2012-04-01

Homens e livros

Artigo: Antonio Mourão Cavalcante - Médico, antropólogo e professor universitário

Essa semana a imprensa publicou o resultado de uma pesquisa que revela: 75% de brasileiros jamais frequentou uma biblioteca. Isso é muito ou pouco? Extasiado, caminhando contra o vento, Caetano Veloso, um dia cantou: “O sol nas bancas de revista, me enche de alegria e preguiça. Quem lê tanta notícia?”.

A sociedade brasileira ama a imagem e o som. Daí a fissura na TV. Somos ágrafos. Quase odiamos a leitura. Que se torna compulsória um tempo, quando da época do vestibular (hoje Enem). Por isso, vira chatice – quase tortura - entrar numa sala que expõe livros e mais livros. Logo dá espirros e comichões.

O ambiente das bibliotecas, de um modo geral, não tem nada de atraente. É inóspito, escuro. Lúgubre. Não se oferece um clima agradável e convidativo.

A concepção de biblioteca hoje deveria ser ampliado, cabendo a noção de centro cultural. Com livros, revistas, jornais, vídeos, musicais e computadores com acesso a internet. Um espaço também adaptado ao público infantil. Auditórios onde aconteçam eventos culturais, concursos literários, lançamento de livros. Cursos de iniciação à leitura. Enfim, um local que possa atrair e motivar os jovens.

A maior biblioteca do mundo está em Washington, no Congresso dos Estados Unidos. Esse exemplo espalhou-se pela América e toda comuna/município americano tem uma. Seria uma grande iniciativa se cada município do Brasil tivesse uma biblioteca mantida pela Câmara Municipal. Poderia funcionar como um prédio anexo e seria mantido com verbas da casa legislativa mirim.

Essa ideia daria oportunidade aos jovens de conhecerem uma casa de cultura – sua biblioteca – e, por extensão a casa do povo, seu parlamento.

Algumas empresas, com suas mega livrarias, abrem possibilidades muito interessantes. São verdadeiros espaços culturais. Eles indicam como deveriam ser as bibliotecas: amplas, climatizadas, bem iluminadas, cadeiras confortáveis, acesso a internet.

Podemos evoluir muito nesse domínio. Monteiro Lobato advertia que: “uma nação se faz com homens e livros...”.

Fonte: Jornal O Povo (“Opinião”), 01 de abril de 2012. 

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