O MEU DIA DO PADRE...

Escrito Por Antonio Marcos na segunda-feira, agosto 06, 2012 Sem Comentários

Publico aqui este testemunho sobre o perdão, partilhado pelo Pe. Ítalo Arcanjo (perfil pessoal no Facebook), o que chamou de “um pensamento, um experiência de vida que trago hoje na alma”. Vale a pena ler e meditar!

Hoje pela manhã, ao rezar as Laudes em Memória à São João Maria Vianey, lembrei do testemunho de confessor que era este santo homem, de suas experiências no confessionário, assim como temos as nossas. Imaginei quantas vezes ergueu as mãos sobre seus fiéis para pedir o perdão de Deus sobre eles, e quantos foram os que saíram dali aliviados e motivados pela misericórdia de Deus a se tornarem homens novos. Pensei também na sinceridade da confissão, no estado humilde de contrição dos penitentes e no propósito de mudança que cada um apresentava ao Santo Cura d’Ars, que os ouvia, se compadecia e os ajudava a ser melhores, os conduzindo à presença de Deus. Tudo isso me fez refletir o momento presente de minha vida, a experiência que trago no coração neste dia do Padre!

Certa vez lendo Rubem Alves, me saltaram aos olhos, dentre tantos, um pensamento intrigante, porém, o mais significativo dos que poderiam me servir, e que ainda hoje o guardo na memória. Uma lição simples, contundente e paradoxal, uma experiência para explicar uma situação constrangedora, a qual tem se repetido no hoje de minha vida.

Dizia o Filósofo: “HÁ PEDIDOS DE PERDÃO QUE SÃO MALDITOS, NÃO DEVERIAM SER FEITOS”. Pensemos, então: o que o autor estava querendo dizer com isso? Como pensar o perdão, sendo em si um ato nobre, vir a tornar-se maldito? O que poderia desgastar o valor desse gesto que abre as portas para a reconciliação, para a amizade, para o amor? O que fazer para que em nossa vida, em minha vida, o perdão seja sempre um bem, e não um mal a ser partilhado? Hoje, no dia do Padre, essas perguntas instigam o meu ministério, me fazem pensar nas confissões e pedidos de perdão que já expressei e os que já ouvi.

Dos pedidos de perdão que já manifestei, quero fazê-los novamente, na incerteza de não tê-los feito do modo correto, no ambiente certo, na hora certa. Quero fazê-los com a mais profunda verdade de minha alma, com a mais sincera consciência de querer ver curadas as feridas que eu poderia ter causado, mesmo que inconsciente. Quero fazê-los, sem justificativas e explicações que poderiam diminuir o valor que traz o sentido desse pedido, assumindo, mesmo que em pensamento, a dor e os constrangimentos que tenham sido casados indevidamente. Aos que eu possa ter ofendido, por graves ou leves faltas, peço-lhes novamente que me perdoem e consciente de vossa liberdade, acreditem que um dia vou ser melhor. Não lhes peço que aceitem meus atos, ou até a mim mesmo, mas que não desistam pelo menos de rezar e pensar na possibilidade que ainda poderei lhes dá o que esperam de mim.

Neste dia, queridos irmãos, quero ainda confessar-lhes uma dor, talvez a mesma que possam ter sentido por alguns de meus pedidos de perdão malditos, ou de outros que lhes fizeram.

Por duas vezes em minha vida fui surpreendido por este tipo de perdão mal-dito, aquele que machuca e rompe os elos da unidade. Que nos fere por dentro, por que não saiu de dentro. Pedidos de perdão, que pareciam mais uma explicação, uma chamada de atenção, uma fala disfarçada de agressão e julgamento. Um perdão que quebra pontes, desfaz encontros e por instantes nos faz perder o rumo. Um ato que em vez de ser nobre e belo, se torna mesquinho e fugaz, por que é vazio de sentido, ríspido, desonesto e não se preocupa com o outro. O modo como se é verbalizado tal pedido, não importa muito, nem o ambiente, nem o momento, nem os sentimentos do outro, por que a sua finalidade também é outra.

É desse tipo de perdão, que não quero mais proferir e também não quero mais ouvir, mesmo sabendo que o contrário do que agora penso pode acontecer.
SENHOR, DÁ-NOS A GRAÇA DE SABER PEDIR PERDÃO E DE PERDOAR, AFIM DE QUE O PERDÃO SEJA SEMPRE UM BEM PARA A NOSSA VIDA! AMÉM!

SÃO JOÃO MARIA VIANEY, ROGAI POR NÓS!