e a democracia. Platão entendeu bem que a estrutura do Estado se assemelha à estrutura do interior humano, pois a deficiência nas virtudes aqui em destaque é sinal da debilidade da alma. Daí que o pensador coloca a justiça como elo de harmonia entre todas as virtudes. Mas a justiça deve ser buscada não fora, mas dentro do homem. É a viagem ao interior que leva o homem ao núcleo fundamental da existência de qualquer ação ou virtude, o Bem, ou, a ideia de absoluto como pensou Platão. É ele, o Bem, e somente ele que pode capacitar o homem para conduzir com retidão a pólis, o Estado e a alma humana. 

Esta pequena reflexão maturada nesses dias me gerou tais linhas não apenas filosóficas, mas linhas de fé, linhas teologais, ou existenciais, porque me possibilitaram pensar naquilo que tem sido manifestado e reclamado pelo coração, seja de uma vida comum ou de uma vida em destaque na sociedade e instituições democráticas: o vazio de sentido, de valores e da consciência do Bem. Não vivemos uma crise de fé, muito menos de capacidade humana, mas a loucura  de não buscar o Bem Supremo como mestre de nossas ações e decisões, de não fazer a viagem interior cada dia e em cada contexto. É  ainda a loucura de querer crer desconsiderando suas implicações de vida e salvação.

Antonio Marcos

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