"As devidas razoes de um coração que crê e espera na fé" (1 Pedro 3,15)

2012-05-29

MEU AMIGO É MASSA: "Hoje tenho alegria, tenho sua companhia!"



A maravilhosa notícia nesses dias para quem mora em Fortaleza é a chegada de mais uma edição do “MEU AMIGO É MASSA”, promovido pela Missão Shalom da Parquelândia. Fico sempre impressionado com as inspirações do Espírito Santo diante de cada contexto e realidade, quando quer seduzir e transformar vidas, sobretudo vidas jovens, uma necessidade em nossos dias mais do que nunca. Um acontecimento de fé, muito mais que um evento, uma noite de festa, de comunhão, de celebrações artísticas, de oração, de promoção de valores que carece tanto a juventude, isto é o MEU AMIGO É MASSA. A inspiração sobre a celebração da amizade é mesmo algo que nos deixa feliz. A amizade é uma dádiva de Deus, um tesouro para quem a encontra. Deus quer nos dar amizades santas, como ainda deseja que as celebremos juntos, partilhando a alegria de se estar a caminho da santidade com aqueles e aquelas que são como que “tendas” nas quais nos abrigamos, principalmente em dias mais desafiantes. MEU AMIGO É MASSA é, na verdade, uma grande novidade de Deus. Estive lá no ano passado e fui muito contagiado com a acolhida, a alegria, as apresentações artísticas de cunho evangelizador, as músicas, a celebração da unidade e da amizade. Em 2012, próximo sábado, 02 de junho, MEU AMIGO É MASSA, desta vez num espaço bem maior e melhor, COLÉGIO SANTA ISABEL, pretende se superar, exatamente pela propagação do quanto foi bom o anterior. Eu também estarei lá, se Deus quiser e faço um convite a você! “Hoje tenho alegria, tenho sua companhia!”. Quem está na fé encontra sempre o consolo dos irmãos e dos amigos. “Meu amigo é massa” porque é de Deus, porque é luz, é indicação, apoio, estímulo para a escolha do que realmente vale a pena.

(Acesse:https://www.facebook.com/shalomparquelandia)
Antonio Marcos

2012-05-28

Tempo Comum: alimentando a vida cristã dia após dia


O Ano Litúrgico não apenas recorda as ações de Jesus Cristo, nem somente renova a lembranças de ações passadas, mas sua celebração tem força sacramental e especial eficácia para alimentar a vida cristã. Por isso, o Ano Litúrgico torna-se um caminho pedagógico-espiritual nos ritmos do tempo. 

Continuação do Tempo Comum com reinício na segunda-feira após a Festa de Pentecostes

 A tônica dos trinta e três ou trinta e quatro domingos é dada pela leitura contínua do Evangelho. Cada texto do Evangelho proclamado nos coloca no seguimento de Jesus Cristo, desde o chamamento dos discípulos até os ensinamentos a respeito dos fins dos tempos. Neste tempo, temos também as festas do Senhor e a comemoração das testemunhas do mistério pascal (Maria, Apóstolos e Evangelistas, demais Santos e Santas).

Fonte: Sou Católico, vivo minha fé, CNBB.

Pensando no dom do sacerdócio

Houve um tempo onde as coisas eram um pouco diferentes. Eu sei que as mutações fazem parte, os tempos são outros, mas sei também que o essencial deve ser aprimorado, purificado, não banalizado. Hoje andei pensando em alguns santos da Igreja, sobretudo em Teresa de Ávila quando disse tantas vezes às suas filhas carmelitas que um padre santo e sábio é o melhor que uma alma pode ter quando precisa de apoio, orientação, condução e salvação. Lembrei as tantas vezes na minha vida que fui resgatado do “inferno” quando sentei diante de um padre e, após confessar o meu pecado, a minha morte, fui acolhido, amado, corrigido, perdoado e estimulado ao que vale a pena.  Quantas vezes os passos desorientados, as decisões confusas, o coração perturbado, tudo foi de encontro a uma homilia ou a uma eucaristia celebrada com piedade e zelo. Quantas vezes, no silêncio do coração, senti profunda gratidão e até deixei cair lágrimas a observar a visível identificação e comunhão de amor com que muitos padres se unem com o mistério desta vocação ao sacerdócio, padres felizes, alegres, corajosos, profetas, comprometidos com o povo. Quantas vezes sofri e sofro com suas debilidades, seus pecados, suas ações tão técnicas, tão perdidas, tão superficiais..., mas, graças ao mistério de Cristo, o essencial permanece. Hoje pensei muito nos padres, nos meus amigos padres, nos padres que me “salvaram” tantas vezes. E rezei por eles, porque, sinceramente, a gente sofre quando vemos o mundo tão alheio ao essencial. Que os nossos ministros saibam sempre fazer valer a pena a altíssima e tão misteriosa escolha de Deus, e que nós nunca decidamos tirar a nossa vida das mãos misericordiosas de um padre. Rezemos pelos sacerdotes para que sejam santos e sábios.

Antonio Marcos

2012-05-27

Vem, Espírito Santo, e faz arder em chamas meu coração


Reunidos como família, como Igreja, suplicamos liturgicamente o dom do Espírito Santo, suas maravilhas, sua força, sua alegria. De fato, nada somos sem a Pessoa do Espírito Santo que opera em nós além da obra de santificação e recriação, a memória da nossa Salvação, recordando-nos todas as coisas. Que este dia seja de intensa alegria para nós, filhos de Deus, e que a Santa Missa tenha lugar privilegiado em nossas vidas. A presença do Espírito Santo na vida da Igreja e nossa vida pessoal é certeza de que ela não caminha às apalpadelas, mas na luz desta chama que a faz atravessar todas as sombras deste mundo. Hoje, de forma especial, também renovamos o nosso Batismo quando fomos recriados com a presença do Espírito Santo em nós. Ele nos enxertou em Jesus Cristo, nos inseriu na vida da Igreja, tornou-nos seu Templo e morada da Trindade Santa. O Espírito Santo nos cumulou dos seus dons e carismas e nos conduziu até aqui, sustentando-nos a fé e nos ajudando a perseverar nos valores perenes. Bendito dia em que o Espírito Santo passou a habitar em nossas vidas. Bendito seja este dia por desejarmos a renovação e nos dispormos a ela. Por isso, rezemos: “Vem, Espírito, inflamador das almas, faz arder em chamas meu coração!” Sim, amigo, vem nos renova, transforma-nos inteiramente. Traz vida nova à tua Igreja e graça de conversão ao mundo que necessita tanto do amor de Deus. Vem, Espírito Santo, pois tendo a Ti temos a vida plena, a felicidade. Assim seja!

Antonio Marcos

O homem simples é verdadeiro


Edilson Santana, Promotor de Justiça.

Os maiores mestres da humanidade têm conclamado os homens a viver com simplicidade, a não exigir muitas coisas, a viver com integridade, sem nada fazer para se mostrar, para se apresentar como especial, extraordinário, com soberba, arrogância, prepotência e ostentação.

A ânsia pela vida simples é antiga. A filosofia estóica grega achava que nas pessoas verdadeiramente boas tudo deveria ser “simples”. Para Marco Aurélio, um dos seus expoentes, a simplicidade é um dos maiores bens, pela qual ele se orientava na vida. Simples é aquele que está em harmonia com a natureza e é livre de paixões, aquele que vive em consonância com a essência do seu ser e com Deus.

Logo, a simplicidade é sincera, verdadeira, íntegra, objetiva, amorosa e humilde. É a característica essencial dos homens de bem, dos homens livres, justos, sinceros e irrepreensíveis e neles se pode confiar, diferentemente de pessoas “gentis”, mas cuja expressão é hostil, reservada e traiçoeira.

Falar com simplicidade não é sinal de superficialidade, mas de profundidade. Pensar com simplicidade é uma dádiva de Deus. Pensar e falar com simplicidade é uma dupla dádiva de Deus.

Quando Cristo recomenda ao ser humano ser como uma criança, está dizendo que ele deve ter a simplicidade e a clareza dela, sem segundas intenções. Nessa linha de interpretação, Clemente de Alexandria afirma que Jesus, em sua exortação, enfatiza que se deve ser como as crianças, sobretudo em razão da simplicidade das mesmas.

No Cristianismo originário, o símbolo da simplicidade era a pomba. Os patriarcas referiam-se à palavra de Jesus: “Sejam sem malícia (simples) com as pombas” (Mt 10,16). Com efeito, quem possui um coração simples está livre de intrigas, inveja, insatisfação e egoísmo.

No entanto, pelo que têm demonstrado as gerações e suas ideologias, “não é tão simples viver simplesmente”, pois os homens, em sua maioria, são propensos ao mal, vivendo de aparências, de pompas e ostentação, como resultado de sua imaturidade.

“Uma porta pesada necessita apenas de uma chave pequena”, lecionou Charles Dickens. Não obstante, muitas pessoas são tão complicadas, que não conseguem abrir a porta da vida usando palavras simples. Permanecem reclusas, apegadas à própria mediocridade. São o oposto de Mahatma Gandhi, que se destacou pelo despojamento e pela simplicidade. E fez isso em favor da solidariedade; “Vivia simplesmente para que todos pudessem viver com simplicidade”.

O homem simples é verdadeiro, pois “A simplicidade é um pressuposto imprescindível e símbolo da verdade”, disse Leon Tolstoi. Por conseguinte, simplicidade não é sinal de pobreza. A vida simples tem qualidades valiosas e eleva a alma à satisfação, à beleza, à caridade e ao amor incondicional. Ter simplicidade é ver, julgar e agir a partir do ponto em que se tem tranquilidade dentro de si mesmo.

Tão desprezada pelos homens, essa virtude suprema é indispensável à plenitude da vida. Quem a menospreza é incapaz de alcançar a felicidade, posto que não tem motivos para sentir-se feliz quem é orgulhoso, soberbo, insolente, mesquinho e prepotente.

Fonte: Jornal O Povo (Espiritualidade), Fortaleza, 27 de maio de 2012.


2012-05-21

Silêncio e Palavra: caminho de evangelização


Mensagem do Papa Bento XVI para o 46° Dia Mundial das Comunicações Sociais

Amados irmãos e irmãs,

Ao aproximar-se o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2012, desejo partilhar convosco algumas reflexões sobre um aspecto do processo humano da comunicação que, apesar de ser muito importante, às vezes fica esquecido, sendo hoje particularmente necessário lembrá-lo. Trata-se da relação entre silêncio e palavra: dois momentos da comunicação que se devem equilibrar, alternar e integrar entre si para se obter um diálogo autêntico e uma união profunda entre as pessoas. Quando palavra e silêncio se excluem mutuamente, a comunicação deteriora-se, porque provoca um certo aturdimento ou, no caso contrário, cria um clima de indiferença; quando, porém se integram reciprocamente, a comunicação ganha valor e significado.

O silêncio é parte integrante da comunicação e, sem ele, não há palavras densas de conteúdo. No silêncio, escutamo-nos e conhecemo-nos melhor a nós mesmos, nasce e aprofunda-se o pensamento, compreendemos com maior clareza o que queremos dizer ou aquilo que ouvimos do outro, discernimos como exprimir-nos. Calando, permite-se à outra pessoa que fale e se exprima a si mesma, e permite-nos a nós não ficarmos presos, por falta da adequada confrontação, às nossas palavras e ideias. Deste modo abre-se um espaço de escuta recíproca e torna-se possível uma relação humana mais plena. É no silêncio, por exemplo, que se identificam os momentos mais autênticos da comunicação entre aqueles que se amam: o gesto, a expressão do rosto, o corpo enquanto sinais que manifestam a pessoa. No silêncio, falam a alegria, as preocupações, o sofrimento, que encontram, precisamente nele, uma forma particularmente intensa de expressão. Por isso, do silêncio, deriva uma comunicação ainda mais exigente, que faz apelo à sensibilidade e àquela capacidade de escuta que frequentemente revela a medida e a natureza dos laços. Quando as mensagens e a informação são abundantes, torna-se essencial o silêncio para discernir o que é importante daquilo que é inútil ou acessório. Uma reflexão profunda ajuda-nos a descobrir a relação existente entre acontecimentos que, à primeira vista, pareciam não ter ligação entre si, a avaliar e analisar as mensagens; e isto faz com que se possam compartilhar opiniões ponderadas e pertinentes, gerando um conhecimento comum autêntico. Por isso é necessário criar um ambiente propício, quase uma espécie de «ecossistema» capaz de equilibrar silêncio, palavra, imagens e sons.

Grande parte da dinâmica actual da comunicação é feita por perguntas à procura de respostas. Os motores de pesquisa e as redes sociais são o ponto de partida da comunicação para muitas pessoas, que procuram conselhos, sugestões, informações, respostas. Nos nossos dias, a Rede vai-se tornando cada vez mais o lugar das perguntas e das respostas; mais, o homem de hoje vê-se, frequentemente, bombardeado por respostas a questões que nunca se pôs e a necessidades que não sente. O silêncio é precioso para favorecer o necessário discernimento entre os inúmeros estímulos e as muitas respostas que recebemos, justamente para identificar e focalizar as perguntas verdadeiramente importantes. Entretanto, neste mundo complexo e diversificado da comunicação, aflora a preocupação de muitos pelas questões últimas da existência humana: Quem sou eu? Que posso saber? Que devo fazer? Que posso esperar? É importante acolher as pessoas que se põem estas questões, criando a possibilidade de um diálogo profundo, feito não só de palavra e confrontação, mas também de convite à reflexão e ao silêncio, que às vezes pode ser mais eloquente do que uma resposta apressada, permitindo a quem se interroga descer até ao mais fundo de si mesmo e abrir-se para aquele caminho de resposta que Deus inscreveu no coração do homem.

No fundo, este fluxo incessante de perguntas manifesta a inquietação do ser humano, sempre à procura de verdades, pequenas ou grandes, que dêem sentido e esperança à existência. O homem não se pode contentar com uma simples e tolerante troca de cépticas opiniões e experiências de vida: todos somos perscrutadores da verdade e compartilhamos este profundo anseio, sobretudo neste nosso tempo em que, «quando as pessoas trocam informações, estão já a partilhar-se a si mesmas, a sua visão do mundo, as suas esperanças, os seus ideais» (Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2011).

Devemos olhar com interesse para as várias formas de sítios, aplicações e redes sociais que possam ajudar o homem actual não só a viver momentos de reflexão e de busca verdadeira, mas também a encontrar espaços de silêncio, ocasiões de oração, meditação ou partilha da Palavra de Deus. Na sua essencialidade, breves mensagens – muitas vezes limitadas a um só versículo bíblico – podem exprimir pensamentos profundos, se cada um não descuidar o cultivo da sua própria interioridade. Não há que surpreender-se se, nas diversas tradições religiosas, a solidão e o silêncio constituem espaços privilegiados para ajudar as pessoas a encontrar-se a si mesmas e àquela Verdade que dá sentido a todas as coisas. O Deus da revelação bíblica fala também sem palavras: «Como mostra a cruz de Cristo, Deus fala também por meio do seu silêncio. O silêncio de Deus, a experiência da distância do Omnipotente e Pai é etapa decisiva no caminho terreno do Filho de Deus, Palavra Encarnada. (...) O silêncio de Deus prolonga as suas palavras anteriores. Nestes momentos obscuros, Ele fala no mistério do seu silêncio» (Exort. ap. pós-sinodal Verbum Domini, 30 de Setembro de 2010, n. 21). No silêncio da Cruz, fala a eloquência do amor de Deus vivido até ao dom supremo. Depois da morte de Cristo, a terra permanece em silêncio e, no Sábado Santo – quando «o Rei dorme (…), e Deus adormeceu segundo a carne e despertou os que dormiam há séculos» (cfr Ofício de Leitura, de Sábado Santo) –, ressoa a voz de Deus cheia de amor pela humanidade.

Se Deus fala ao homem mesmo no silêncio, também o homem descobre no silêncio a possibilidade de falar com Deus e de Deus. «Temos necessidade daquele silêncio que se torna contemplação, que nos faz entrar no silêncio de Deus e assim chegar ao ponto onde nasce a Palavra, a Palavra redentora» (Homilia durante a Concelebração Eucarística com os Membros da Comissão Teológica Internacional, 6 de Outubro de 2006). Quando falamos da grandeza de Deus, a nossa linguagem revela-se sempre inadequada e, deste modo, abre-se o espaço da contemplação silenciosa. Desta contemplação nasce, em toda a sua força interior, a urgência da missão, a necessidade imperiosa de «anunciar o que vimos e ouvimos», a fim de que todos estejam em comunhão com Deus (cf. 1 Jo 1, 3). A contemplação silenciosa faz-nos mergulhar na fonte do Amor, que nos guia ao encontro do nosso próximo, para sentirmos o seu sofrimento e lhe oferecermos a luz de Cristo, a sua Mensagem de vida, o seu dom de amor total que salva.

Depois, na contemplação silenciosa, surge ainda mais forte aquela Palavra eterna pela qual o mundo foi feito, e identifica-se aquele desígnio de salvação que Deus realiza, por palavras e gestos, em toda a história da humanidade. Como recorda o Concílio Vaticano II, a Revelação divina realiza-se por meio de «acções e palavras intimamente relacionadas entre si, de tal modo que as obras, realizadas por Deus na história da salvação, manifestam e confirmam a doutrina e as realidades significadas pelas palavras; e as palavras, por sua vez, declaram as obras e esclarecem o mistério nelas contido» (Const. dogm. Dei Verbum, 2). E tal desígnio de salvação culmina na pessoa de Jesus de Nazaré, mediador e plenitude da toda a Revelação. Foi Ele que nos deu a conhecer o verdadeiro Rosto de Deus Pai e, com a sua Cruz e Ressurreição, nos fez passar da escravidão do pecado e da morte para a liberdade dos filhos de Deus. A questão fundamental sobre o sentido do homem encontra a resposta capaz de pacificar a inquietação do coração humano no Mistério de Cristo. É deste Mistério que nasce a missão da Igreja, e é este Mistério que impele os cristãos a tornarem-se anunciadores de esperança e salvação, testemunhas daquele amor que promove a dignidade do homem e constrói a justiça e a paz.

Palavra e silêncio. Educar-se em comunicação quer dizer aprender a escutar, a contemplar, para além de falar; e isto é particularmente importante paras os agentes da evangelização: silêncio e palavra são ambos elementos essenciais e integrantes da acção comunicativa da Igreja para um renovado anúncio de Jesus Cristo no mundo contemporâneo. A Maria, cujo silêncio «escuta e faz florescer a Palavra» (Oração pela Ágora dos Jovens Italianos em Loreto, 1-2 de Setembro de 2007), confio toda a obra de evangelização que a Igreja realiza através dos meios de comunicação social.

Vaticano, 24 de Janeiro – dia de São Francisco de Sales – de 2012.

Fonte: ZENIT.org -  Sábado, 19 de maio de 2012.

Imagem: Jovens cearenses Letícia Frota e Vanderlúcio Souza com a Ir. Élide Fogolari (Paulinas), Assessora de Comunicação Social da CNBB, no Seminário Nacional de Jovens Comunicadores, de 18 a 20 de maio de 2012, em Brasília (DF).

Renova Teu Espírito em mim


Cada dia é um milagre do amor de Deus nas nossas vidas. Estar vivo é uma nova oportunidade nos concedida pela providência divina e somos chamados a vivê-la da melhor forma, procurando ser melhor que ontem, ou seja, amar e perdoar mais, dar sentido às nossas ações e escolhas. Viver é bom e viver com sentido é infinitamente desproporcional, e este sentido que alarga a vida, que encoraja e nos lança aos desafios com esperança e sabedoria é mesmo "o amor de Deus derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado" (Rm 5,5). Mas também é verdade que cada dia nos deparamos com nossa debilidade, nossas infidelidades e desamor: “queremos o bem e fazemos o mal”, diz o apóstolo Paulo. Daí que cada dia precisamos pedir que o Espírito Santo venha sobre nós e nos renove a fé, a esperança e o amor. Não há vida se aí não habitar o dom de Deus por excelência, a Pessoa do Espírito Santo. Faço memória de uma canção antiga, mas sempre tocante ao coração: "Ó Pai, dá-me um puro coração e renova Teu Espírito em mim... Não me deixes ir para longe de Ti, conserva o Teu Espírito em mim. Restaura em mim o amor, a salvação, e renova Teu Espírito em mim."

Antonio Marcos

2012-05-19

Partilha amorosa

Zenilce Vieira Bruno, Psicóloga, sexóloga e pedagoga

Todos nós sabemos o que é sexo e o que é afetividade; isso está no nosso íntimo. Mas algo nos faz querer ouvir mais, encontrar referenciais para incertezas que nos perseguem. Estas quase sempre da ordem do relacional, do quanto o outro nos deseja, nos preenche. Necessitamos encontrar aquilo que une, vincula, funde com o outro, garante crescimento na arriscada aventura da partilha amorosa.

Queremos outras existências e um outro a quem dedicar afeto e com quem possamos partilhar o sentido encontrado para a vida. O afeto precisa ser correspondido, precisa dessa partilha para desenvolver-se. Haverá lugar para a vivência significativa desse afeto nesse mundo que tem tanta pressa e não sabe aonde vai?

A sexualidade é uma energia que nos impulsiona à busca do prazer, mas um prazer plural, que jamais se esgota na genitalidade. Ela é boa na medida em que faz sentido o que é vivido, em que faz crescer as pessoas. Torna-se uma forma de enriquecimento quando acontece o abandono de si e a acolhida do outro.

É a partir desse contexto que penso o lugar do afeto na vivência sexual como a emoção que torna o outro especial. No terreno sexual-afetivo, as coisas não são simples, porque nutrimos mal entendidos e repetições que maltratam muito o cotidiano. O exercício de poder entre parceiros, as divergências entre masculino e feminino, por vezes, sobrepujam o gosto de amar. Que se abandonem os preconceitos e se honrem igualmente as qualidades, porque “o amor é um exercício de felicidade, não de poder”, diz A. da Távola.

É essa qualidade da comunicação entre parceiros que possibilita um relacionamento significativo e satisfatório, em que cada um está à procura de si mesmo, mas na interface com o outro e onde a ternura confirma a existência do outro como “uma segunda pele necessária”. Não podemos prescindir dessa partilha quando queremos saber mais profundamente de nós mesmos. Aprendo de mim e me descubro afetiva e sexualmente quando ouso o melhor da relação. A privação afetiva é muito nociva porque nos impede de ousar, de descobrir e utilizar o melhor de nós próprios. Faço minhas as palavras de M.Scott Peck: “Quando amamos alguma coisa ela tem valor para nós, e quando alguma coisa tem valor para nós passamos tempo com ela, tempo desfrutando dela e tempo cuidando dela”.

Tocar e trocar são desejos naturais, movimentos em favor da vida e do bem-estar humano. O toque é a linguagem básica do sexo, da ternura, é condição de saúde emocional. Adoecemos por falta de proximidade, de contato, de carícias. Aí o organismo dói e produz sintomas que têm significação para além do que aparece. Gaiarsa diz com apropriada ironia que “quanto mais civilizados, mais assépticos, mais distantes e mais frios”. Só palavras. Pouca mímica. Nenhum contato. Ele considera isso uma maldição que nos faz perder horas de prazer e felicidade. Criamos uma sociedade em que as pessoas não se tocam fisicamente, nem noutros sentidos. A tendência é as palavras ocuparem o lugar da experiência. Para acontecer o contato, a intimidade, precisa-se de humildade, simplicidade e desarmamento. Precisa-se de um bem-estar consigo mesmo e com o outro. J. Salomé resume, dizendo: “precisa-se de ternura natural, desesperadamente”.

Fonte: Publicado no Jornal O Povo (Opinião), Fortaleza, 06 de maio de 2012 (o grifo do texto é nosso).
 

Felicidade é uma construção humana, paciente, uma arte de existir

Zenilce Vieira Bruno, Psicóloga, sexóloga e pedagoga

Estamos sempre sendo convocados a "ser feliz", a providenciar um bem-estar, uma alegria, mesmo que provisória. Há uma expectativa da nossa cultura para que reine felicidade à nossa volta numa espécie de rito festivo. Antropológico por um lado, a felicidade nas datas festivas compõe o modo humano e social de promover alegrias, mas, em geral, esse rito é apropriado pelo sistema para nos fazer consumir. Quando isso ocorre, termina por tornar-se aparência, porque se esvazia do sentido humano da solidariedade, da amizade, e se transforma numa gincana consumista, que faz feliz, sobretudo, os donos das mercadorias.

Não se é feliz ou se fica feliz simplesmente por um decreto. A felicidade que perseguimos independe de calendário, de bens de consumo ou de jovialidade à mostra. Felicidade é uma construção humana, paciente, uma arte de existir.

O tempo festivo por vezes atiça nossas angústias ao confrontar a condição pessoal interna com o agito da alegria externa. Vivemos todos experiências de dor, de sofrimento, de vazio. É preciso não enganar esses sentimentos com compras, busca de beleza física, carro do ano, imóvel novo ou outras aquisições. Somos também nossos sentimentos inquietos. Eles fazem parte de nossa humanidade. Em geral é mais fácil comprar algo para enganá-los do que entendê-los.

Não imagino que a felicidade também possa acontecer na resignação e no êxtase, via álcool, drogas ou outras formas de alienação. Ser feliz tem uma dinâmica. Acho mesmo que certo descontentamento move-nos na direção sagrada do além, de criarmos algo novo que possibilite sentimentos apreciáveis. A capacidade de administrar nossa felicidade é humana e não poderemos ser felizes ao preço da ética, da moral e do bem-estar dos outros. O ideal é aprendermos a dar mais atenção ao que somos e a querer ser feliz com isso, onde cada um procure a felicidade que carrega em si.

É uma espécie de cacoete social essa busca contemporânea de uma felicidade ininterrupta, esse paradoxo do estresse do ter que ser feliz a qualquer preço.

Kant, ao contrário disso dizia que a “felicidade não é o bem supremo e fim último da vida”. Ele imaginava que “ela coroaria a consciência do dever comprido”. Isso muda o foco do entendimento do tema e nos leva a pensar que a felicidade não é algo ligado ao ter ou parecer, como se costuma pensar. Ela tem algo a ver com nosso agir. É o que fazemos que tem sentido. São as ações que marcam nossa passagem pela vida, que dizem de nós. “A fé sem boas obras é morta”, diz a Bíblia com sabedoria.

Podemos sonhar com uma humanidade mais cordial e isso acontecerá quando começarmos a ser mais amáveis uns com os outros, sobretudo os outros mais próximos de nós. A amizade pode ser o caminho de amorosidade necessário ao bem-estar das relações. Devemos sim autorizar a emoção da coisa simples e bela que há na vida e no viver. Que a vida seja de festa e de alegria interna e externa para todos. Que sejamos todos escultores de uma humanidade mais feliz e realmente humana.

Fonte: Publicado no Jornal O Povo (Opinião), “O que faz você feliz?”, Fortaleza, 07 de abril de 2012 (o grifo do texto é nosso).

O bem e a virtude como lugares de Deus


"Ó Deus, inspirai aos nossos corações a prática das boas obras para que, buscando sempre o que é melhor, vivamos constantemente o mistério pascal. Por nosso Senhor Jesus Cristo..." (Oração do dia, sábado, 19 de maio de 2012). Buscar o que é melhor para nós, eis um desejo e uma decisão constante que deve ser realidade em nossas vidas. Uma Oração bonita, exatamente pelo pedido a Deus para que nos inspire boas obras, pois elas nos ajudam a discernir e escolher o melhor. Praticando o bem, vivendo atitudes que enobrecem a si e aos outros nos ajuda a encontrar a luz das melhores escolhas. E tudo reflete o Mistério de Cristo, porque onde prevalece o bem e a virtude, aí habita Deus. Que sua graça nos ajude sempre, sobretudo inspirando boas ações como antídoto de tantas ações fúteis que acabam propagando o que não edifica. Espírito Santo, amor do Pai e do Filho, vem e nos recria cada dia no teu amor. Mãezinha, Virgem virtuosa, toda bela, intercedei por nós.

Antonio Marcos

Amor é sentimento; paixão é emoção. O amor liberta, desprende, traz paz


Zenilce Vieira Bruno, Psicóloga, sexóloga e pedagoga

A função de articulista tem me colocado de uma forma sistemática em contato com o que pensa e sente o cearense através dos inúmeros emails que recebo após cada publicação. O tema predileto tem sido o sentimento. Para começo de conversa, emoção e sentimento não são sinônimos. Pelo contrário, são processos muito diferentes. O que sentiu ao ver seu filho dar os primeiros passos? Qual foi a emoção? Talvez seja difícil expressar em palavras. Emoção pode ser definida como um impulso nervoso que provoca um conjunto de reações psicofisiológicas.

Chorar, tremer, corar, sorrir, gritar, coração disparar, independem da vontade, geralmente são de curta duração e muita intensidade, sendo difícil de esconder, pois apresentam manifestações externas e públicas. Podem jorrar a qualquer momento, sofrendo grande influência dos instintos e da irracionalidade.

O sentimento já é mais elaborado; envolve racionalização, livre arbítrio, espiritualidade, bom senso. É a reação que não entendemos e que chamamos de emoção, sendo integrada ao nosso ser. Digamos que uma emoção amadurecida. Diferente das emoções, sentimentos são privados; os outros só ficam sabendo se existir o desejo de partilhá-los. Amor, paz, alegria, medo, tristeza, esperança, orgulho. A emoção quando integrada, ou no mínimo percebida e interpretada, transforma-se em sentimento.

Há um incontável número de coisas que acontecem e são confundidas com sentimento, emoção e palavras. Pessoas que não conseguem demonstrar emoções podem ser acusadas de ausência de sentimentos e pessoas muito emotivas podem ser interpretadas como sensíveis e isto nem sempre é verdadeiro. O que realmente expressamos para nós mesmos e para o mundo? Emoções? Sentimentos? Palavras?

A emoção é o elemento mais difícil de ser percebido com clareza. Os combatentes, que se anunciam em nome de Deus, da suposta democracia, da paz desejável, não se dão conta do grau da emoção destrutiva que pode mover suas ações. O ódio e a vontade de revide podem silenciosamente comandar ações inconsequentes. É preciso desconfiar das nobres razões pelas quais se faz guerra. A razão é um bem. Sem ela nos tornaríamos loucos, estúpidos, inconsequentes. A emoção também dá ao fazer humano a tonalidade de humanidade, de encanto, amorosidade ou de perversão. Ambas são dimensões humanas importantes e seu benefício ou malefício depende do uso que delas se fizer. Nada mais insano do que o ato comandado pela razão perturbada ou pela emoção doentia.

Amor é sentimento; paixão é emoção. O amor liberta, desprende, traz paz. Os sentimentos podem amparar, socorrer e até transformar mágoa em alegria, pavor em coragem e ódio em amor. No clamor das emoções e das palavras se fazem as guerras, no discernimento dos sentimentos é que se busca a paz. Como encontrar e acessar os sentimentos? Estão no mesmo lugar desde que nascemos, esperando para crescer e amadurecer.

Faço minhas as palavras de Fernando Pessoa: “Temos, todos que vivemos, uma vida que é vivida e outra vida que é pensada, a única vida que temos é essa que é dividida entre a verdadeira e a errada.”

Fonte: Publicado no Jornal O Povo (Opinião), “O que fazer com os sentimentos?”, Fortaleza, 10 de março de 2012 (o grifo do texto é nosso).

2012-05-13

Mãe se guarda dentro do coração

Frei Patrício Sciadini, Ordem dos Carmelitas Descalços

O dia das mães nos leva a cantar com toda a arte e poesia e com toda a teologia mística a grandeza de uma mulher que, no seu amor à vida, embora com dificuldades e lutas, nos aguardou e conservou por nove meses dentro dela e nos deu a vida, sangue, nos gerou no carinho e cuidou de nós até que nós crescêssemos e pudéssemos, caminhando com os próprios pés, tomar a nossa estrada. A psicologia insiste para que cada um, chegando a uma certa idade, corte o “cordão umbilical” e vá sozinho pelas estradas do mundo e, se puder esquecer toda dependência para ser ele mesmo, é melhor. A vida, cada um a fabrica e a faz como achar melhor.

Eu, graças a Deus, pertenço àquele grupo de pessoas humanas que são “ninguém” e não carregam debaixo do braço muitos diplomas para emoldurá-los e enfeitar a casa, por isso me é permitido dizer o que me passa na cabeça e nem preciso citar os autores tal e tal porque não os conheço. Mas posso citar mais ou menos a Palavra de Deus e o exemplo de Jesus de Nazaré que, embora não o conheça, o amo muito. Jesus não rompeu com sua mãe, mas a amou muito, e ela esteve sempre ao seu lado, sendo presença discreta e silenciosa, mas influenciando e muito no estilo de anunciar do mesmo Jesus. A evangelização de Jesus tem um toque feminino de delicadeza que ele só pode ter aprendido com sua mãe nos longos anos de vida familiar de Nazaré.

Mãe é alguém de quem nunca poderemos nos separar, mesmo querendo. A memória dela vem à nossa mente e ao nosso coração nos momentos que menos pensamos e imaginamos. Há momentos de dor que somos obrigados a clamar e a chamar a mãe ao nosso lado para que ela, carinhosamente, enxugue as nossas lágrimas e afague os nossos cabelos assanhados ou a nossa careca que perdeu os últimos fios de cabelo. Mãe se guarda dentro do coração e aí no silêncio pedimos que a mãe repita ao nosso coração cansado palavras de ânimo e de vida. Não é possível apagar na vida de ninguém a genética materna e paterna, faz parte da nossa história e do código do nosso ser. Devemos lutar especialmente nós homens, visto que o poder está ainda nas mãos dos homens, lutar e sermos mais femininos e reconhecidos para com as nossas mães, dando a elas o espaço que lhes é devido.

Fonte: Uma Palavra Basta. Frei Patrício Sciadini, OCD. Edições Shalom, 2004.