Encontros, desencontros e reencontros

Escrito Por Antonio Marcos na domingo, fevereiro 12, 2012 5 comments
Texto de: Zenilce Vieira Bruno, Psicóloga, sexóloga e pedagoga

Este é o título de um livro de Maria Helena Matarazzo, minha colega da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana. No nosso último Congresso, disse a ela que ainda escreveria algo com esse título e hoje me sinto inspirada e autorizada a fazê-lo
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As redes sociais têm facilitado muito nosso contato com antigos colegas de colégio, faculdade, e nos motivam a marcar um grande reencontro. É inacreditável como parece que nunca nos separamos. As mesmas brincadeiras, conversas e até planos como se fôssemos recomeçar a vida e, enfim, fazermos aquilo que planejamos na juventude.

Sempre saímos desses momentos renovados e com datas marcadas para o próximo reencontro. Tudo seria perfeito se a vida não voltasse ao normal e analisássemos o que estamos fazendo e principalmente com quem estamos vivendo.

Vem, em alguns casos, um sentimento de frustração e tristeza. Cadê aquela jovem garota que já chegou até a ser miss? E o jovem sonhador? Estão quietinhos e muitas vezes solitários. Alguns se tornaram grandes estrelas, outros não conseguiram brilhar. E, para ser sincera, alguns vibram com nosso sucesso. Outros, nem tanto.

E a grande questão é: o que fazer com esses sentimentos? Alguns não vão aos encontros exatamente por desconhecerem suas capacidades de lidarem com um “novo velho”. “Será que vão me achar gordo, chato, fracassado?” Com certeza acharão se é assim que você se sente. Mas outros não, vestem sua melhor roupa, dão uma “repaginada”, levam seu “currículo” profissional e pessoal e seguem numa alegria invejável. Esses sim vão ter um reencontro maravilhoso. Outros são indiferentes, foram os que deixaram “a vida me levar” e até hoje não sabem onde foram parar. Desses ninguém sente falta, talvez na hora da fotografia do grupo ou na despedida do encontro.

Mas o que mais me encanta, e não poderia deixar de ser, são os reencontros amorosos! Depois de tantos anos resolvem dizer finalmente que eram apaixonados, e, na maioria das vezes, com grandes risadas, mas em outras com algumas lágrimas de atraso e desencanto. A conversa quase sempre gira em torno do que poderia ter sido. Mas a melhor parte é renovar os planos e sentimentos. Aí vemos no casal uma alegria juvenil indescritível!

Recomeçar é mais difícil do que começar. Existe um medo enorme de errar de novo. Parece ser a última chance, e muitas vezes é mesmo. Mas cabe a quem encontrou, desencontrou e finalmente reencontrou aproveitar cada momento vivido sem esse tal medo de errar, porque iremos sim continuar sendo nós mesmos, provavelmente com mudanças, mas nossa essência será sempre a mesma. Talvez o grande causador das separações seja o desconhecimento dessa essência e que só depois de algum tempo temos maturidade para reconhecê-la.

Com a honra de escrever aqui o que penso, tenho a ousadia de oferecer o artigo de hoje a todos que durante os meus 50 anos passaram pela minha vida. Para os que eu encontrei, desencontrei e reencontrei minha grande alegria. E aos que eu não consegui mais abraçar, muita saudade!

Fonte: Publicado no Jornal O Povo (Opinião), Fortaleza, 12 de fevereiro de 2012.