O homem simples é verdadeiro

Escrito Por Antonio Marcos na domingo, maio 27, 2012 Sem Comentários

Edilson Santana, Promotor de Justiça.

Os maiores mestres da humanidade têm conclamado os homens a viver com simplicidade, a não exigir muitas coisas, a viver com integridade, sem nada fazer para se mostrar, para se apresentar como especial, extraordinário, com soberba, arrogância, prepotência e ostentação.

A ânsia pela vida simples é antiga. A filosofia estóica grega achava que nas pessoas verdadeiramente boas tudo deveria ser “simples”. Para Marco Aurélio, um dos seus expoentes, a simplicidade é um dos maiores bens, pela qual ele se orientava na vida. Simples é aquele que está em harmonia com a natureza e é livre de paixões, aquele que vive em consonância com a essência do seu ser e com Deus.

Logo, a simplicidade é sincera, verdadeira, íntegra, objetiva, amorosa e humilde. É a característica essencial dos homens de bem, dos homens livres, justos, sinceros e irrepreensíveis e neles se pode confiar, diferentemente de pessoas “gentis”, mas cuja expressão é hostil, reservada e traiçoeira.

Falar com simplicidade não é sinal de superficialidade, mas de profundidade. Pensar com simplicidade é uma dádiva de Deus. Pensar e falar com simplicidade é uma dupla dádiva de Deus.

Quando Cristo recomenda ao ser humano ser como uma criança, está dizendo que ele deve ter a simplicidade e a clareza dela, sem segundas intenções. Nessa linha de interpretação, Clemente de Alexandria afirma que Jesus, em sua exortação, enfatiza que se deve ser como as crianças, sobretudo em razão da simplicidade das mesmas.

No Cristianismo originário, o símbolo da simplicidade era a pomba. Os patriarcas referiam-se à palavra de Jesus: “Sejam sem malícia (simples) com as pombas” (Mt 10,16). Com efeito, quem possui um coração simples está livre de intrigas, inveja, insatisfação e egoísmo.

No entanto, pelo que têm demonstrado as gerações e suas ideologias, “não é tão simples viver simplesmente”, pois os homens, em sua maioria, são propensos ao mal, vivendo de aparências, de pompas e ostentação, como resultado de sua imaturidade.

“Uma porta pesada necessita apenas de uma chave pequena”, lecionou Charles Dickens. Não obstante, muitas pessoas são tão complicadas, que não conseguem abrir a porta da vida usando palavras simples. Permanecem reclusas, apegadas à própria mediocridade. São o oposto de Mahatma Gandhi, que se destacou pelo despojamento e pela simplicidade. E fez isso em favor da solidariedade; “Vivia simplesmente para que todos pudessem viver com simplicidade”.

O homem simples é verdadeiro, pois “A simplicidade é um pressuposto imprescindível e símbolo da verdade”, disse Leon Tolstoi. Por conseguinte, simplicidade não é sinal de pobreza. A vida simples tem qualidades valiosas e eleva a alma à satisfação, à beleza, à caridade e ao amor incondicional. Ter simplicidade é ver, julgar e agir a partir do ponto em que se tem tranquilidade dentro de si mesmo.

Tão desprezada pelos homens, essa virtude suprema é indispensável à plenitude da vida. Quem a menospreza é incapaz de alcançar a felicidade, posto que não tem motivos para sentir-se feliz quem é orgulhoso, soberbo, insolente, mesquinho e prepotente.

Fonte: Jornal O Povo (Espiritualidade), Fortaleza, 27 de maio de 2012.