ABORTO: “Ninguém pode ser julgado antes de ser provado que ele é culpado!”

Escrito Por Antonio Marcos na quinta-feira, fevereiro 09, 2012 Sem Comentários
Texto de: Frei Patrício Sciadini, OCD. (Parte 1)

Nunca o aborto esteve tanto na moda como hoje. Fala-se dele nas entrevistas feministas que se acham em direito de tratar do aborto como se trata de cirurgia plástica ou de um produto de maquiagem... Fala-se do aborto nos botequins e dentro dos ônibus, nas grandes platéias de políticos ou nas ruas. Fala-se de aborto com a maior simplicidade, como algo que nos interessa de perto; falam de aborto os que defendem o planejamento familiar como de um método inócuo, inocente, bom. Há quem se coloca contra por princípios ou motivos religiosos, sem conhecer o que é. Mas quando, falamos de aborto esquecemos algo importante: nos é permitido falar de aborto só porque um dia as nossas mães foram mulheres corajosas, fortes e amaram a vida, a nossa vida acima de tudo, e não abortaram, por isso estamos vivos. Se elas tivessem decidido abortar não estaríamos aqui discutindo sobre o aborto.

Acho no mínimo deselegante falar de legitimidade do aborto nós que estamos vivos. Deveríamos fazer uma pesquisa séria, honesta entre nós e ver quantos não “teriam gostado” de nascer e teriam preferido que suas mães os tivessem abortado. Os filósofos conseguiram definir o ser humano como “animal racional” que pensa, que tem capacidade de conhecer de decidir entre o bem e o mal. Mas cheguei à conclusão – talvez alguém me vai atirar pedras – que não há ninguém mais irracional que o ser humano. É incompreensível que, de um lado, defenda e lute pela vida do universo, pela ecologia, grite, faça passeata para eliminar focos de escravidões, que grite contra a pena de morte e, ao mesmo tempo, posicione-se a favor do “aborto”, que é eliminar sumariamente alguém que vive, que existe não como hipótese, mas como realidade, sem lhe permitir o direito primário do ser humano de se “defender”. Ninguém pode ser julgado antes de ser provado que ele é culpado. Quem defende a vida que ainda está informe, mas é vida, incapaz de se defender? Como pode ser condenado à morte sem ser ouvido? Às vezes se diz que o aborto é um tema polêmico e difícil para ser julgado, mesmo no plano ético, moral.

Na verdade, creio que é preciso ter uma visão honesta da vida. Assumir a cultura da vida e rejeitar toda cultura de morte. Não há nenhuma causa que justifique o aborto intencional. A vida é um valor que deve ser defendido com todas as forças. A defesa da vida não necessita que se busquem argumentos nem silogismos filosóficos ou teológicos, ela é vida e como tal se defende sozinha, sem necessidade de advogados.

Fonte: Uma Palavra Basta (“Aborto”), Edições Shalom, 2004.
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