2012-03-24

O amor e seu compasso...

A afetividade é uma criança frágil que mora em nossa casa. Precisamos olhá-la sempre, acompanhar seus movimentos. Há momento de descoberta, de sonhos e ilusões... Há momentos de intensa realidade, inclusive os desejos, ainda que eles nos enganem tantas vezes. Portanto, quando esta criança cai e se machuca até, não precisamos fazer grandes alardes, pois são degraus dentro de uma escola do aprendizado, sobretudo da convivência e do amor. Afetividade equilibrada é um processo árduo, porque implica vontade, renúncia, risco, prudência, escolhas, encontros e desencontros. Mas, pra nossa alegria, bom mesmo é ver a criança crescendo, caindo e chorando menos, sabendo lhe dar com o que não correspondeu com suas expectativas e esperas, ainda que tudo nos parecesse tão certo, tão lógico, tão romântico, tão "nós dois". Tudo tem seu ritmo e seu tempo, seu compasso, sua dinâmica e seu mistério. É preciso aprender a esperar, ainda que na dor e sem muitas vezes ter como evitar novas desilusões se o amor é um passo também no desconhecido. Esperar nos mantém vivos, inclusive para as novas surpresas do coração de Deus. Esperar sem perder o brilho da convivência pode ser o melhor caminho. Deus sabe o melhor para nós, ainda que este melhor "queira necessitar" da abertura do coração, do deixar-se amar, porém, ainda assim, o Amor sabe sempre encontrar uma forma de nos conduzir à realidade, ao seu mistério, ao seu "encontro pensado" para nós, ao amor. Criança que cresce, que sente e chora, que ama e espera... O amor e seu compasso...

Antonio Marcos

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