2012-05-13

Mãe se guarda dentro do coração

Frei Patrício Sciadini, Ordem dos Carmelitas Descalços

O dia das mães nos leva a cantar com toda a arte e poesia e com toda a teologia mística a grandeza de uma mulher que, no seu amor à vida, embora com dificuldades e lutas, nos aguardou e conservou por nove meses dentro dela e nos deu a vida, sangue, nos gerou no carinho e cuidou de nós até que nós crescêssemos e pudéssemos, caminhando com os próprios pés, tomar a nossa estrada. A psicologia insiste para que cada um, chegando a uma certa idade, corte o “cordão umbilical” e vá sozinho pelas estradas do mundo e, se puder esquecer toda dependência para ser ele mesmo, é melhor. A vida, cada um a fabrica e a faz como achar melhor.

Eu, graças a Deus, pertenço àquele grupo de pessoas humanas que são “ninguém” e não carregam debaixo do braço muitos diplomas para emoldurá-los e enfeitar a casa, por isso me é permitido dizer o que me passa na cabeça e nem preciso citar os autores tal e tal porque não os conheço. Mas posso citar mais ou menos a Palavra de Deus e o exemplo de Jesus de Nazaré que, embora não o conheça, o amo muito. Jesus não rompeu com sua mãe, mas a amou muito, e ela esteve sempre ao seu lado, sendo presença discreta e silenciosa, mas influenciando e muito no estilo de anunciar do mesmo Jesus. A evangelização de Jesus tem um toque feminino de delicadeza que ele só pode ter aprendido com sua mãe nos longos anos de vida familiar de Nazaré.

Mãe é alguém de quem nunca poderemos nos separar, mesmo querendo. A memória dela vem à nossa mente e ao nosso coração nos momentos que menos pensamos e imaginamos. Há momentos de dor que somos obrigados a clamar e a chamar a mãe ao nosso lado para que ela, carinhosamente, enxugue as nossas lágrimas e afague os nossos cabelos assanhados ou a nossa careca que perdeu os últimos fios de cabelo. Mãe se guarda dentro do coração e aí no silêncio pedimos que a mãe repita ao nosso coração cansado palavras de ânimo e de vida. Não é possível apagar na vida de ninguém a genética materna e paterna, faz parte da nossa história e do código do nosso ser. Devemos lutar especialmente nós homens, visto que o poder está ainda nas mãos dos homens, lutar e sermos mais femininos e reconhecidos para com as nossas mães, dando a elas o espaço que lhes é devido.

Fonte: Uma Palavra Basta. Frei Patrício Sciadini, OCD. Edições Shalom, 2004.

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