2012-08-21

Evangelização: ponte entre o desmoronamento e a força do amor


Neste tempo tenho lido e refletido o Documento da Igreja “A Nova Evangelização para a Transmissão da Fé Cristã”, que é o Instrumentum Laboris, 28, para o Sínodo dos Bispos (XIII Assembleia Geral Ordinária), que se realizará em Roma, de 7 a 28 de outubro de 2012, por ocasião da abertura do Ano da Fé, declarado pelo Papa Bento XVI, comemorativo aos 50 anos da abertura do Concílio Vaticano II. Este documento de trabalho traz linhas de reflexão para toda a Igreja, fruto de sugestões coletadas das diversas Conferências Episcopais do mundo, no intuito de se preparar melhor as discussões do Sínodo.

O centro da temática é mesmo a evangelização nesses tempos tão desafiantes que qualquer um, crente e não crente, pode perceber. Trata-se, sobretudo, de se trabalhar o despertar da missão batismal dos fiéis católicos como a primeira e mais importante ação de evangelização da Igreja hoje. Isto vem a ser, de certo modo, uma grande compreensão de que nada adianta avolumar gente em nossas paróquias e movimentos se isto não gera conversão e, consequentemente, engajamento e compromisso.  O papa Bento XVI, quando ainda cardeal fez esta declaração no livro “O Sal da Terra”: Não se pode partir do pressuposto de que um cristianismo que no ano zero começa como grão de mostarda no fim teria que ter a forma de uma árvore enorme e que se poderia ver como foi melhorando de um século para o outro.

O papa falava, na verdade, que o cristianismo terá sempre a marca do grão de mostarda, ou seja, sua identidade é a pequenez que muitas vezes parece fracassado, mas tem sua força em Deus. O Espírito Santo opera maravilhas, apesar dos horrores dos homens e de suas abnegações. A obra pode até desmoronar-se porque Deus respeita a liberdade do homem, mas também é verdade que o cristianismo volta sempre a libertar grandes forças de amor. Nós, os cristãos, temos uma compreensão diferente do amor, e este amor comporta, especialmente, o compromisso com a evangelização. Não basta crer, é preciso transparecer. Reconhece-se o fosso existente entre o Evangelho e a vida, o que vem a ser um desafio para todos. As ações da fé parecem caminhar a passos lentos e as ações do Mal, como todas as suas seduções, parecem caminhar a passos largos. No entanto, não desanimados, porque o Senhor Ressuscitado caminha com o seu povo.

“Num tempo em que a escolha da fé e do seguimento de Cristo é menos acessível e pouco compreensível pelo mundo, senão mesmo contrastada e hostilizada, aumenta a missão da comunidade e dos cristãos individuais em serem testemunhas intrépidas do Evangelho. A lógica de semelhante comportamento é sugerida pelo apóstolo Pedro quando nos convida a darmos as razões, a responder a quem nos pede razões da esperança que está em nós” (cf. IPd 3,15) – (Instrumentum Laboris, 28). Nesse sentido, compreendo com a Igreja que Evangelização é a ponte entre o desmoronamento e a força do amor. Aconteça em nós a efusão de um batismo operante, um nascer outra vez a partir do despertar do graça de Deus em nós para então comunicarmos o tesouro da vida de Deus. E isto é hoje, não amanhã, como dizia Agostinho de Hipona.

Marcos de Aquino

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