"As devidas razoes de um coração que crê e espera na fé" (1 Pedro 3,15)

2012-07-30

Deus quer sempre nos trazer de volta


No início desta nova semana a Palavra do Senhor nos impacta o coração com a imagem apresentada pelo profeta Jeremias do cinto que Deus manda colocar na cintura como “símbolo da unidade do povo a Deus”. Da mesma forma o Senhor o manda esconder numa fenda no Eufrates e o cinto apodrece como “símbolo da separação do povo”, do seu pecado, da escolha de outros deuses e planos (cf. Jr 13,1-11). Todos nós, de alguma forma, conhecemos bem a força destruidora de nossas más escolhas, de quando agimos com indiferença depois de termos provado tanto do amor e dos cuidados de Deus. Na verdade, a conclusão é mesmo a infelicidade, o vazio, a falta de rumo na vida, apesar de nossos planos humanos e bons propósitos. Deus quer sempre nos trazer de volta, e o faz desejando que o nosso coração se disponha ao seu reino, que, se ao menos uma “pequena semente” de sua palavra fecundar em nós, muitos frutos gerarão e “Deus realizará e proclamará em nossas vidas coisas escondidas” (cf. Mt 13, 31-35). O Senhor nos dê a graça da memória de amor e gratidão, pois, sem ela caímos no esquecimento do que fez por nós a sua misericórdia. Que a Palavra de Deus nos conquiste e nos transforme para também sermos “semente do reino” em outros corações.

Antonio Marcos

2012-07-25

Disposição para deixar a “barca” das nossas seguranças humanas


25 de julho: SÃO TIAGO MAIOR, Apóstolo e Evangelizador
Bento XVI, Papa – Audiência do dia 21 de junho de 2006.

Os elencos bíblicos dos Doze mencionam duas pessoas com este nome: Tiago, filho de Zebedeu, e Tiago, filho de Alfeu (cf. Mc 3, 17.18; Mt 10, 2-3), que são comumente distinguidos com os nomes de Tiago, o Maior e Tiago, o Menor. Sem dúvida, estas designações não querem medir a sua santidade, mas apenas distinguir o realce que eles recebem nos escritos do Novo Testamento e, em particular, no quadro da vida terrena de Jesus. Hoje dedicamos a nossa atenção à primeira destas duas personagens homônimas.

O nome Tiago é a tradução de Iákobos, forma helenizada do nome do célebre patriarca Tiago. O apóstolo assim chamado é irmão de João, e nos elencos acima mencionados ocupa o segundo lugar logo depois de Pedro, como em Marcos (3, 17), ou o terceiro lugar depois de Pedro e André no Evangelho de Mateus (10, 2) e de Lucas (6, 14), enquanto que nos Atos vem depois de Pedro e de João (1, 13). Este Tiago pertence, juntamente com Pedro e João, ao grupo dos três discípulos privilegiados que foram admitidos por Jesus em momentos importantes da sua vida.

Dado que faz muito calor, gostaria de abreviar e mencionar aqui só duas destas ocasiões. Ele pôde participar, juntamente com Pedro e Tiago, no momento da agonia de Jesus no horto do Getsêmani e no acontecimento da Transfiguração de Jesus. Trata-se portanto de situações muito diversas uma da outra: num caso, Tiago com os outros dois Apóstolos experimenta a glória do Senhor, vê-o no diálogo com Moisés e Elias, vê transparecer o esplendor divino de Jesus; no outro encontra-se diante do sofrimento e da humilhação, vê com os próprios olhos como o Filho de Deus se humilha tornando-se obediente até à morte. Certamente a segunda experiência constitui para ele a ocasião de uma maturação na fé, para corrigir a interpretação unilateral, triunfalista da primeira: ele teve que entrever que o Messias, esperado pelo povo judaico como um triunfador, na realidade não era só circundado de honra e de glória, mas também de sofrimentos e fraqueza. A glória de Cristo realiza-se precisamente na Cruz, na participação dos nossos sofrimentos.

Esta maturação da fé foi realizada pelo Espírito Santo no Pentecostes, de forma que Tiago, quando chegou o momento do testemunho supremo, não se retirou. No início dos anos 40 do século I o rei Herodes Agripa, neto de Herodes o Grande, como nos informa Lucas, "maltratou alguns membros da Igreja. Mandou matar à espada Tiago, irmão de João" (At 12, 1-2).

A notícia tão limitada, privada de qualquer pormenor narrativo, revela, por um lado, quanto era normal para os cristãos testemunhar o Senhor com a própria vida e, por outro, como Tiago ocupava uma posição de relevo na Igreja de Jerusalém, também devido ao papel desempenhado durante a existência terrena de Jesus. Uma tradição sucessiva, que remonta pelo menos a Isidoro de Sevilha, narra de uma sua permanência na Espanha para evangelizar aquela importante região do Império Romano.

Segundo outra tradição, ao contrário, o seu corpo teria sido transportado para a Espanha, para a cidade de Santiago de Compostela. Como todos sabemos, aquele lugar tornou-se objeto de grande veneração e ainda hoje é meta de numerosas peregrinações, não só da Europa mas de todo o mundo. É assim que se explica a representação iconográfica de São Tiago que tem na mão o cajado do peregrino e o rolo do Evangelho, típicos do apóstolo itinerante e dedicado ao anúncio da "boa nova", características da peregrinação da vida cristã.

Portanto, de São Tiago podemos aprender muitas coisas: a abertura para aceitar a chamada do Senhor também quando nos pede que deixemos a "barca" das nossas seguranças humanas, o entusiasmo em segui-lo pelos caminhos que Ele nos indica além de qualquer presunção ilusória, a disponibilidade a testemunhá-lo com coragem, se for necessário, até ao sacrifício supremo da vida. Assim, Tiago o Maior, apresenta-se diante de nós como exemplo eloquente de adesão generosa a Cristo. Ele, que inicialmente tinha pedido, através de sua mãe, para se sentar com o irmão ao lado do Mestre no seu Reino, foi precisamente o primeiro a beber o cálice da paixão, a partilhar com os Apóstolos o martírio.

E no final, resumindo tudo, podemos dizer que o caminho não só exterior mas sobretudo interior, do monte da Transfiguração ao monte da agonia, simboliza toda a peregrinação da vida cristã, entre as perseguições do mundo e os confortos de Deus, como diz o Concílio Vaticano II. Seguindo Jesus como São Tiago, sabemos, também nas dificuldades, que seguimos o caminho justo.

Fonte:  vatican.va -  Roma, 2006 (o grifo do texto é nosso).

2012-07-23

Festival Halleluya alcança público recorde de 1,17 milhão de pessoas


O maior festival de artes integradas do país e o evento mais solidário do estado apresenta seus números no balanço final do evento.

Música, artes, esportes radicais, cultura e muita fé. A edição histórica de 15 anos do Festival Halleluya 2012 também bateu recorde de público. Em cinco dias, o maior festival de artes integradas do País recebeu 1,17 milhão de pessoas. O evento coroou as atividades de comemoração dos 30 anos de existência da Comunidade Católica Shalom.

O Festival recebeu 22 grupos artísticos consagrados da música católica brasileira. Entre os destaques, passaram pelo palco principal do Halleluya os cantores Adriana, Alto Louvor, Batista Lima, Irmã Kelly Patrícia, Rosa de Saron, Suely Façanha e padre Fábio de Melo.

Além disso, 25 grupos artísticos competiram no Festival de Artes Integradas que aconteceu no Espaço Cultural do Halleluya. O palco contou com a presença de um público médio de cinco mil pessoas. Além das apresentações artísticas, as pessoas curtiram o talk show de perguntas e respostas #CurtaVerdade.com que recebeu personalidades da Igreja Católica como o arcebispo cardeal de São Paulo Dom Odilo Scherer, o arcebispo do Rio de Janeiro Dom Oranir Tempesta entre outros. A exposição Shalom 30 anos atraiu 15 mil pessoas durante as noites de evento. O Espaço reuniu ainda sete mil espectadores no Cine Halleluya.

A solidariedade foi um dos pontos altos do Festival. Foram doadas 636 bolsas de sangue e foram feitos 200 cadastros de medula óssea, de acordo com dados preliminares do Hemoce. “Para nós, é uma satisfação enorme ter esta parceria com a Comunidade Shalom no Halleluya e esperamos continuar com este parceria, por muitos anos” afirmou, satisfeita com os números, a coordenadora de Captação de doadores do Hemoce, Nágela Lima.

A doação de alimentos também foi uma ação solidária que deu resultados concretos. Números parciais da Defesa Civil apontam que foram arrecadados 5600 quilos de alimentos não perecíveis. Metade do arrecadado será destinado para as vítimas da seca e a outra metade será encaminhada aos projetos de Promoção Humana da Comunidade Católica Shalom, que atendem pessoas em situação de risco.

Quero Mais

A fé e a sede de Deus atraíram para o Espaço da Misericórdia boa parte do público que nesses dias veio ao Festival. Mais de 2387 confissões foram atendidas. Nas cinco noites, mais de 4392 pessoas foram aconselhadas. Para o atendimento deste público, 112 sacerdotes e 430 voluntários se dispuseram a servir. No próximo final de semana, o evento continua no Halleluya Quero Mais. O Seminário de Vida no Espírito Santo já recebeu 6093 inscrições durante o Festival. Mais pessoas poderão fazer sua experiência com Deus nos Centros de Evangelização da Comunidade Católica Shalom.

O Halleluya Adventure reuniu jovens que competiram em modalidades artísticas. Os pequenos também tiveram um espaço especial. O Halleluya Kids recebeu 1535 crianças entre 5 e 11 anos, num espaço que foi triplicado em relação a 2011.

Web e redes sociais

O Festival Halleluya também foi um evento interativo. Durante os cinco dias, foram registrados mais de 200 mil acessos ao site. Foram registrados picos de 2 mil acessos à webtv acompanhando online o Festival.

Nas redes sociais, o Festival foi destaque. Por diversas vezes o assunto mais comentado no Trendig Topics do Twitter e mais de 18 mil pessoas citaram o Festival Halleluya no Facebook.

Vanderlúcio Souza, Assessoria de Imprensa
Comunidade Católica Shalom

2012-07-21

“Chorei muitas vezes neste palco pelo que Deus fez na minha vida!”


Festival Halleluya, noite de 20 de julho de 2012: A experiência é mesmo contagiante, não simplesmente por uma questão numérica de pessoas no evento, crescente cada ano, mas pela ação de Deus que continua surpreendendo, sobretudo os mais desacreditados do Evangelho, da Igreja e de si mesmos. Lembro bem de quando o Halleluya foi se tornando suspeita, alvo da crítica ferrenha de líderes católicos desprovidos daquela visão de fé equilibrada e profética de que o Espírito Santo tem seus meios diversos, sua criatividade para alcançar, em cada tempo da história, vidas para Deus, atraindo-as à Salvação em Jesus Cristo, despertando corações adormecidos e distantes de Deus para que vivam um novo encontro. Sim, o Espírito Santo é o realizador desta obra nova, e qualquer um pode constatar que o Festival Halleluya é, em sua essência, uma ação de evangelização na vida da Igreja de Fortaleza, fruto de um tempo de primavera, não obstante os “invernos da fé” na vida de muitos e no próprio contexto social no qual nos encontramos. Tem-se sempre a convicção de que todo o esforço da realização do Festival Halleluya valeria a pena se uma única vida ressuscitasse do pecado para a amizade com Deus. O cantor e compositor, Walmir Alencar (Ministério Adoração e Vida), disse a todos na noite de ontem: “Chorei muitas vezes neste palco pelo que Deus fez na minha vida! Hoje eu continuo buscando a Jesus, único amigo que nos faz feliz!” E completou com muita unção, dirigindo-se àquela multidão juvenil: “Jovem, se queres ser feliz, teu maior motivo é Jesus!”

Antonio Marcos

2012-07-19

Festival Halleluya 2012 - Jesus: real motivo da alegria!


O Festival Halleluya 2012 teve início na noite de ontem, 18 de julho, mostrando-se cheio de surpresas em tudo aquilo que proporciona alegria, comunhão, festa, encontro de fé e experiência de Deus, como resposta ao apelo da Igreja para a evangelização com novos meios e métodos. O cantor e compositor Batista Lima ministrou em sua apresentação o real sentido dos dias do Halleluya: que “brilhe Jesus, não os artistas. Que o Halleluya seja ocasião de louvor e celebração da gratidão, pois decidimos, por graça de Deus, estar aqui”. Necessário é celebrar e renovar o que Deus fez nas nossas vidas através do Halleluya, porque tudo passa, “só Jesus permanece ao nosso lado, sobretudo nos dias mais difíceis”, completou Batista Lima. Cada ano uma experiência nova e um número crescente de pessoas, na sua maioria constituída de jovens, acorrem ao Festival Halleluya. “A festa que nunca acaba” é convite e proposta a todos para que se conheça o segredo deste acontecimento de fé, que é Jesus Cristo, nossa paz e felicidade. Tudo é belo e cada espaço retrata bem a ousadia profética da Comunidade Católica Shalom. Nós nos unimos aos irmãos e irmãs, amigos e amigas que não puderam estar presentes, na esperança de que as graças cheguem a todos. Guardo no meu coração o que me disse uma amiga nesta semana: “Que o Halleluya volte a ser para você o que um dia já foi: motivo de alegria!”. Sim, eu creio, eu desejo, eu abraço esta graça porque Jesus é o real motivo da alegria na minha vida hoje e sempre.

Antonio Marcos

2012-07-18

Quando o silêncio é comunicação

Reflexões de Frei Patricio Sciadini, ocd - Religioso, Carmelita Descalço e atualmente é o delegado geral no Egito.

Hoje assistimos a um silêncio que oprime e que deve ser rompido com a coragem profética para que a cadeia das injustiças institucionalizadas não continue a silenciar milhões de pessoas que gritam no deserto.

Este silêncio de morte que vemos por ai desde o silêncio do medo que a máfia de todas as matizes espalham ao seu redor e o “não sei não vi, não escutei”, ao silêncio dos trabalhadores que diante de salários injustos não podem reclamar pelo medo de ficar sem trabalho e ter uma vida  pior. Do silêncio das crianças abortadas que não podem nem gritar e nem defender-se ao silêncio dos presos e torturados que devem calar para que outros não sofram injustamente. Estes silêncios invadem os meios de comunicação que, a serviço de poderosos, falsificam a verdade  e se colocam do lado do poder para ter cada vez mais  um posto mais alto.

Há o silêncio do diabo que está ao lado dos justos e dos santos e com sua presença silenciosa invade o temor e insegurança, gerando o medo coletivo. Não é este o silêncio que deve ser mantido. Este silêncio deve ser rompido para que a voz da verdade possa ser ouvida em todos os lados e que nasça no coração das pessoas o silêncio da esperança que está para nascer. O silêncio é útero da sabedoria a verdade. É no mais profundo de si mesmo que o ser humano necessita descer não para escutar a si mesmo, as suas lamúrias e fracassos ou sonhos idealizados, mas sim para escutar a voz de Deus que o chama a assumir corajosamente a sua identidade de pessoa de cristão sem ter medo de nada e de ninguém.

O Papa, na sua catequese sobre o silêncio, nos recorda citando Santo Agostinho, “que na medida que o Verbo crescer,  a palavra do homem diminui”. Aliás diante de Cristo  verdade caminho e vida  somente  tem espaço para o silêncio. O caminho que deve ser percorrido é fugir do “barulho”, seja qual for, quer seja visivo com as imagens que as TV, internet e outros meios jogam com  abundância  dentro de nós e que nos impedem de refletir, de avaliar, não nos dão o tempo de  avaliar os fatos porque quando você começa a pensar é outra imagem que vem e leva longe a primeira. O barulho auditivo que nos persegue  todos os dias  e sentimos que sempre mais é necessário  gritar mais forte  para que  possa ouvir o barulho distante do outro, mas não escutá-lo.

É um burburinho que chega até nós, sons convulsivos, mas não inteligíveis. São músicas, são palavras que impedem o ser humano de saber  “escutar-se e escutar aos demais”; recuperar o silêncio exterior é fundamental. Criar pelo menos uma vez por semana um “oásis de silêncio exterior”, onde possamos permanecer “a sós” duas ou três horas para ouvir a doce brisa que chega até nós e na qual o Deus da vida está escondido( 1 Rs 19, 12) Quando o silêncio é fuga  se torna não comunicação,  nervosismo, mal estar  e espalha ao seu redor  um clima de desconfiança e de tristeza.

Quando o silêncio é comunicação é como o perfume que faz sentir sua presença embora não seja palpável. É neste silêncio que devemos entrar novamente para compreender o que diz o místico João da Cruz “Uma palavra falou o Pai, que foi seu Filho, e a fala sempre em eterno silêncio e, em silêncio, há de ser ouvida pela alma.” Os místicos não são pessoas anti-sociais, mas exemplos de comunicação. Cada palavra que eles pronunciam é palavra de vida, de esperança, de alegria e de amor. E quando a palavra “é como espada a dois gumes que penetra até o miolo dos ossos” é para que seja operadora de conversão e de salvação. Somente quando o ser humano redescobrir a necessidade do silêncio para se medir consigo, com os outros e com Deus, saberá que a força do testemunho não é palavra, mas o silêncio, o doce silêncio. Dando a palavra ainda a João da Cruz:

A noite sossegada,
Quase aos levantes do raiar da aurora;
A música calada,
A solidão sonora,
A ceia que recreia e que enamora.(C 15)

É o momento de praticar o que Jesus nos ensina se queremos rezar, falar com Deus e escutar seu Filho bem amado: “desce em você, fecha a porta e fala ao Pai.” (Mt 6)

Fonte: ZENIT.org - ROMA, 7 de julho de 2012

2012-07-16

Que o bem e a verdade prevaleçam, sempre!


Comentário sobre a postagem: "O morador de rua e o senador"

Penso que ninguém está imune ao escândalo moral e ético, não apenas pela condição humana, mas, sobretudo quando temos de enfrentar um forte apelo do mundo hedonista e materialista para que aceitemos suas falsas propostas de felicidade, para que tenhamos sempre vantagem sobre os outros. E, é claro, quando o nosso coração é desprovido daquela vital relação com Deus, tudo se torna mais complicado, ficamos mais vulneráveis. Porém, aos que não creem ou mesmo que não se sintam assim tão amigos de Deus, não há nenhuma justificação para as atitudes que ferem a ética e a moral, os valores que enobrecem a si e aos outros. “Devolvi os 20 mil reais porque aprendi com meus pais que não se deve pegar o que é dos outros!”, disse o “mendigo” ao repórter, ao lado de sua parceira. Sim, este fato neste mundo parece uma loucura! É desconcertante! No entanto, fico feliz por este choque na vida e consciência de muitos, inclusive na minha. O escândalo e a incoerência batem sempre à nossa porta – e quem nunca foi, alguma vez, seduzido por eles? -, mas haverá sempre a oportunidade da escolha, por mais difícil que seja. E a gente espera que haja, inclusive, uma sempre oportunidade para não repetirmos as nossas loucuras de ontem. O fato é que, na vida, somos muitas vezes “senadores” e “moradores de rua”. Que o bem e a verdade prevaleçam, não importa a nossa condição ou situação, ou mesmo que gere dor e perdas.

Antonio Marcos

“Não sei conceber o homem sem Deus”


Roberto Victor Pereira Ribeiro, advogado e consultor jurídico

Poucos têm ciência, mas o grande jurisconsulto brasileiro Ruy Barbosa era tido como muito religioso e tal característica pode ser contemplada em algumas de suas obras.

Muitos achavam até que o grande “Águia de Haia” era ateu. Entretanto alguns testemunhos seus retiram qualquer mácula duvidosa em relação a sua crença na divindade. Depreendemos também de seus textos que a religião a qual professava era o Catolicismo.

Passando por alguns problemas em sua vida íntima, Ruy Barbosa atesta que “Deus, porém, estendeu o seu braço para mim e crestou a flor do meu orgulho. Então (…) achei os livros mudos, a razão muda, e a Filosofia estéril. Chorei e abracei-me à cruz. Foi a fé que me salvou”.

Um biógrafo de Ruy asseverou que “o problema religioso está sempre presente em suas preocupações e em seus trabalhos intelectuais. Não há uma só declaração de ateísmo em todos os escritos de Ruy Barbosa”.

Em certa ocasião, deparando-se com graves movimentos políticos nacionais, Ruy escreve: “Não sei se incorro em ridículo, trazendo por estas alturas o nome de Deus. Se incorrer, paciência. Nasci na crença de que o mundo não é só matéria e movimento”.

E ressoa: “As formas políticas são vãs, sem o homem que as anima. Ora, eu não conheço nada capaz de produzir na criatura humana em geral esse estado interior, senão o influxo religioso”.

Ruy combatia a incredulidade a ponto de dizer na tribuna do Senado Federal que “os descrentes em geral, são fracos e pessimistas, resignados ou rebeldes, agitados ou agitadores. Mas ainda não basta crer: é preciso crer definida e ativamente em Deus, isto é, confessá-lo com firmeza, e praticá-lo com perseverança”.

Em discursos para os recém-formandos em Direito, Ruy proclamou: “não sei conceber o homem sem Deus, e ainda menos acreditar na possibilidade, atual ou vindoura, de uma nação ateia (…) Deus é a necessidade das necessidades, Deus é a chave inevitável do Universo. Deus é a incógnita dos grandes problemas insolúveis, Deus é a harmonia entre as desarmonias da criação”.

E roga para os seus concidadãos: “Restituí, Senhor (às plagas brasileiras), o senso das necessidades nacionais; dai ao Governo brasileiro a coragem heroica da lei, incuti ao povo brasileiro o sentimento indômito do Direito”.

Sobre Direito e Religião, Ruy é claro: “sem a disciplina do céu a disciplina da terra não se manterá (…) Ora, liberdade e Religião são sócias, não inimigas. Não há Religião sem liberdade. A inteligência, o Direito, a Religião, são os três poderes legítimos do mundo”.

Ruy, além de espiritualista evoluído, foi também um verdadeiro praticante do ofício religioso, isto é, exerceu em vida a sua religiosidade. Consta também em sua biografia que o mesmo “fazia orações genuflexamente voltado para o oratório todas as manhãs e as noites”.

Em carta ao seu compadre José Eustáquio Ferreira Jacobina, Ruy comenta: “No meio de tantos desconfortos e iniquidade tenho-me entregado estes dias exclusivamente à leitura do Evangelho, a eterna consolação dos malferidos nos grandes naufrágios”.

Ruy tinha verdadeiro apreço por um livro especialmente ofertado por seu filho, a obra em comento é a famigerada escritura A Imitação de Cristo, leitura obrigatória em todos os seminários e colégios católicos. Faz-se mister comentar que este exemplar, após a morte de Ruy, foi doado pela Fundação Casa de Ruy Barbosa ao papa Paulo VI.

 Este era Ruy Barbosa, além de grande político, jurista, escritor, foi também um fiel praticante e espiritualista convicto.

Fonte: Jornal O Povo (Espiritualidade), “Rui Barbosa e a espiritualidade”, Fortaleza, 15 de julho de 2012 (O grigo do texto é nosso).

2012-07-14

"Em vossos rostos eu vejo um Deus eternamente jovem"


A Comunidade Católica Shalom, na continuidade da celebração dos seus 30 anos de existência, celebrou na noite de ontem, 13 de julho, na Diaconia Geral (Aquiraz, Ceará), a Vigília de oração com os Jovens numa homenagem àquele que faz parte da história do carisma Shalom, o Beato João Paulo II. A solene celebração eucarística e a adoração ao Santíssimo Sacramento marcaram os momentos mais importantes da noite, mas também a rica mensagem que foi transmitida pela explanação da vida de “João Paulo II em atos”. Um momento  muito especial de graças que proporcionou a todos um profundo desejo de se consumir até o fim pela evangelização, sobretudo dos jovens, como de todos aqueles que mais distantes se encontram do amor de Deus. Confira algumas imagens da Vigília: 






 Fonte: Imagens do Perfil pessoal do Facebook de Licurgo Junior.

A morte para os amigos de Deus não é tragédia, mas o começo de uma vida nova


Foi celebrada na noite de ontem, 13 de julho, na Igreja Nossa Senhora Aparecida (Montese, Fortaleza), a Santa Missa de 7º dia em sufrágio da alma de D. Maria Sedezira Honório, mãe de Sydia Honório, Consagrada na Comunidade de Aliança Shalom (hoje em missão em Cruzeiro do Sul). Foi um momento de fé vivido pelos familiares, amigos e os irmãos da Vocação Shalom que lá compareceram em condolências à Família e ajudaram na melhor realização da Santa Eucaristia.

Pe. Aristóteles, CCSh, presidente da celebração, fez diante de todos os presentes uma bonita e profunda homilia que proporcionou renovação da esperança e consolo, na certeza de que Deus chamou Dona Sedezira para junto Dele e este chamado não foi uma tragédia, mas o começo de uma vida nova.

Partilhamos aqui brevemente trechos da homilia do Pe. Aristóteles:

Irmãos e irmãs, vimos a pouco na Palavra que Deus, através do profeta Oséias, convida o seu povo a voltar: “Volta, Israel, para o Senhor, teu Deus, porque estavas caído em teu pecado” (cf. Os 14,2-10). Ora, se o povo precisava voltar era porque já não estava caminhando na vontade do Senhor. E o que nos tira de sua vontade é o pecado. O pecado nos separa da amizade daquele que nos ama com amor infinito. Estar longe de Deus é viver de forma infeliz. Por isso Deus nos chama continuamente, dia após dia. O estranho é que muitas vezes achamos que este convite é para os outros, para os “pecadores mais distantes de Deus”, e não para nós, porém, não esqueçamos que este convite é para mim e para cada um de nós aqui presente.

Irmãos e irmãs, a morte também é um chamado, um retorno para Deus, para a vida definitiva porque pertencemos a Deus e não a este mundo. No entanto, se morremos longe da amizade com Deus não teremos respondido como deveríamos ao chamado de Deus. Para que vivamos bem os nossos chamados de cada dia e o chamado da morte necessário é nos deixarmos atrair por Jesus. É Jesus quem nos cura de nossa perversidade e nos aproxima de Deus. Contemplamos a vida de Dona Sedezira e testemunhamos que sua resposta a Deus foi completa, porque soube escolher a Deus cada dia de sua vida. Hoje nós choramos sua partida, e essas lágrimas fazem parte porque nós a amávamos, mas a morte para aqueles que estão na fé e na amizade com Deus não é tragédia, mas começo de uma vida nova.

Olhando para Nossa Senhora somos renovados na esperança e consolados porque contamos com sua companhia nas alegrias e nas dores rumo à casa do Pai. Nós rezamos cada dia: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.” Que pela Sua intercessão, Jesus nos dê a graça do retorno para Deus cada dia e nos ajude a sermos homens e mulheres de fé, porque a fé nos faz ir além de qualquer situação de perda. A fé em Jesus Ressuscitado seja luz no nosso caminho hoje e sempre. Assim seja!

Por: Antonio Marcos

2012-07-13

O morador de rua e o senador


Regina Ribeiro, Editora das Edições Demócrito Rocha

Caso você ainda não tenha assistido ao filme Sombras da Noite, de Tim Burton, seria algo interessante de fazer neste fim de semana. A história é simples e põe na tela um vampiro, personagem tão apreciado nos últimos anos e que se tornou best-seller com a saga Crepúsculo que dispensa comentário. O vampiro Barnabas Collins (Johnny Depp) é disparado muito, mas muito mais interessante. A trama começa 196 anos antes, quando um rapaz filho de família tradicional e rica se transforma na paixão exagerada de Angelique, uma bruxa. Barnabas encontra seu verdadeiro amor em Josette.

Angelique decide se vingar de Barnabas matando Josette e transformando-o num vampiro acorrentado num túmulo. Em dois séculos, a família Collins perde riqueza, prestígio, sobrando apenas a velha mansão que mais parece uma catedral gótica mal-assombrada.

A história começa pra valer assim que Barnabas é reencontrado por trabalhadores durante umas escavações. O vampiro sedento retoma à vida no ano de 1972 e vai em busca do que restou da família. A partir daí, a crítica mal humorada que me perdoe, o filme se transforma em pura diversão. A ambientação da década de 1970, com seus personagens e valores, é o estranho mundo onde Barnabas tentará se equilibrar. A família – ou que sobrou dela - é um perfeito desastre e exibe aqueles ingredientes da nobreza falida: todos têm apego ao dinheiro e ao que restou da fase áurea, mas há em perspectiva o desonesto por opção, os sobrinhos no limite da falta de juízo, a psiquiatra louca e uma espécie de matriarca que tenta juntar as pontas do tempo.

Burton parece gostar das sombras. Elas sempre refletem o real, mas deformando, criando ilusões e brechas para a mais completa irrealidade. Afinal de contas, o mundo da década de 1970 era estranho até mesmo para quem nele vivia. E Barnabas é semelhante a qualquer um que não entende, em qualquer época da vida, o que está acontecendo em sua volta. Que tem em comum aquela sensação de estranheza, de sobressalto quando se depara com situações improváveis. Por exemplo: que mundo tão doido é este onde um morador de rua encontra dinheiro e devolve e, no dia seguinte, um senador da República, que se deixa chafurdar no submundo do dinheiro ganho a qualquer custo, é cassado? Burton fez, sem dúvida, um filme ótimo. E hoje é sexta.

Fonte: Jornal O Povo (Opinião), Fortaleza, 13 de julho de 2012 (O Grifo é nosso).

2012-07-06

O menino que deseja – muito – ver a lua


Regina Ribeiro, editora das Edições Demócrito Rocha

A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), no Rio de Janeiro, faz 10 anos em 2012. Mesmo sendo a sexta vez que venho aqui as coisas têm o prazer de me surpreender, como se fosse tudo desconhecido. Tudo bem que desorientada especialmente como sou, o mapa da cidade é sempre uma incógnita. Também sempre conheço autores de quem nunca tinha ouvido falar, nem havia lido nada deles. De repente, tudo se faz novo.

Ontem, um menino me fez chorar. Numa atitude simples, coisa mesmo de menino. Durante a fala do escritor Louis Baum para lançar o livro Eu quero ver a Lua, o ilustrador Alarcao decidiu contar um segredo do livro: “se você colocar o livro no sol e levar ele a um quarto escuro, a capa ficará iluminada”. Silêncio. As crianças ficaram de boca aberta, literalmente. Foi aí que um menino saiu da plateia e, paft, tomou o livro da mão do ilustrador. A produção, tão rápida quanto, recuperou o exemplar. O que me deixou emocionada foi o fato de o menino ficar tão arrebatado pelo livro que na sua infância de uns três ou quatro anos, ser absolutamente urgente e necessário ver e ter na mão o livro com uma lua que brilha.

Uma bobagem, você vai dizer. Pode até ser. Mas às vezes é chato demais ser adulto e toda hora ter de se comportar com uma pessoa de quem se espera o máximo de controle, pouca viagem mental, uma apreciação rigorosa dos custos de cada tomada de decisão etc, etc e etc. No entanto, tudo o que se quer é ser aquele menininho que foi lá e pegou o livro da mão do ilustrador.

Uma das vantagens da ficção pode ser justamente esta, a de nos arrebatar, de nos envolver numa história que só vale a pena pela linguagem com a qual chega e nos dá impulsos. Sem ela - no caso, a literatura - somos apenas gente adulta cheia de regras e burocracias.

Fonte: Jornal O Povo (Opinião/Artigos), Fortaleza, 06 de julho de 2012.

Eu vejo e sinto o reclamar do coração


Cada dia eu vejo e sinto a futilidade de tantas coisas, a insignificância de tantas ações, a frieza do amor em muitos corações, a indiferença no olhar e no ver o outro, a estupidez de vivermos tão presos a nós mesmos, tão cegos e egoístas, dados a projetos que visam apenas nossos interesses mesquinhos. Cada dia eu vejo e sinto o reclamar do coração pela felicidade, pelo amor, pela companhia como protesto à solidão, a esse individualismo que asfixia nossas forças e propósitos para o bem de si e dos outros. Cada dia eu vejo e sinto o grito da esperança por dias melhores, pelo manifestar dos filhos de Deus. É bem  verdade que cada dia eu vejo e sinto que em mim e em muitos a fé e a certeza absoluta de que Deus não nos abandonou é como chama que nenhuma torrente pode apagar. Não há felicidade sem Deus. Ele é santo, Ele existe e é "denunciado", manifesto pelo amor no coração de cada pessoa que escolhe a vida, o bem, o perdão, a alegria, o entusiasmo, as oportunidades para construir o Reino da Verdade no coração de cada homem. Sim, eu vejo e sinto, ...eu creio e desejo!

Antonio Marcos