A Igreja se seculariza quando reduz a fé à medida humana

Cardeal Robert Sarah adverte: a secularização entra na igreja quando deixa de propor uma fé fundada na revelação de Cristo para reduzi-la às exigências e à mentalidade do homem moderno.

Viver a difícil liberdade

Nestes nossos dias muito se fala de liberdade, seja de expressão, de opinião, sexual, afetiva ou financeira.

Sobre os Felizes

Olá, amigos e amigas leitoras, estamos de volta! Partilho com vocês esta Coluna me enviada no WhatsApp por uma amiga.

Namoro: escola de aprendizados felizes, apesar dos desafios

Partilhar a vida a dois é um anseio do coração humano, uma vocação, uma vivência que passa por muitas experiências de aprendizado...

2012-04-23

Dependência afetiva: “Libertar-se sentindo que o ama, mas que ele não lhe convém”

Texto de: Walter Riso, Psicólogo, Escritor e Professor Universitário - Reside na Colômbia.

Depender da pessoa que se ama é uma maneira de se enterrar em vida, um ato de automutilação psicológica em que o amor-próprio, o autorrespeito e a nossa essência são oferecidos e presenteados irracionalmente. Quando a dependência está presente, entregar-se mais do que um ato de carinho desinteressado e generoso, é uma forma de capitulação, uma rendição conduzida pelo medo com a finalidade de preservar as coisas boas que a relação oferece.

Sob o disfarce de amor romântico, a pessoa dependente afetiva começa e sofrer uma despersonalização lenta e implacável até se transformar num contexto da pessoa “amada”, um simples apêndice. Quando a dependência é mútua, o enredo é funesto e tragicômico (...).

As reestruturações afetivas e as revoluções interiores, quando são verdadeiras, são dolorosas. Não há porção para acabar com a dependência afetiva. Respondo não acreditar que uma pessoa deva se desapaixonar para terminar uma relação e que duvide ser possível produzir desamor por força de vontade e de razão (se fosse assim, o processo inverso também deveria ser possível, mas, tal como atestam os fatos, não nos apaixonamos por quem queremos, mas por quem podemos).

“O que a terapia tenta incentivar nas pessoas viciadas é basicamente o autocontrole para que, ainda necessitando da droga, sejam capazes de brigar contra a urgência e a vontade. No balanço custo-benefício, aprendam a sacrificar o prazer imediato pela gratificação a médio e a longo prazo. O mesmo ocorre com outros tipos de vícios como, por exemplo, a comida e o sexo. Você não pode esperar desapaixonar-se para deixá-lo. Primeiro deve aprender a superar os medos que se escondem por trás do apego irracional, melhorar a autoeficácia, levantar a autoestima e autorrespeito, desenvolver estratégias para a resolução de problemas e para ter maior autocontrole. E tudo isso você deverá fazer sem deixar de sentir o que sente por ele. Por isso é tão difícil. Repito, o viciado deve deixar de consumir, mesmo que seu organismo não queira fazê-lo. Deve lutar contra o impulso porque sabe que não lhe convém.

Enquanto o viciado luta e persevera, o apetite está ali, quieto e pungente, flutuando em seu ser e disposto a atacar. Não se pode chegar agora ao desamor, isso chegará depois. Além disso, quando começar a ficar independente, descobrirá que aquele sentimento não era amor, mas uma forma de vício psicológico. Não há outro caminho, deve se libertar sentindo que o ama, mas que ele não lhe convém. Uma boa relação precisa bem mais do que afeto em estado puro”.

Fonte: Walter Riso. Amar ou depender?, 2010 (grifo do texto é nosso) 

2012-04-17

Jovem Reinauldi: perfume derrramado, vida ofertada!

Durante esses dias foram de "respostas definitivas" para os irmãos da CV e CA Shalom. Chamado de amor a uma Pessoa, Jesus Cristo, e não a coisas e lugares, contextos e situações, porque tudo isto passa, mas o objeto do nosso amor, a razão maior de nossa felicidade, isto sim, permanece para sempre! Dias de firmar uma decisão que foi maturada ao longo dos anos, sejam eles poucos ou muitos, pois o que vale é a intensidade do amor, a identificação e comunhão de coração, de sentimentos, de planos, de vida e morte. Foram dias de um bonito "Sim" que provocou lágrimas, sorrisos, lembranças, decisões... E víamos claramente no rosto dos irmãos que não se tratava de uma chegada, mas de uma partida, um recomeço, um colocar-se a caminho no compromisso de ir até o fim, custe o que custar, “e custará”, como todos o sabemos! Um recomeço a partir daquela nova experiência: "Pedro, tu me amas?", ou, "Mulher, ninguém te condenou?". Dias nos quais esta canção se tornou tão viva: "Quero ofertar minha vida, gastar os meus dias, minha juventude por amor, porque o meu perfume não se espalhará se não se derramar por amor a Deus". O seu perfume foi ofertado, caro Reinaudi, e Deus o recebeu com alegria. O céu é assim: tem sua brevidade na vida de muitos, chega logo depois do entardecer, numa hora bonita de se contemplar o sol, a beleza do criado, mas tudo se faz dentro de um mistério de amor. O mais importante não é querer entender, mas rezar com este mistério e desejar vivê-lo! E agora, reze por seus irmãos e irmãs de Vocação, mas também reze por nós batizados, reze pela Igreja em missão, reze pela juventude! É tempo de Páscoa, tempo no qual a Vocação Shalom se faz canal por onde sobe ao céu o "SIM" definitivo dos irmãos e irmãs. O seu SIM, caro Reinaudi, tornou-se incenso a levar o SIM dos outros. “A dor autentica o amor!” Deus o receba no céu!

De um irmão, amigo da Obra Shalom, que o conhecia e o admirava muito!
Antonio Marcos

Reinaudi Carvalho, 32 anos, era membro da Comunidade de Vida Shalom, Missionário na Argélia, e teve morte súbita na madrugada do dia 17 de abril de 2012. 

2012-04-16

“Conhecer o que Deus quer é o caminho da vida”. Parabéns, Santo Padre, pelos 85 anos de vida!

"Queridos irmãos e irmãs, depois do grande Papa João Paulo II, os cardeais elegeram a mim, um simples e humilde trabalhador na vinha do Senhor. Na alegria do Senhor ressuscitado e, confiante na sua ajuda permanente, vamos à frente... O senhor nos ajudará e Maria, Sua Mãe, estará ao nosso lado" (Primeiras palavras de Bento XVI pós-eleição, 19 de abril de 2005), e também: “O jugo de Deus é a vontade de Deus, que nós aceitamos. Esta vontade não é para nós um peso exterior, que nos oprime e nos priva da liberdade. Conhecer o que Deus quer, conhecer qual é o caminho da vida eis a alegria de Israel, era o seu grande privilégio. Esta é também a nossa alegria: a vontade de Deus não nos desvia, mas purifica-nos talvez de maneira até dolorosa e assim conduz-nos a nós mesmos. Desta forma, não servimos só a Ele mas à salvação de todo o mundo, de toda a história” (Início do Ministério Petrino, 24 de abril de 2005).

85 anos de vida: Parabéns, Santo Padre! Fazemos memória dessas palavras e nos enchemos de alegria pela fidelidade de Deus na sua vida e na vida da Igreja. De fato, “conhecer o que Deus quer é o caminho da vida”. O vosso testemunho de humildade e coragem nos estimula na conversão e missão. Vamos à frente, ou, como costumo dizer, “vamos adiante!”. Feliz aniversário! 

Com nossa orações sempre!
Antonio Marcos

2012-04-14

Um dia de Páscoa, um Sábado com Maria

Um dia de Páscoa, um Sábado com Maria, uma manhã trazendo aqui dentro a força da fé, a luz da esperança, o sentido do amor. Um dia de Páscoa e outra vez tudo se refaz, porque a graça de Deus faz novas todas as coisas. Pedro e João agora experimentam o preço do seguimento ao Mestre, mas são felizes, corajosos, dispostos... Eles "glorificam a Deus pelos acontecimentos" (cf. At 4, 13-21), porque guardam consigo as promessas do Senhor de que é feliz quem entra pelo caminho da porta estreita, caminho de vida. Bem, é Páscoa do Senhor, o "Dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos!" (Sl 117), como canta o Salmista. Neste Dia de Páscoa, gratidão a Madalena, a mulher dos sete demônios expulsos, mulher que agora se faz anunciadora da Boa Nova (cf. Mc 16,9-15). Obrigado, Senhor, porque nada tem sentido se a notícia de Tua ressurreição não gerar processo de transformação e não se tonar notícia aos outros, na alegria do testemunho e da convivência, na liberdade, na conquista, no entusiasmo sempre juvenil de sermos de Deus, não obstante nossas muitas infidelidades. Maria, Mãe e Mestra do amor, fica conosco e nos conduza sempre a Jesus, teu e nosso Salvador.

Antonio Marcos

2012-04-11

Diante da Cruz... Páscoa aos indefesos

O gesto de se inclinar diante da cruz de Cristo e rezar, ser apoiado pela intercessão de alguém, confiar-se aos cuidados de quem pode rogar por nós, mais que ato religioso, é necessidade vital. Sim, a vida dos indefesos precisa de nossa oração. Como também as mamães e papais dessas vidas. E não será uma “derrota” que deve nos desanimar, caso venhamos perder esta batalha. A vida e seus valores fundamentais no Brasil estão correndo graves riscos.  Bonito o gesto da Igreja do Brasil em convocar os seus filhos para se colocarem em intercessão pela vida dos bebês anencéfalos, que podem não ter mais o direito de nascer, ter dias e meses de vida, ter o carinho dos pais, morrer e ter um enterro digno como filhos de Deus, dotados de uma dignidade humana, de um nome, uma alma, um desígnio, visto que absolutamente nada é por acaso. A vida é dom de Deus! A vida é muito mais que um composto biológico ou ausência de uma de suas partes. Lamentamos que a “beleza” do discurso, com suas mais sutis formas de convencimento e suas razões recheadas de conceitos da “cartilha que relativiza tudo em nome do direito de escolher quem pode viver e quem pode morrer”, fruto de uma razão humana egoísta, possa ser hoje tão crescente. Lamentamos que a plausibilidade de uma corte, de uma supremacia no ato de julgar, ainda que em nome da democracia e do justo direito de exercer este ato em prol do bem da nação e do cidadão, possa mostrar-se tão marcada pelas contingências ideológicas, tão visíveis em cada belo discurso, em cada “oralidade agradável”. Porém, o mistério da vida está para além de toda e qualquer justificativa de que ela deva estar sob o direito arbitrário de uma minoria. Eu acredito nos nossos Magistrados e dedico a eles todo respeito e veneração como representantes legítimos do povo, porém, vejo-me cada dia mais necessitado de me colocar de joelho e rezar, interceder... É Páscoa do Senhor! Nós, povo de Deus, Católicos, desejamos que esta Páscoa também seja um “direito” que se estenda aos indefesos.

De próprio punho...

Antonio Marcos
Imagem: Moysés Azevedo e Maria Emmir, diante da Cruz do Senhor, em oração, Tempo da Páscoa. 

2012-04-10

Páscoa do Senhor: "A Cruz e a Ressurreição de Cristo eternizadas na Eucaristia!"

Trecho da homilia do Arcebispo de Fortaleza, Dom José Antônio Tosi, na Santa Missa da Vigília Pascal.

Nesta noite a Igreja celebra uma alegria efusiva! Com Jesus vivemos a Sua Paixão, Sua Morte e Sua Ressurreição. Acompanhamos os passos de Jesus, os passos da nossa Redenção: cruz, silêncio diante do túmulo e a alegria da Ressurreição. Jesus está no meio de nós, proclama a Igreja na Liturgia desta noite, mas não só, pois esta é uma proclamação na Liturgia milenar. Celebramos uma realidade simbólica e espiritual. 

Iniciamos esta noite com o acendimento do Círio Pascal, símbolo de Cristo, nossa luz. É desta luz que a vida é alimentada, pois Cristo vence as trevas da morte. Ele dormiu o sono da morte e nos ensinou a nos entregarmos ao Pai. Jesus acendeu as nossas vidas, nossas almas, como cantamos na procla mação da Páscoa.

Queridos irmãos e irmãs, a simbologia deste Círio é por demais significativa para nós. Para que possa se manter aceso, brilhar e aquecer, precisa se consumir. Assim é o mistério da vida de Jesus na Sua Páscoa: viveu a Paixão e a Morte, e uma vez Ressuscitado, com ele também pudéssemos viver uma vida nova. Ele ressurge da escravidão da morte, vem operar a recriação não para uma vida passageira, mas para a vida que não tem mais fim.

Na leitura da Carta aos Romanos (cf. 6,3-11), ouvimos o apóstolo Paulo confessar: “Não ignoramos de onde viemos, o que passamos e para onde iremos, porque a luz do amor de Deus tudo pode transformar”. Esta vida nova é sempre desejada por Deus, agora recriada em Jesus Cristo, pois de Sua vida todos reenascemos.

Um outro simples e maravilhoso símbolo desta noite está na afirmação: “Cera virgem de abelha generosa ao Cristo ressurgido trouxe a luz: eis de novo a coluna luminosa, que o vosso povo para o céu conduz” (Exultet). Cera de abelha generosa... Símbolo da grande graça de Deus para a humanidade. Esta graça nos dá a certeza de que  a Cruz e a Ressurreição de Cristo estão agora eternizados na Eucaristia. 

Jesus se faz Eucaristia de Deus para que o mundo pudesse receber essa vida nova. Bem sabemos e experimentamos pela Páscoa, mediante a fé, que  a vida de Cristo é luz que contagia. Deste modo também a nossa vida – à exemplo das luzes acesas no Círio Pascal que se propagaram a todos -  deve contagiar os outros através da caridade de Cristo.

Meus queridos irmãos e irmãs, concluo estas palavras com a proclamação de Jesus de que “tudo está consumado”. Jesus queria dizer que agora, definitivamente, Deus está no meio de nós. Rompeu-se o abismo de separação entre o homem e seu criador. Não esqueçamos que Páscoa é luz, é proclamação, é alegria, é a vitória definitiva do Senhor, vitória da vida que triunfa para sempre. 

Digamos com alegria e coragem a todos que “Cristo Ressuscitou, de verdade! Sim! Ressuscitou de verdade! Aleluia!”.

Por: Antonio Marcos

2012-04-07

As coisas antigas já se passaram, somos nascidos de novo. Aleluia, aleluia, aleluia!

A Vigília Pascal, mãe de todas as vigílias, tem início com a celebração do fogo, momento fora do Templo em que o Bispo acende o Círio Pascal em meio às trevas, e a partir dele todas as velas dos fiéis, inaugurando o Tempo da Páscoa e a vitória da luz de Cristo sobre as sombras do pecado. Jesus é vencedor da morte. Por isso cantamos: "Esta é a noite em que Cristo venceu a morte, venceu a morte e retorna vitorioso!" Este momento significa também que nascemos "fora da Igreja", e que o fogo do Batismo nos traz o dom da fé e nos introduz na Igreja, no Corpo de Cristo. “Bendita noite luminosa, em que Cristo destrói o pecado e apaga as nossas culpas. Ó noite realmente gloriosa, que reconcilia o homem com seu Deus”. Renovamos nesta noite as promessas do nosso Batismo e enchemos o coração de alegria cantando: "Banhados em Cristo somos uma nova criatura. As coisas antigas já se passaram, somos nascidos de novo. Aleluia, aleluia, aleluia! (bis)". Eis a nossa alegria ao proclamar a todos: "Cristo Ressuscitou. Aleluia! Sim, verdadeiramente Ressuscitou. Aleluia!". Feliz Páscoa!

Antonio Marcos

Que Maria conduza os nossos corações

“Maria acompanhou o seu Filho ao longo da via dolorosa, esteve aos pés da Cruz na hora da sua morte e encorajou a Igreja desde o seu nascimento a viver na presença do Senhor. Que posamos invocá-la para que conduza os nossos corações, os corações de todas as famílias, através do vasto mysterium passsionis rumo ao mysterium paschale, rumo à luz que irrompe da Ressurreição de Cristo e manifesta a vitória definitiva do amor, da alegria e da vida, sobre o mal, o sofrimento e a morte”. Amém. (Bento XVI - Sexta-feira da Paixão, Coliseu, 06 de abril de 2012).

Com Maria queremos permanecer na espera da grande hora da Ressurreição de Jesus, na manhã de Domingo, o terceiro dia. Esta hora já se torna realidade com as primeiras Vésperas do Domingo, por isso a Vigília Pascal, mãe de todas as vigílias, será um momento de intensa alegria. Maria, mãe de dor e amor, de fé e esperança - como reza o Santo Padre - nos ajude a esperarmos e desfrutarmos já no hoje de nossa vida a vitória definitiva da vida sobre toda e qualquer morte. Permaneçamos com Maria, neste Sábado Santo, dia da esperança por excelência.

Antonio Marcos

2012-04-06

Maria, mulher de dor e amor, permanece conosco nas nossas esperas

Precisamos e muito aprender contigo, Maria de Nazaré, nossa Mãezinha, a fazer silêncio na hora que o coração é visitado pela confusão dos fatos, a chorar na hora da dor, a sofrer sem desespero, a acreditar quando tudo diz o contrário... Precisamos aprender contigo a contemplar, porque os sentidos nos enganam quando chega a prova da fé. Só a oração nos leva para além do que vemos... Só a oração e a fé confiantes nos deixam de pé diante de toda e qualquer barbárie contra a esperança. Já é Sábado, Mãezinha, e te pergunto: como está o Teu coração? Como está o coração do apóstolo João? Como está o meu coração? Ajuda-nos a viver os nossos "sábados existenciais", as nossas noites escuras, as nossas perdas, a nossa Paixão. Já é Sábado na vida da Igreja e é contigo que aprendemos a fazer dele um dia de esperança. A morte não tem a última Palavra, mas a misericórdia de Deus. Vem, Mãezinha, queremos ser "João" a permanecer contigo. O Terceiro Dia virá para nós, porque no Teu coração, ele já é realidade. Permanece conosco nas nossas esperas, Maria de Nazaré, Mãe do consolo, mulher de dor e amor, de fé e esperança... Obrigado por Tua maternidade na vida da Igreja, na minha vida. Contigo quero esperar aquela feliz manhã de Domingo... 

Antonio Marcos

Levanta-te dentre os mortos, eu sou a vida dos mortos

Assim reza a Liturgia das Horas, Sábado Santo (II Leitura): "Um grande silêncio reina hoje na terra, um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio porque o Rei dorme. A terra tremeu e acalmou-se porque Deus adormeceu na carne e foi acordar os que dormiam desde séculos... Ele vai procurar Adão, nosso primeiro Pai, a ovelha perdida. Quer ir visitar todos os que se assentaram nas trevas e à sombra da morte. Vai libertar de suas dores aqueles dos quais é filho e para os quais é Deus: Adão acorrentado e Eva com ele cativa. 'Eu sou teu Deus, e por causa de ti me tornei teu filho. Levanta-te, tu que dormes, pois não te criei para que fiques prisioneiro do inferno. Levanta-te dentre os mortos, eu sou a vida dos mortos'".

Fonte: Catecismo da Igreja Católica, 635.
Imagem: Ícone da descida de Cristo à mansão dos mortos.

Faz-se um momento de silêncio...

"Terminado o canto, fecha-se o tabernáculo e faz-se um momento de silêncio." (...) E a exemplo de Maria, silencio o coração e deito sobre aquele madeiro, coração a coração, sintonia de amor e dor. Uma noite de horror enquanto os homens festejam... Faz-se silêncio. Há frio lá fora, os amigos evadiram, a cidade está em festa, o nosso Senhor não dorme, está nas mãos dos homens. O Filho de Deus que desceu dos céus, que só amou, agora é verme nas mãos de carrascos. Sou eu, és tu, somos nós naqueles homens. Faz-se um momento de silêncio... A noite parece interminável e tudo é apenas o início dos horrores... Meu Deus, meu Deus, que amor é este? Meu Jesus, ajude-me a viver esta hora contigo, dê-me a graça do silêncio, da oração, das lágrimas, do arrependimento... Dê-me, sobretudo, o dom da fé, pois todos esses mistérios de dor estão dentro de um propósito de amor: "Ninguém me tira a vida, eu a dou livremente" (Jo 1018). Fecha-se o tabernáculo do coração, faz-se um momento de silêncio...

Antonio Marcos

2012-04-05

A Páscoa e as nossas relações fraternas

Estamos em dias especiais na vida da Igreja, Tríduo Pascal e Páscoa do Senhor. Dias, como costumo dizer, "conflituosos", porque confrontam nossa mesquinha forma de amar, provam a fé, purificam o amor, e tudo porque o centro é o mistério da oferta da vida de Jesus pela nossa Salvação. Oferta livre, feliz, mas que por isso teve seu preço, sua dor, sua cruz, cruz sangrenta, cruz de escárnios e acusações, abandono por parte dos amigos... Cruz de diálogos misteriosos com o Pai: "Por que me abandonaste?"; Ao mesmo tempo, diálogo de entrega confiante em Suas mãos, jamais entrega ao desespero: "Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito!".

Todos nós viveremos tais mistérios de acordo como estamos, como temos nos preparado, com nossas dores, alegrias e esperanças. Porém, que tudo seja vivido com fé. Nossa vida é uma peregrinação rumo à morada definitiva e a Páscoa de Jesus vivida de modo único e definitivo em Jerusalém, é hoje atualizada pelo Espírito Santo através da vida da Igreja, de sua Liturgia. Ao mesmo tempo, esta é uma ocasião para nos fazermos intercessores como nunca pela paz e conversão do mundo. Os "dias de barbáries" que vivemos não têm a última palavra, pois Jesus é vencedor da morte. Caminhamos para contemplarmos um "novo céu e uma nova terra" e cremos que esta realidade se inicia dentro de nós quando a Páscoa de Jesus é força transformadora de nosso pensar e de nossas ações, apesar de nossa condição frágil. Estes dias devem provocar em nós uma profunda reflexão sobre nossas relações conosco, com os nossos parentes, com os amigos e com todos aqueles que participam de nossa vida de alguma forma. Infelizmente a "páscoa de cada dia" muitas vezes é transformada somente em calvários, em traições, em julgamentos... Nossos sonhos, desejos, nossas perdas, nossas expectativas frustradas, nossas injustiças praticadas ou sofridas..., tudo pode tornar a nossa vida pesada demais.

Impressiona-me - olhando pra mim mesmo - quando percebo que também na cotidianidade de nossas relações acontecem exatamente as estações da Páscoa: aplaudimos aquele a quem logo podemos condená-lo; sentamos à mesa com quem "amamos", mas saímos para vendê-lo, caso seu projeto não coincida com o nosso; entregamos a Pilatos os outros, lavamos com ele as mãos, não temos "mais parte", ou nunca tivemos, enfim, são também mistérios do "sábado de silêncio", não de meditação, mas de indiferença. Daí a conclusão é certa: não há ressurreição nas nossas relações, pois permanecemos numa eterna sexta-feira santa de acusações e ressentimentos. Portanto, tentamos apalpar a páscoa da unidade, da reconciliação, da fraternidade, mas não conseguimos.

Eu sei, eu sei bem como preciso meditar em tudo isto, como preciso fazer destas palavras uma oração de súplica e de permissão para que Deus desça em minhas trevas e me arranque de minhas mortes. Desejo o mesmo processo em sua vida, caro leitor e leitora. Eu desejo que estes dias sejam de abundantes graças de conversão e santificação para todos os amigos e amigas deste espaço de fé, o Blog Antonio Marcos. Que sejam dias de graça para mim e para ti. Desejo um santo Tríduo Pascal e uma Santa Páscoa do Senhor, nossa Páscoa, nossa felicidade. Assim seja!

Antonio Marcos

2012-04-04

Fazer da vida um contínuo “Tempo Pascal”: assim a Páscoa refloresce; assim Deus não morre


Salvatore Martinez, Diretor da Renovação Carismática explica por que os cristãos celebram a Páscoa

A Páscoa é tanto a morte como a ressurreição de Jesus. Cristo destruiu a morte, triunfou sobre o inimigo, pisoteou o inferno, acorrentou os poderosos e levantou o homem. O céu finalmente se abriu e foi dado aos homens. Jesus é o nosso resgate, a recompensa prometida mais "alta" que existe: o reino dos céus.

Agora, para comemorar a Páscoa com autenticidade de fé e de compromisso, devemos reconhecer a obra de Jesus: "Cristo, nossa Páscoa, foi sacrificado" (1 Cor 5, 7b). São Paulo exortava a comunidade coríntia a "celebrar a festa com sinceridade e verdade" (cf. 1 Cor 5, 8). Não há maneira de honrar a Cristo, ao seu corpo e sangue oferecidos pela nossa salvação, se não deixando que a verdade do Evangelho de Jesus entre em nossa vida: só assim morremos para nós mesmos e ressuscitamos nele.

Eis a Páscoa, a passagem do Senhor pela nossa vida, que somos convidados a celebrar. A Páscoa que começa com a ressurreição de Jesus deve continuar nas nossas vidas. Sua passagem não é apenas "da morte para a vida", mas "da sua vida para a nossa vida": é assim que a Páscoa cruza os limites da história e acontece para cada homem.

Jesus quer renovar a sua Páscoa em nós: estar incessantemente em todos os pensamentos, em todas as palavras e em todas as obras da nossa vida. Por isso é que somos convidados a viver a Páscoa com "sinceridade": estamos nos aprestando a deixá-lo entrar em nossa vida terrena para nos conduzir até a vida celestial? Em nossas orações expressamos o desejo sincero de viver intimamente unidos a Ele?

São Paulo diz: "Se fostes ressuscitados com Cristo [...] estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus" (Col 3, 1a.3). E ainda: "Com ele também fomos ressuscitados e assentados no céu, em Cristo Jesus" (Ef 2, 6). Esta notícia acrescenta que tipo de entusiasmo aos dias cansados ​​das nossas vidas? Com que convicção faremos da nossa vida um contínuo "tempo pascal"?

Há um escrito de Santo Agostinho que nos vem ao socorro: "Não só não devemos sentir vergonha pela morte de Deus, nosso Senhor, como temos ainda que tirar dela a máxima confiança e orgulho. Ao receber de nós a morte que encontrou em nós, ele fielmente prometeu nos dar a vida nele, a vida que não poderíamos ter por nós mesmos. Como não haveria de nos a justiça, ele que nos justifica e nos desculpa? Como não daria aos justos a sua recompensa, ele que é fiel às suas promessas?" (Sermão 218/C, sobre a Paixão do Senhor).

Páscoa: "graça" aos homens","glória" a Deus

Se Cristo ressuscitou, de que devemos ter medo? O que não deve esperar da graça divina o coração de quem acredita?

Como são grandes as promessas do Senhor! E como somos frágeis nós e as crenças com que alimentamos todo dia a nossa fé!

Jesus ofereceu a sua morte por nós: como e por que duvidar de que aos crentes ele também dará a sua vida?

A maior fraqueza humana sempre foi a desistência de acreditar que virá um dia em que os homens viverão com Deus e de Deus. Muitos perguntam: será mesmo possível, e, acima de tudo, estarei entre eles? Mas Jesus, em seu discurso de despedida, aponta justamente esta "novidade", entregando-a para todos os discípulos na forma de oração ao Pai: "Pai, eu quero que aqueles que me deste estejam comigo onde eu estou, para verem minha glória, a glória que me deste" (Jo 17, 24a).

A glória de Deus não tem limites

Ela não se mostra de acordo com os nossos méritos, mas para tornar acesa permanentemente no mundo a luz pascal e o poder da luz sobre as trevas do mal. Não em abstrato, mas na nossa vida, para nos tornar esplendor da Páscoa, parte da glória de Cristo a ser participada a cada homem.

Um dos primeiros padres da igreja, Irineu de Lion, bem nos explica: "Seguir o Salvador é participar da salvação. Seguir a luz é desfrutar da luz. Quem de nós está na luz não a ilumina, mas é por ela iluminado; nada por si mesmo dá ele à luz, mas só recebe dela o benefício de ser iluminado. Assim o homem: nada dá ele a Deus, porque Deus não precisa de obséquio humano, mas quem segue a Deus e o serve recebe a vida de Deus, imortalidade e glória eterna" (Contra as Heresias)
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A Páscoa se perpetua assim em todos os tempos: assim a glória de Deus preenche o universo. Quem oferece este milagre? O Espírito Santo! São Pedro nos lembra: "Sobre vós repousa o Espírito da glória" (cf. 1 Pd, 4, 14).

É o Espírito que nos faz levantar o olhar para antecipar nas orações o canto da glória de Deus, a glória do céu que há de vir. É o espírito que nos inspira um modo de vida "glorioso", completo, ordenado, feliz, próprio de quem deixou Cristo descansar na sua vida. Se ele repousa em nós, nossa vida está segura! Se ele repousa em nós, não caímos em sono, pois vivemos nele e dele: tudo volta à vida, tudo produz vida, tudo leva à vida! Assim a Páscoa refloresce; assim Deus não morre.

Fonte: ZENIT.org – (“Da sua vida para a nossa vida”), 02 de abril de 2012 (O grifo do texto é nosso).

2012-04-03

A vida que vence a morte

SEMANA SANTA - Dom Alberto Taveira Corrêa, Arcebispo Metropolitano de Belém do Pará.

A luz do Cristo ressuscitado resplandece e ilumina todos os recantos da existência humana, portadora de esperança e vida. É Páscoa da Ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo! A Igreja de Cristo celebra sua festa maior, oferecendo a todos os homens e mulheres o grande anúncio: “Eis agora a festa da Páscoa, em que o real Cordeiro se imolou: marcando nossas portas, nossas alma, com seu divino sangue nos salvou. Esta noite de Páscoa lava todo crime, liberta o pecador dos seus grilhões; dissipa o ódio e dobra os poderosos, enche de luz e paz os corações” (Proclamação da Páscoa na grande Vigília).

Celebramos a festa da Páscoa. Na quinta-feira santa, ao cair da tarde, entramos no Cenáculo, “num andar de cima” (Mc 14,15). Interrompe-se o ritmo do quotidiano, para pensar nas coisas do alto (Cl 3,2). Começou a Páscoa com a Páscoa da Ceia! Ali tudo ganha um novo sentido. A Páscoa é preparada! Quem sabe os discípulos que foram à casa para que tudo estivesse pronto sejam figura do povo de Deus que conclui sua quaresma. Prepara-se esta mesa com a sobriedade do jejum e da abstinência, para chegar à abundância do banquete da vida eterna. Para entrar no Cenáculo, o bilhete é a caridade vivida, um amor misterioso que inquieta, pois é mais do que uma simples amizade. É a noite de seu novo mandamento, tornado visível no gesto daquele que veio para servir e não ser servido, para que a Igreja continue a lavar os pés de todos, começando dos mais pobres! O Cenáculo é novo templo! A comunhão com Deus acontece em torno de uma mesa fraterna, a oração é feita de intimidade. No Cenáculo Jesus antecipa o dom de sua vida. Antes de sua Cruz, antecipa a nova Páscoa, para que os cristãos façam tudo o que Ele disse e fez, para assegurar sua presença perene. Dali para frente, Pão da Vida e Cálice da Salvação, do nascer ao pôr do sol, enquanto esperamos sua vinda!

Começamos a Páscoa com Jesus e não podemos voltar atrás. O medo dos discípulos de antanho, superado com a unção do Espírito Santo, faz com que os de hoje caminhem valorosos para chegar ao Calvário. Sexta-feira santa é a Páscoa da Cruz. Olhar para a Cruz, árvore da vida! Quais pássaros migratórios que percorrem os ares do mundo, pousemos sobre seus braços. Mais ainda, com suprema ousadia, entremos lá dentro do Coração de Cristo, para olhar o mundo pela fenda da chaga aberta pela lança! Tudo ficará diferente! Conversão radical, renúncia ao olhar egoísta dos fatos e sofrimentos. Na Cruz de Cristo, indo com Ele até a experiência do abandono! Ele foi até o fundo do poço, para resgatar o escravo. Não há mais qualquer escuridão e tristeza, desespero e até ateísmo que não sejam preenchidos pelo amor eterno de Deus. Prostremo-nos por terra em adoração! Beijemos devotos a Cruz de Cristo! Que ela seja içada, qual estandarte, sobre todos os montes do orgulho humano, marcada nas frontes para que todos os homens e mulheres olhem para o alto, onde Cristo está sentado à direita do Pai, e olhem uns para os outros, estabelecendo os laços da fraternidade. No coração de Cristo, onde se encontram os dois caminhos da Cruz, está a vitória definitiva, celebrada e comunicada a todos os passantes!

No sábado santo, inquietos pelo silêncio misterioso, Ele “desceu aos infernos. Significa que Cristo ultrapassou a porta da solidão, desceu ao mais profundo e inalcançável de nossa condição de solidão. Mas mesmo na noite mais escura e extrema, onde não penetra qualquer palavra, em que nos sentimos como crianças abandonadas que choram, aparece uma voz que chama, uma mão que nos toma e nos conduz, e a noite humana mais escura é superada porque Ele entrou na noite! O inferno foi vencido quando Ele entrou na região da morte e a “terra de ninguém” da solidão foi habitada por Ele” (Cardeal Joseph Ratzinger, “O sábado da história”, 1998).

Com as mulheres da esperança, vamos à porta do sepulcro. Parece que a terra pulsa ofegante! Certamente o coração da Mãe desolada que teve o corpo exangue de Jesus nos braços continua batendo ao ritmo da fé. Os discípulos escondidos experimentam um misto de santa vergonha e inquietação. Dá para imaginá-los algum tempo depois, comentando o que sentiram! De repente, o primeiro dia da semana ultrapassou o sábado judaico! Ele está vivo! A morte foi vencida! O testemunho é maior dos que as notícias falsas espalhadas pelos que tramaram sua morte. Quando tudo parecia terminado, agora começou! “Eu vi o Senhor”, diz a apóstola dos apóstolos, Maria Madalena!

E a Igreja chega à Páscoa da Ressurreição! A noite é vencida pela luz que resplandece: “Eis a luz de Cristo!”. À luz desse lume que se espalha, a Igreja se recolhe, ouve as maravilhas da História da Salvação. Ressoa de novo o Aleluia – Louvai a Deus! Os sinos repicam e os corações exultam. De pé – posição de ressuscitado! – ouvimos o Evangelho da Ressurreição, o querigma que converte gerações! O Batismo celebrado na noite de Páscoa recebe os que renascem em Cristo e todo o povo num comum “aniversário de Batismo”, renova a fé e assume de novo seus compromissos cristãos. Enfim, recolhidos em torno do Altar, celebramos o verdadeiro Cordeiro Pascal. Alimentados na Eucaristia Pascal, são enviados os cristãos, portadores de vida, quais procissões que cantam aleluia, revestidos da novidade que brota da Ressurreição. Homens novos para um mundo novo. Santa e feliz Páscoa!

Fonte: ZENIT.org, 03 de abril de 2012.

Tudo tinha um propósito: nossa salvação!

Inicialmente não sabemos quais os propósitos de certos fatos na nossa vida, mesmo que muitas vezes tenhamos plena consciência em identificarmos onde erramos. O certo é que nada debaixo do sol é por acaso, e não falo de determinismo, muito menos que Deus queira a dor e a humilhação de seus filhos. Falo, na verdade, da escola que se chama "correção do erro", ainda que sejamos feridos pelas consequências concretas de nossas ações e escolhas. Não é vergonhoso cair e até ser humilhado, vergonhoso é viver isto com o coração arrogante, sem humildade para silenciar diante dos que nos condenam e esperar unicamente que Deus seja capaz de refazer nossos caminhos. Vergonhoso é julgar os fatos da nossa vida sem tirar deles uma lição para que melhoremos. O sofrimento pode ser uma alavanca para um recomeço. Um dia, breve ou longo, a gente entende que nada é acidente de percurso quando o coração confia em Deus e em si mesmo. Por outro lado, a maior força de que precisamos na hora da humilhação e da queda é a de superar os ávidos por nos julgar, quando deveriam rezar, acolher, apoiar, permanecer ao nosso lado sem fingimento, sem aquele "sabor hipócrita" de que o outro é pecador, eu "o inocente". Aquele madeiro, Aquele homem chagado, aquela dor... Tudo tinha um propósito: nossa salvação!

Antonio Marcos

Retornar sempre já é um sinal de que o mal não tem a última palavra

As notícias de cada dia parecem seguir a mesma cartilha: acidente no trânsito, criminalidade, drogas e violência, corrupção por toda parte e conflitos mundiais por interesses econômicos e políticos. Tudo parece querer nos tragar a esperança e a luta pelo bem, pela solidariedade, pela paz no mundo e no coração de cada homem. Fico pensativo e até triste quando vejo o mundo numa agitação sem igual, quando os dias santos que vivemos passam despercebidos de uma grande parcela da humanidade. São dias obscuros, mas que, graças a Deus, o dom da fé autêntica no coração de muita gente continua uma sentinela a guardar as torres da cidade. É Deus que vai sustentando nossas vidas e este mundo, obra de suas mãos. Por isso não me entrego ao pessimismo, não me permito achar que os acontecimentos em Jerusalém nos dias de Páscoa Judaica tenham sido esquecidos, que não tenham força de fazer a sua obra hoje. Sei bem que se esta obra começar em mim, se aqui dentro o mistério da Paixão, Morte e e Ressurreição acontecer de fato, então terei motivos para manter firme a esperança em mim mesmo, na minha família, nos meus amigos, naqueles com quem convivo, no meu país, no mundo. Creio que o caminho é o do amor, como assim descreve o pedido de Jesus: "Como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisto reconhecerão todos que sois meus discípulos" (Jo 13,34-35). Devemos ser, não obstante nossas fraquezas, "uma página viva do Evangelho" na história da vida de muitos. E isto é uma graça, um processo contínuo de retorno para Deus. Retornar sempre já é um sinal de que o mal não tem a última palavra porque Jesus é vencedor de toda morte. Que cada um de nós possamos dizer: Eu creio, eu desejo, eu decido viver isto!

Antonio Marcos

2012-04-02

João Paulo II, Beato: Bendito seja Deus pelos caminhos de sua providência!

Sete anos se passaram, desde aquele 2 de abril de 2005, dia do falecimento do papa João Paulo II (Vaticano, 21h37 / 16h37 de Brasília), servo de Deus, homem perseguido por muitos, homem amado por um rebanho sem proporção, sobretudo de jovens. A sua estação vital durou 84 anos, dos quais 26 foram de pontificado profético, ousado, fiel não ao que simplesmente pensava, mas ao Evangelho e ao Depósito da fé, ainda que isto lhe custasse "muitos inimigos". Seus últimos anos de vida, principalmente as horas finais, foram marcadas pela enfermidade, pelo sofrimento, pela prova da dor... Porém, viveu tudo com fé e coragem, abandono absoluto nas mãos de Deus. Ele que tantas vezes gritou ao homem que não tivesse medo da cruz, de seguir a Jesus até o fim, nesta cruz se apoiou como marca da sua fidelidade e amizade profunda com Jesus, como gesto solene de comunhão e missão. Inclinando a cabeça no báculo do Crucificado, parecia já contemplar sua transfiguração na morte e ressurreição. Rezava por nós, rezava pela Igreja, rezava pelos afastados de Cristo. A notícia de sua morte comoveu o mundo, nos fez chorar, calou as vozes e os julgamentos de quem duvidava de sua santidade. João Paulo II nos ensinou a viver e a morrer. O sofrimento não tem a última palavra na vida de quem confia em Deus. Os jovens gritaram "santo subito" ('santo já' em italiano). O Beato João Paulo II hoje intercede por nós e, de forma particular, pedimos a ele pelos jovens e por todos aqueles que ainda não encontraram o segredo da felicidade: a amizade com Jesus, "único que pode satisfazer as nossas necessidades mais profundas", como ele mesmo falou tanto aos jovens. Obrigado, amigo João Paulo II, Beato, e Bendito seja Deus pelos caminhos de sua providência na história pessoal de nossas vidas, na Igreja e na humanidade.

Antonio Marcos

2012-04-01

Homens e livros

Artigo: Antonio Mourão Cavalcante - Médico, antropólogo e professor universitário

Essa semana a imprensa publicou o resultado de uma pesquisa que revela: 75% de brasileiros jamais frequentou uma biblioteca. Isso é muito ou pouco? Extasiado, caminhando contra o vento, Caetano Veloso, um dia cantou: “O sol nas bancas de revista, me enche de alegria e preguiça. Quem lê tanta notícia?”.

A sociedade brasileira ama a imagem e o som. Daí a fissura na TV. Somos ágrafos. Quase odiamos a leitura. Que se torna compulsória um tempo, quando da época do vestibular (hoje Enem). Por isso, vira chatice – quase tortura - entrar numa sala que expõe livros e mais livros. Logo dá espirros e comichões.

O ambiente das bibliotecas, de um modo geral, não tem nada de atraente. É inóspito, escuro. Lúgubre. Não se oferece um clima agradável e convidativo.

A concepção de biblioteca hoje deveria ser ampliado, cabendo a noção de centro cultural. Com livros, revistas, jornais, vídeos, musicais e computadores com acesso a internet. Um espaço também adaptado ao público infantil. Auditórios onde aconteçam eventos culturais, concursos literários, lançamento de livros. Cursos de iniciação à leitura. Enfim, um local que possa atrair e motivar os jovens.

A maior biblioteca do mundo está em Washington, no Congresso dos Estados Unidos. Esse exemplo espalhou-se pela América e toda comuna/município americano tem uma. Seria uma grande iniciativa se cada município do Brasil tivesse uma biblioteca mantida pela Câmara Municipal. Poderia funcionar como um prédio anexo e seria mantido com verbas da casa legislativa mirim.

Essa ideia daria oportunidade aos jovens de conhecerem uma casa de cultura – sua biblioteca – e, por extensão a casa do povo, seu parlamento.

Algumas empresas, com suas mega livrarias, abrem possibilidades muito interessantes. São verdadeiros espaços culturais. Eles indicam como deveriam ser as bibliotecas: amplas, climatizadas, bem iluminadas, cadeiras confortáveis, acesso a internet.

Podemos evoluir muito nesse domínio. Monteiro Lobato advertia que: “uma nação se faz com homens e livros...”.

Fonte: Jornal O Povo (“Opinião”), 01 de abril de 2012.