"As devidas razoes de um coração que crê e espera na fé" (1 Pedro 3,15)

2012-03-24

O amor e seu compasso...

A afetividade é uma criança frágil que mora em nossa casa. Precisamos olhá-la sempre, acompanhar seus movimentos. Há momento de descoberta, de sonhos e ilusões... Há momentos de intensa realidade, inclusive os desejos, ainda que eles nos enganem tantas vezes. Portanto, quando esta criança cai e se machuca até, não precisamos fazer grandes alardes, pois são degraus dentro de uma escola do aprendizado, sobretudo da convivência e do amor. Afetividade equilibrada é um processo árduo, porque implica vontade, renúncia, risco, prudência, escolhas, encontros e desencontros. Mas, pra nossa alegria, bom mesmo é ver a criança crescendo, caindo e chorando menos, sabendo lhe dar com o que não correspondeu com suas expectativas e esperas, ainda que tudo nos parecesse tão certo, tão lógico, tão romântico, tão "nós dois". Tudo tem seu ritmo e seu tempo, seu compasso, sua dinâmica e seu mistério. É preciso aprender a esperar, ainda que na dor e sem muitas vezes ter como evitar novas desilusões se o amor é um passo também no desconhecido. Esperar nos mantém vivos, inclusive para as novas surpresas do coração de Deus. Esperar sem perder o brilho da convivência pode ser o melhor caminho. Deus sabe o melhor para nós, ainda que este melhor "queira necessitar" da abertura do coração, do deixar-se amar, porém, ainda assim, o Amor sabe sempre encontrar uma forma de nos conduzir à realidade, ao seu mistério, ao seu "encontro pensado" para nós, ao amor. Criança que cresce, que sente e chora, que ama e espera... O amor e seu compasso...

Antonio Marcos

2012-03-21

Se procurarem em mim um Pastor, tenho algo a oferecer

Palavras do monsenhor José Luiz Gomes Vasconcelos ao povo de Deus na Igreja de Fortaleza. O mesmo foi nomeado bispo auxiliar pelo papa Bento XVI.

Exmo. Sr. Arcebispo Metropolitano de Fortaleza, Dom Jose Antônio Aparecido Tosi Marques; Excelentíssimo Sr. Bispos Auxiliar de Fortaleza e Dom Rosalvo Cordeiro de Lima, Excelentíssimo Sr. Bispo Eleito para Pesqueira Dom José Luís Ferreira Sales; reverendíssimos padres e diáconos; estimados religiosos e religiosas, seminaristas, consagrados(as), missionários(as) que atuam nesta desde já tão amada Arquidiocese de Fortaleza, estimado Povo de Deus! A todos vós saúde e paz da parte de Deus nosso Pai e de Jesus nosso Redentor!

Desde a minha mais tenra juventude escutei o eco de um chamado feito por Jesus ao Apóstolo Pedro: “Pedro, tu me amas? Apascenta as minhas ovelhas!” (Jo21,17) A pergunta e a ordem dadas por Jesus sempre me inquietaram. Sentia no meu hoje, que Jesus estava a perguntar-me: José Luiz, Tu me amas? E nunca, jamais, hesitei em dar a mesma reposta de Pedro: “Senhor, tu sabes tudo, tu sabes que eu te amo!” E, por causa deste amor por Jesus, acolhi, como Pedro, a missão de apascentar suas ovelhas. Passei a amar verdadeiramente essas ovelhas porque elas são de Jesus, o maior amor de minha vida. Vejo que o rebanho é diferenciado: existem ovelhas gordas, ovelhas fiéis, ovelhas que conhecem à voz do Pastor; mas também encontro ovelhas doentes, sofridas, perdidas, e até extraviadas e rebeldes! Amo a todas, todavia! Amo a todas sem distinção. E, se tenho preferência por algumas, o meu amor preferencial é pelas mais necessitadas.

A este rebanho de Jesus decidi definitivamente consagrar minha vida. No dia 09 de dezembro deste ano faz 23 anos que esta consagração se efetuou quando fui ordenado presbítero, pastor do Povo de Deus com o lema: “Tu me amas? Apascenta as minhas ovelhas”. Fui e sou um sacerdote feliz. Por 16 anos exerci o pastoreio como Administrador Paroquial e Pároco em duas grandes Paróquias, colaborando com a pastoral da Diocese de Garanhuns. Porém, há quatro anos, o Senhor me chamou para cuidar dos seus “cordeiros”, cordeiros escolhidos, jovens seminaristas em processo de discernimento vocacional de cinco dioceses do interior de Pernambuco em Caruaru. Que missão árdua, porém, gratificante! Cuidar dos futuros pastores da Igreja! Garantir a sucessão da missão.

Finalmente, a Igreja me convoca para algo mais. O Bom Pastor assim me diz: “Tenho outras ovelhas que não são deste rebanho”, e convida-me a deixar agora estes “cordeiros” para cuidar deste novo rebanho. Qual a minha resposta? “Eis-me aqui Senhor!” Afinal são sempre tuas ovelhas e teus cordeiros, o teu rebanho. O Senhor insiste comigo: “Pasce oves meas” – “apascenta minhas ovelhas”, (Jo 21,17) será meu lema episcopal, sem esquecer que a esta ordem antecede a pergunta sempre oportuna: “Tu me amas?”.

Sinto-me agraciado em ter sido chamado por aquele que sucede ao Apóstolo São Pedro para compor o colégio dos sucessores dos Apóstolos de Nosso Senhor Jesus Cristo e de receber a plenitude deste sacerdócio que tanto amo. Sinto-me pequeno e indigno de tal missão e responsabilidade, mas creio que quando o Senhor chama, concede àquele que é chamado as graças necessárias para desempenhar esta missão.

Coloco-me a disposição do chamado de Jesus o Bom Pastor. Peço a Deus a graça de ser fiel. Fiel ao Santo Evangelho, fiel a Santa Madre Igreja, fiel ao Santo Padre o Papa, fiel aos apelos desta Arquidiocese da “Terra do Sol”, fiel à opção preferencial pelos pobres e as prioridades da Igreja no Brasil. Eis-me aqui Senhor!

Se procurarem em mim um teólogo, um perito em direito canônico, um zeloso administrador, terão que esperar um pouco, tenho muito a aprender. Se, porém, procurarem em mim um Pastor, tenho algo a oferecer.

Desde já roguem a Deus por mim, para que seja capaz de superar os meus limites humanos e servir com qualidade e fidelidade, mas, sobretudo, com muito amor, a esta Arquidiocese confiada ao Patriarca São José. Que por sua intercessão, possamos juntos, dar continuidade a uma bela história. História de fé, de esperança, de amor; enfim, de salvação.

Em breve nos veremos e na graça de Deus vamos caminhar juntos.

Fraternalmente: Pe. José Luiz Gomes de Vasconcelos.

Fonte: Publicado no Site da Arquidiocese de Fortaleza (O grifo é nosso)
(Imagem: Bom Pastor - Arte Sacra João Zabel)

2012-03-20

Quaresma: apoiados na fé, estimulados na esperança!

 "...Haverá peixes em quantidade, pois ali desembocam as águas que trazem saúde; e haverá vida aonde chegar o rio", diz a profecia de Ezequiel (47, 9.12). Que este rio de água viva, Senhor, chegue ao nosso coração, à nossa mente e inteiramente a todo o nosso ser. Que este rio de água viva penetre às consciências torpes, recrie a capacidade para o bem, para a honestidade, para a honra e a virtude. Que este rio de água viva contnue sendo a fonte da Igreja, e ela nos conduza e nos sacie a sede, dando-nos a água viva da Palavra de Deus e da Eucaristia, dos ensinamentos e da orientação ao caminho seguro. Que este rio de água viva cure, gere salvação, faça brotar a semente adormecida, afinal, esta água sai do santuário, por isso gera frutos. Continuemos o caminho neste "deserto existencial", apoiados na fé, estimulados na esperança. Tempo de Quaresma. Aproxima-se a celebração do Mistério dos mistérios. Desejemos esta água viva!

Antonio Marcos

2012-03-19

São José, Bendito para sempre, quantos bendizem o vosso nome, Amém!

Às vésperas da celebração da Solenidade de São José, esposo de Maria, chegou em minhas mãos esta saudação dedicada a este homem a quem as Escrituras chama de "justo". Uma saudação muito especial (traduzida do Francês) e que, na verdade, trata-se de uma verdadeira oração de contemplação. Ao mesmo tempo, cada linha gera um desejo imenso de imitar a vida de São José, sobretudo quando o saúda como “Ave José, santamente calado”. O que se sabe pelo mistério da vida de São José é que este homem falou muito, falou a linguagem da fé que vai além de toda e qualquer incerteza; falou a linguagem do amor, que ama em qualquer circunstância, que cuida, protege, se doa até o fim; falou a linguagem da união de coração ao amado Deus e à sua amada Maria. Mistério profundo! Uma linda saudação, uma rica oração inspirada por Deus ao coração de São João Eudes. Deixemos que ela também gere em nós desejo e decisão de nos aproximarmos do modelo de vida de São José. Rezemos... 

SAUDAÇÃO A SÃO JOSÉ (São João Eudes)

Ave José, imagem de Deus Filho,
Ave José, Templo do Espírito Santo,
Ave José amado pela Santíssima Trindade,
Ave José, fiel cooperador do projeto de Deus,
Ave José, esposo digníssimo da Virgem Mãe,
Ave José, pai de todos os fiéis,
Ave José, protetor das santas virgens,
Ave José, santamente calado,
Ave José, amante da santa pobreza,
Ave José, exemplo de mansidão e paciência,
Ave José, espelho de humildade e obediência.
Bedito sois vós entre os homens:
Bendito vossos olhos, que viram o que vistes,
Bendito vossos ouvidos, que ouviram o que ouvistes,
Benditas vossas mãos, que apalparam o Verbo Encarnado,
Benditos vossos braços, que levaram Aquele que leva todas as coisas,
Bendito vosso peito, no qual o Filho de Deus suavemente descansou,
Bendito seja o Pai eterno, que vos escolheu,
Bendito seja o Filho que vos amou,
Bendito seja o Espírito Santo que vos santificou,
Bendita seja Maria, vossa esposa, que vos amou como esposo e irmão,
Bendito o Anjo que vos guardou,
Bendito para sempre, quantos bendizem o vosso nome,
Amém!

2012-03-14

O ser humano está como “anestesiado” diante do outro

Reflexão de Frei Patrício Sciadini sobre a mensagem do Papa para esta Quaresma

Não tenho receio em definir a mensagem para esta quaresma 2012 do Santo Padre o Papa Bento XVI, uma das mais belas de todas as quaresmas, desde que o Papa começou a enviar uma mensagem especial. Simples na linguagem, direta, que nos obriga não a uma leitura rápida, mas sim a uma leitura demorada, meditativa, contemplativa, a voltar mais vezes ao texto para perceber como atrás de cada palavra o Papa quer nos acordar do nosso sono letárgico espiritual, que ele chama “anestesia espiritual”. O coração da mensagem é tirado da Carta aos Hebreus 10,24: “Olhemos uns pelos outros para estimularmos a caridade e as boas obras.”

Devo reconhecer que eu nem sabia deste texto e nem conhecia. A palavra de Deus é de uma riqueza que não se esgota numa só leitura. Cada um a lê segundo o momento particular que vive, pessoal ou comunitariamente, ou eclesial ou mundialmente. O olhar do Papa que conhece a realidade do mundo e o momento de “crise” que passa, vê que o ser humano está como “anestesiado” diante do outro. O outro não interessa, e um número que nos passa perto, uma fantasma e não uma pessoa amada,  parte de nós mesmos.   Atenção ao outro exige que se deseje para o outro todo o bem.

A pessoa não pode ser feliz a pedaços, como pedras de mosaico, separadas umas das outras, mas no seu conjunto: a felicidade, o bem e a globalidade da pessoa que se realiza no seu todo. Não há felicidade quando falta o pão na mesa, o trabalho, os meios para curar-se das doenças, o alimento cultural que gera desenvolvimento. É preciso uma revolução a partir de dentro de nós mesmos, que nos coloque diante do outro como nosso irmão e deseja para o outro o que nós desejamos para nós.

A Sagrada Escritura adverte contra o perigo de ter o coração endurecido por uma espécie de “anestesia espiritual”, que nos torna cegos aos sofrimentos alheios. (n. 1)

Na verdade os sacerdotes levitas não maltratam quem tinha caído nas mãos dos ladrões e estava meio morto à beira da estrada, nem o ofenderam, nem tampouco cuspiram nele. Mas passaram e viraram o olhar ao outro lado. É o pecado da indiferença que está se tornando a cultura dominante do mundo.  Não dar importância ao outro. A quaresma é o momento em que devemos nos acordar da anestesia, sentir dor não só pelas nossas feridas, mas também as dos outros. A vida cristã não é uma filosofia e um discutir sobre os problemas, mas sim ver, julgar e agir… Sem ação direta não haverá mudanças de estruturas  e de estilo de vida, nem compromisso social que leve o ser humano a uma vida mais digna.

Fonte: ZENIT.org ("Acordar da anestesia espiritual") – 12 de março de 2012 - Frei Patrício Sciadini, ocd, religioso, Carmelita Descalço, escreveu mais de 60 livros, publicados no Brasil e no exterior, atualmente é o delegado geral no Egito.

2012-03-04

Amar até o fim! É este o significado da Cruz!

BOTE FÉ: Trechos da homilia do Arcebispo de Fortaleza, Dom José Antônio Tosi, 03 de março de 2012 - (Parte 2)

Caríssimos jovens, o papa João Paulo II nos ensinou, através do mistério da vida de Jesus Cristo, que amar é dar a vida até o fim. Jesus pré-anunciou que morreria e sabia que poderia ser incompreendido, mas o fruto da ressurreição haveria de convencer. O legado da Cruz é testamento deixado por Jesus a jamais ser esquecido. É expressão do amor que ama até às últimas conseqüências.

Esse testamento continua sendo passado de geração em geração, e se trata de algo vivido, experimentado. A peregrinação da Cruz é levar o segredo da felicidade aos outros. Num mundo onde as pessoas se enganam na busca da felicidade quando escolhem caminhos ilusórios..., o amor de Deus pelo homem e no coração do homem, expresso no sinal da cruz, mostra-se como o segredo da felicidade.

Por que os jovens são atraídos a esta Cruz? Porque ela representa a vida, não a morte. Representa a vida que venceu a morte, expressão máxima do amor de Deus pelo homem. Por isso quando dizemos que a Cruz é sinal extremo do amor de Jesus, não o fazemos na condição de “pregado e morto”, mas na condição de vivo, ressuscitado, presente no meio de nós e dentro de nós. Ele é o vivente que passou pela cruz!

Meu caros amigos jovens, não esqueçam que a grande revolução humana acontece quando o coração muda do egoísmo para o sentir o próximo, o viver para o outros, porque amar é se ofertar até o fim. É este o significado da Cruz! Aprendemos isto com o testemunho de Jesus que não quis ser servido, mas tornou-se servo dos irmãos, amou ao extremo.  Unir-se a Ele no mistério da sua Cruz é amizade e amor que nos liga misteriosamente aos outros.

Antonio Marcos (Anotações pessoais) 

João Paulo II nos deixou um legado que passa de vida em vida


BOTE FÉ: Trechos da homilia do Arcebispo de Fortaleza, Dom José Antônio Tosi, 03 de março de 2012 - (Parte 1)

Irmãos e irmãs jovens, nós – e vocês particularmente – recebemos um legado com o gesto do papa entregar aos jovens a Cruz (1984) e o ícone de Nossa Senhora (2003). Ela é o símbolo do amor de Deus por nós em Jesus Cristo, amor que se oferta até o fim. Este legado vai passando de mãos em mãos, passando de vida em vida. Acompanha a Cruz o ícone da Virgem Maria, porque ela foi a primeira beneficiada e participante do dom da cruz.

Mas, o que significa receber este legado de João Paulo II? Significa que ele queria que o maior dom do amor de Deus não deixasse de chegar ao coração e à vida das gerações futuras. Este legado é a vida de Cristo e o seu amor. Queria o papa que outros tivessem uma nova oportunidade de despertar na fé. João Paulo II quis que as novas gerações experimentassem da felicidade verdadeira que só Deus pode conceder ao coração do homem. Gerações essas que ele reuniu e a quem se ofertou com todas as suas forças de juventude até a oblação de sua vida como ancião.

Como bem sabemos, todos desejamos a felicidade, e é a juventude a expressão do desejo de viver esta paixão: ser feliz! Esta felicidade nos foi dada em Jesus Cristo. Nele o segredo da vida feliz foi revelado. E, Jesus, morrendo na cruz de forma injusta e vergonhosa, não se arrependeu de acreditar na pessoa humana. Assim, recebendo do Pai o dom da ressurreição, quis que o seu caminho se tornasse o caminho de todos que desejam a felicidade.

Antonio Marcos (Anotações pessoais)