2012-06-17

A Palavra nos recorda os passos da salvação


Pe. Clairton Alexandrino, Pároco da Catedral Metropolitana de Fortaleza (Trecho da homilia)

A compreensão da Palavra de Deus neste dia, 17 de junho, 11º Domingo do Tempo Comum, nos permite chegar ao seu núcleo principal: o crédito e a adesão incondicional que devemos dar à Palavra de Deus, aos seus direcionamentos para a nossa vida. Ignorar isto é trilhar o caminho da desilusão e da infelicidade, feito o povo da Antiga Aliança que provou a amargura da escravidão no Egito porque quis caminhar com suas próprias forças. No entanto, hoje entendemos que Deus nos fala também através dos acontecimentos, e assim o faz para mostrar nossa fragilidade e nossa temporalidade. Deus, em sua misericórdia e sabedoria, cuida sempre de encontrar uma forma de nos fazer voltar para a sua vontade, para a luz. Sua Palavra acolhida e meditada, vivida e testemunhada, é certeza de retorno para nós e para aqueles que conosco convivem.

Necessário é que o nosso coração tenha sempre a consciência de que somos cidadãos do céu. Esta vida, portanto, é passageira. Muitos falam que se trata de “passar uma chuva” e, de certo modo, é verdade. Vemos hoje tanta gente que empenha todos os seus anos de vida, suas forças e talentos unicamente para ganhar dinheiro e acumular. Isto é uma desgraça, meus irmãos! O que faremos desta riqueza e o que faremos de nossa vida? Como estamos cuidando de nossa salvação, do sentido verdadeiro da existência? Deveríamos sempre pensar nisso! Somos peregrinos nesta vida, cidadãos do céu.

Uma realidade que desejo deixar claro é que nós precisamos fazer a parte que nos cabe para participarmos do Reino de Deus. É exatamente aqui que entra o auxílio indispensável da Palavra de Deus, que nos recorda sempre os passos da salvação, mas pede colaboração e adesão, pede que a terra do coração seja fértil. Infelizmente vivemos hoje uma concepção de autonomia profundamente errônea, inclusive na relação com Deus. Achamos que não devemos dar satisfação a ninguém e isso é causa de egoísmos e infelicidades de toda forma. Este individualismo gera ingratidão. Daí a alegria do Salmista que reza: “Como é bom agradecermos ao Senhor!” (Sl 91). A gratidão só brota no coração de quem caminha com os outros e com o “Outro”, que é Deus. Também a Palavra opera isso em nós.

Por fim, irmãos, sejamos semeadores da Palavra, sem nos preocuparmos com aquilo que não compete a nós, mas à providência divina. Saibamos, pois, que o Reino tem um dinamismo próprio, cresce por ação divina e no seu tempo favorável. Não percamos jamais a capacidade de nos maravilharmos com o que Deus realiza em nós, e assim muitos outros serão atraídos a Deus pela Palavra testemunhada na nossa existência. Nossas ações de salvação são, tantas vezes, como grão de mostarda, mas se estiverem na luz da Palavra são capazes de operar também maravilhas neste mundo. O Senhor nos conceda a graça da docilidade à sua Palavra. Assim seja.

Por: Antonio Marcos
Santa Missa Catedral de Fortaleza, 17 de junho de 2012. 

 

0 comentários:

Postar um comentário