A Igreja se seculariza quando reduz a fé à medida humana

Cardeal Robert Sarah adverte: a secularização entra na igreja quando deixa de propor uma fé fundada na revelação de Cristo para reduzi-la às exigências e à mentalidade do homem moderno.

Viver a difícil liberdade

Nestes nossos dias muito se fala de liberdade, seja de expressão, de opinião, sexual, afetiva ou financeira.

Sobre os Felizes

Olá, amigos e amigas leitoras, estamos de volta! Partilho com vocês esta Coluna me enviada no WhatsApp por uma amiga.

Namoro: escola de aprendizados felizes, apesar dos desafios

Partilhar a vida a dois é um anseio do coração humano, uma vocação, uma vivência que passa por muitas experiências de aprendizado...

2012-02-29

BOTE FÉ: a juventude se torna mensageira da paz!

Certamente o Bote Fé, e consequentemente a peregrinação da Cruz e do ícone de Nossa Senhora, trarão muitos benefícios para a evangelização da juventude, como para toda a cidade de Fortaleza e todo o Estado. É a juventude que se torna mensageira da paz aos outros jovens, uma necessidade em nossos dias. Creio que o Bote Fé traz uma mensagem de esperança e integridade para o nosso povo, para os jovens particularmente, e para a nossa cidade. (Pe. Denys Lima, CCSh – membro da equipe organizadora do Bote Fé Fortaleza, Coletiva de 28 de fevereiro)".

Por Antonio Marcos

O caminho da Cruz e o olhar materno de Maria


BOTE FÉ FORTALEZA 2012: É grande a alegria de contemplar a Santa Cruz, madeiro no qual pendeu a salvação do mundo, a minha salvação. E a contemplarei com Maria, na fé da Igreja. Mais que símbolos, são sacramentais que provocam positivamente a sensibilidade da fé e fortalece o coração com uma espiritualidade concreta, capaz de fazê-lo desejar ainda mais unir-se a Jesus. Um dia especial de graças. Um momento que deve impactar a juventude e a todos os que cruzarem o caminho da Cruz e o olhar materno de Maria. Diante da Cruz da minha salvação quero viver de todo coração a contemplação, a oração, as lágrimas, a profunda gratidão e a certeza de que o Amor de Deus terá sempre a última palavra na minha vida e na história da humanidade.

Antonio Marcos

O Cristianismo é Jesus Cristo!

Sim, João Paulo II, amigo no céu, muitos de nós, jovens de hoje e jovens a mais tempo, sabemos por experiência que esta nossa fé é mesmo uma Pessoa, Jesus. E é verdade que aprendemos tanto contigo, com o testemunho de tua vida doada até às últimas consequências! Porém, ajuda-nos com a tua intercessão a não desanimarmos da missão de evangelizar, sobretudo do nosso próprio processo por sermos, cada dia, outra vez evangelizados, visto que não podemos dar aquilo que não temos. Tornar o nome de Jesus conhecido e amado, ajudar os outros a provarem da incomparável experiência de ser amado por Cristo, eis a nossa missão como batizados. Ajuda-nos, querido beato João Paulo II.

Antonio Marcos

2012-02-23

Viver para si mesmo não é felicidade

Trechos da homilia do Pe. João Paulo Dantas, CCSh (Professor da FCF), 23 de fevereiro de 2012: 

O Senhor nos convida a “escolhermos a vida, amando-o com sinceridade e obedecendo sua voz”. Ora, só o amor realiza a natureza do homem. Todo caminho que distorce desta verdade é um modo de negá-lo. Devemos ser como a “árvore plantada à beira do lago”, darmos frutos no Senhor, no seu amor. É feliz quem vive assim, “é feliz quem a Deus se confia”, como reza o salmista. O Evangelho parece mesmo um paradoxo: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz cada dia e siga-me” (Cf. Lc 9,22-25). Isto não parece contradizer nossa natureza? Não nos parece um convite a negarmos nossa natureza, nossa existência, abdicando de nossa realização pessoal para abraçar a cruz?. Na verdade, este é o segredo da felicidade, porque viver para si mesmo não é felicidade. Ora, somos pecadores e a renúncia de que pede Jesus é, sobretudo, do pecado. Jesus é o remédio que nos cura. Renunciar a si mesmo é renunciar a tudo que se contrapõe ao amor a Deus e ao próximo. Seguir Jesus é ter uma vida verdadeira, vida no amor, vida muito maior. Fomos criados para o amor e para vivê-lo precisamos da graça de Deus. Quanto mais vivemos para os outros, mais somos felizes. Que a graça de Cristo nos acompanhe e nos ajude a viver este Quaresma como autêntico caminho de conversão e adesão ao projeto de Jesus, único que nos faz plenamente felizes.

Antonio Marcos (Anotações pessoais)
Imagem: "Blog Antonio Marcos, 2012"

2012-02-22

“Que a saúde se difunda sobre a terra”

Quaresma e CF 2012 - Palavra do Pastor: Dom José Antonio Aparecido Tosi Marques - Arcebispo Metropolitano de Fortaleza.

Iniciamos a Quaresma com a Quarta-feira de Cinzas – neste ano 22 de fevereiro –, quarenta dias de encontro com Jesus, no acolhimento do Evangelho e na busca da conversão. Assim a Páscoa de Cristo se torna realidade em nossa vida: passagem da escravidão para a liberdade, de terra estranha para a própria terra prometida por Deus, do pecado para a graça, da morte para a vida.

Ao recebermos a imposição das cinzas, no início da quaresma, somos convidados a viver o Evangelho, viver da Boa Nova. Crer no Evangelho é crer em Jesus Cristo que na doação amorosa da cruz deu-nos vida nova e concedeu-nos a graça de sermos filhos do Pai. Com sua morte transformou todas as realidades, doando Seu Espírito de Amor, criando um novo céu e uma nova terra.

A quaresma é o caminho que nos leva ao encontro do Crucificado-Ressuscitado. Caminho, porque processo existencial, mudança de vida, transformação da pessoa que recebeu a graça de ser discípulo-missionário. A oração, o jejum e a esmola indicam o processo de abertura necessária para sermos tocados pela grandeza da vida nova que nasce da cruz e da ressurreição do Senhor. Assim, atingidos por Ele e transformados n’Ele, percebemos que todas as realidades devem ser transformadas, para que todas as pessoas possam ter a vida plena do Reino.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) promove a Campanha da Fraternidade, desde o ano de 1964, como itinerário evangelizador para viver intensamente o tempo da quaresma. A Igreja no Brasil propõe como tema da Campanha deste ano: “A fraterni­dade e a Saúde Pública”, e com o lema: Que a saúde se difunda sobre a terra (cf. Eclo 38,8). Deseja assim, sensibilizar a todos sobre a dura realidade de irmãos e irmãs que não têm acesso à assistência de Saú­de Pública condizente com suas necessidades e dignidade. É uma realidade que clama por ações transformadoras. A conversão pede que as estruturas de morte sejam transformadas.

O Texto base CF 2012, 178 – 179 assim se expressa: “As obras de Jesus manifestavam, assim, sua origem divina e sua messianidade. É dessa forma que ele responde aos discípulos de João Batista, ao ser questionado sobre se era ou não o messias: “Ide contar a João o que vistes e ouvistes: cegos recuperam a vista, paralíticos andam, leprosos são purificados e surdos ouvem, mortos ressuscitam e a pobres se anuncia a Boa Nova” (cf. Lc 7,22). Com sua ação evangelizadora, Jesus não apenas cura os doentes, mas resgata o ser humano para o meio da sociedade, dando-lhe dignidade e apresenta uma nova forma de relacionar-se com as pessoas necessitadas. O Novo Testamento é repleto de relatos de Jesus curando os doentes, os quais testemunham que a ação salvífica de Jesus também acontecia em suas intervenções no cuidado e atenção aos que sofrem.”

A cada ano a Igreja chama todos para o acolhimento da salvação, atualizando a proposta de Jesus: “Cumpriu-se o tempo, e o Reino de Deus se aproxima: Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1, 15). O Reino de Deus já está atuante pela Páscoa de Jesus, sua doação de vida, morte, ressurreição e dom do Espírito que age na humanidade e “faz novas todas as coisas” (Apc 21, 5).

É para um dinamismo de transformação que age o Espírito de Cristo, Senhor Ressuscitado e vencedor pelo dom da vida: na força da Palavra de Deus, na ação da graça divina que ilumina para o conhecimento da realidade do mundo ferido pelo pecado e resgatado pelo amor de Deus; tempo de jejum, abstinência, mudança de pensamentos, sentimentos, opções, realizações pessoais e comunitárias que tornam as pessoas disponíveis aos projetos e iniciativas de Deus.

A Igreja, nessa quaresma, à luz da Palavra de Deus, deseja ilumi­nar a dura realidade da Saúde Pública e levar os discípulos-missioná­rios a ser consolo na doença, na dor, no sofrimento e na morte. E, ao mesmo tempo, exigir que os pobres tenham um atendimento digno em relação à saúde. Que ela se difunda sobre a terra, pois a salva­ção já nos foi alcançada pelo Crucificado.

“Jesus não tem só poder de curar, mas também de perdoar pecados: ele veio curar o homem inteiro, alma e corpo; é o médico de que necessi­tam os doentes. Sua compaixão para com todos aqueles que sofrem é tão grande que ele se identifica com eles: “estive doente e me visitaste” (Mt 25,36). Seu amor de predileção pelos enfermos não cessou, ao longo dos séculos, de despertar a atenção toda especial dos cristãos para com todos os que sofrem no corpo e na alma. Esse amor está na origem dos incansáveis esforços para aliviá-los”. (CIC – Catecismo da Igreja Católica, n. 1503.)

Que esta Quaresma e a Campanha da Fraternidade que nela se realiza, possam ser vividas em nossas comunidades com a maior intensidade. Não passe este tempo de graça sem nossa pessoal e comunitária colaboração. Os frutos serão abundantes na medida de nosso trabalho, de nossa correspondência às graças de Deus que jamais faltarão.

Ressoam atuais e fortemente as palavras de Jesus, que marcam o início da caminhada quaresmal e serão o estímulo durante toda a Quaresma – e por toda a nossa vida –: “Cumpriu-se o tempo, e o Reino de Deus se aproxima: Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1, 15).

Conversão e vida não se fazem só de palavras, mas de gestos concretos.
Abençoada Quaresma a todas as nossas comunidades. Sigamos o Senhor na Sua Páscoa. É tempo de vida. É tempo de conversão. É tempo de ressurreição.

Fonte: Site da Arquidiocese de Fortaleza. Seção: Palavra do Pastor, publicado em 01 fevereiro de 2012.

“O Flagelo das Drogas”: novo livro de Maria Emmir. Uma pérola!

Maria Emmir lançou no RENASCER 2012 o livro “O Flagelo das Drogas”. Tão logo o foliei fiquei encantado com a riqueza de conteúdo. Um grande auxílio para jovens, pais, educadores, padres e pregadores. Um livro oportuno para o tempo que vivemos, propício ao Lema da Campanha da Fraternidade deste ano: “Que a saúde se difunda sobre a terra” (Eclo 38,8). Comprei o livro e não resisti divulgá-lo aqui, como incentivo para que você, caro leitor e leitora, adquira-o junto às Edições Shalom. Disponibilizo aqui a introdução do livro como forma de divulgação, nas próprias palavras de Maria Emmir, Comunidade Católica Shalom.

Não temas o pecado dos homens, ama o homem em seu pecado, porque esta imagem do amor de Deus é também a perfeição do amor sobre a terra. Diante do pecado humano, podes ser tentado a perguntar-te: “Devo recorrer à força ou ao humilde amor”. Se tomares esta decisão de uma vez por todas, terás vencido o mundo inteiro. O amor humilde é uma força extraordinária, a maior dentre todas, inigualável em seu poder. (Fiódor Dostoiévsky)

Falar sobre o flagelo das drogas no nosso tempo é tarefa dolorosa e desafiante. Dolorosa porque a mensagem encontrará inevitavelmente corações feridos por situações de dependência química em sua própria vida ou na vida de familiares. Desafiante porque a vastidão do tema e sua complexidade obrigam a tocar apenas de leve alguns de seus inúmeros aspectos e, ainda assim, de forma superficial.

Ainda que consciente de nossos limites com relação ao assunto, aceitamos proferir palestra originalmente intitulada “O homem moderno e o desafio das drogas”, no Dia Internacional de Combate à Drogadição, em 2007, a convite do Projeto Volta Israel, do setor de Promoção Humana da Comunidade Shalom.

Cinco anos depois nos chega a proposta de transformar em livro a palestra original. Deparamo-nos, então, com um dado chocante: ao ler o texto transcrito do DVD da palestra, constatamos que, em apenas cinco anos, o crescimento da drogadição, dos tipos de droga oferecidos e de sua disseminação havia sido tão avassaladora que se fazia necessário rever a palestra e atualizar alguns aspectos.

Dessa forma, você encontrará neste livro dados posteriores a 2007, como o falecimento de Amy Winehouse, a invasão da Cracolândia, em São Paulo, a mudança de abordagem feita pela mídia televisiva depois que artistas conhecidos tornaram-se vítimas de drogadição. Embora os dados tenham necessitados ser atualizados, o corpo da palestra e seu espírito permanecem os mesmos. Acrescento: “Infelizmente! Sinal de que pouca coisa mudou.”

Pais e familiares de dependentes químicos, além de alguns adictos formavam o público presente na colocação de 2007. Além disso, a palestra foi dirigida a público formado unicamente por brasileiros. É necessário levar isso em conta, pois foi mantido o tom coloquial deste livro, que não é estudo de um especialista, mas fruto de serviço à juventude e casais ao longo de mais de 30 anos. Eis porque quisemos iniciar esta introdução com a referência de Dostoiévsky ao “humilde amor”.

A palestra e o livro a que deu origem são, no final das contas, uma constatação do nosso orgulho e egoísmo que arrastam tantos à dependência de drogas. Por outro lado, é um grito de esperança e certeza de que, ao escolhermos viver o “humilde amor”, juntos a Maria que apresenta seu Menino a Deus, novo caminho de prevenção, socorro e solução, bálsamo e curador para esse avassalador flagelo de milhões de filhos amados de Deus.

Fonte: O FLAGELO DAS DROGAS, Maria Emmir Oquendo Nogueira. Edições Shalom – Contato: (85) 3308.7405 (ou ainda: WWW.edicoesshalom.com.br / suportecomercial@comshalom.org
Imagens: Capa do Livro e Maria Emmir autografando no Stand das Edições (Por Antonio Marcos).  

Existe uma ferida maior que a tua ferida: o lado aberto de Jesus

"Trechos” da pregação do Moysés como preparação para a efusão do Espírito Santo, RENASCER 2012 – Testemunho pessoal, experiência com a Pessoa do Espírito Santo e seguimento a Jesus.

Quando fiz minha experiência com o amor de Deus, mediante a Pessoa do Espírito Santo, posso lhes dizer com sinceridade que Deus me tirou de uma vida cristã medíocre. Isso Ele quer fazer com você, quer converter o seu coração, porque somente Ele é a nossa felicidade. Esta felicidade é seguir Jesus passo a passo...

O que estamos presenciando ao nosso lado é a vida de muitas pessoas caminhando de frustração a frustração, buscando a felicidade em tantos outros lugares. Vemos jovens, adultos, homens e mulheres que são bons estudantes e profissionais, que correm atrás de seus nobres planos, mas mesmo quando conseguem realizá-los, o vazio continua. Só Deus consegue preencher o seu coração, porque neste coração existe um espaço do tamanho do amor de Deus, como bem afirmou Bento XVI. Só este amor o realiza e preenche!

Vemos neste mundo um deserto de egoísmo e individualismo, um deserto de depressão provocado pelo vazio de Deus, que coloca máscaras e purpurina pra disfarçar a infelicidade que traz no coração. Pois bem, Deus quer arrancar você e aos outros de tudo isto. Quer dar-lhe uma experiência de dentro para fora. E bem sabemos que as nossas concupiscências são mais fortes do que nós, não temos força de fazer esta mudança sozinhos. Mas Jesus, somente Ele com sua graça, sua presença e seu poder pode realizar esta obra nova em nós. Sim, porque Jesus é real, como comungamos, contemplamos e adoramos na Eucaristia. Não é um símbolo, mas é Ele mesmo presente no meio de nós. Foi Jesus quem nos atraiu ao Renascer, por isso Ele quer te recriar para que sejas instrumento na vida de muitos. 

Vocês já sabem dos fatos, mas quando fui escolhido por Dom Aloísio Lorscheider para dar um presente ao papa João Paulo II em nome de todos os jovens da Arquidiocese de Fortaleza, em 1980, tive a inspiração de dar o melhor que eu podia: a minha vida. Desejei e decidi ofertá-la pela salvação de muitos que não conheciam Jesus Cristo. E é porque sou bom, melhor que os outros? Não! Na verdade sou barro, fraco, pecador, mas o Espírito Santo operou neste vaso de barro, como naqueles que estavam comigo. O Espírito Santo transformou as nossas vidas, nos encheu de vigor, nos convenceu de nossos pecados e começou a fazer em nós uma obra completamente nova. Diante de tudo aquilo não podíamos fazer outra coisa se não ofertarmos a nossa vida para que outros tivessem a mesma experiência com o amor de Deus.

A oferta de nossa vida resultou no que hoje chamamos de Comunidade Católica Shalom. Neste ano receberemos das mãos do Santo Padre os nossos Estatutos definitivos, exatamente na celebração dos 30 anos de existência. Meu irmão, minha irmã, saiba disso: esta obra nova é um dom de Deus para você. Deus pensou em você quando iniciou esta obra nova. E não se justifique usando de suas fraquezas, porque existe um amor maior que a tua fraqueza, uma graça maior que a tua debilidade; existe uma ferida maior que a tua ferida: o lado aberto de Jesus, a fenda do seu coração pleno de misericórdia.

Diante do panorama deste mundo, de tantas ofertas que nos destroem, de falsos modelos de felicidade, no qual predomina as pornografias, os “big brother” da vida, a corrupção política e vazio existencial gritante..., Deus tem pressa em realizar na tua vida uma obra nova. Porque esta Obra Nova é para contagiar o mundo, salvar, não para condenar o mundo. Meu querido irmão e irmã, não sei qual é a sua situação, o seu pecado, o seu problema, a sua dor, mas eu sei que Jesus  se fez carne e quer se revelar no seu amor a você. Deus quer te dar o Espírito Santo, fazer eclodi-lo de dentro do teu coração, transformar-te de dentro para fora. E saiba, o Espírito Santo é delicado, amoroso, não chega “esfregando” na nossa cara as nossas fraquezas. Ele nos convence no amor e gera um arrependimento sincero de nossos pecados, gera um desejo profundo de mudança de vida, gera confiança na misericórdia de Deus, gera seguimento a Jesus Cristo. Eu sei que as minhas palavras podem não ter força de penetrar no seu coração, mas a Palavra de Deus tem este poder de transformar a tua vida. Deseje esta obra nova. Dei-se tocar e visitar pela graça de Deus. Uma obra nova ele realizará em tua vida, não para um tempo, mas para toda a vida.

Antonio Marcos (Conforme anotações pessoais)
Imagem: Moysés Azevedo rezando por uma jovem na efusão do Espírito Santo, RENASCER 2012 (Por Luciana Carvalho - Obra Shalom de Fátima).

2012-02-19

“Eis que eu farei coisas novas...”

Maravilhosamente e providencialmente a Liturgia da Palavra do 7º Domingo do Tempo Comum traz uma rica mensagem sobre a misericórdia de Deus que está para além de nossas fraquezas e pecados. Ao mesmo tempo nos exorta e proporciona o despertar da consciência de que o pecado gera em nós “fadiga para com as coisas de Deus e não nos permite viver sua graça”. Mas é Deus que nos sustenta, porque foi Ele quem nos “marcou com o seu selo e nos adiantou como sinal o Espírito Santo derramado em nossos corações” (2Cor 1,22). Por isso é consolador ouvir do Senhor: “Não relembreis coisas passadas, não olheis para fatos antigos. Eis que eu farei coisas novas, e que já estão surgindo: acaso não o reconheceis? Pois abrirei uma estrada no deserto e farei correr rios na terra seca” (Is 43,18-19). Sim, Deus tem seus caminhos, seu tempo, sua providência. Isto vale para a nossa vida pessoal e para a Igreja como família peregrina neste mundo de tantas turbulências. Um exemplo claro é contemplar esta multidão no Renascer 2012 e ver um povo sedento de Deus, um povo de fé. “Coisas novas! Abrirei uma estrada no deserto...”, é isto o que provoca em nós o impacto do amor de Deus, plenamente gratuito. Por causa da fé dos amigos do paralítico, disse Jesus: “Eu te ordeno: levanta-te, pega tua cama e vai para tua casa” (cf. Mc 2,1-12). Que este milagre se renove sempre na nossa vida e, através dela, na vida de muitos. Uma multidão, uma obra nova, a manifestação da misericórdia de Deus e abundantes frutos, sobretudo sair da “maca de uma vida sem sentido" e deixar-se inundar pelo prazer e a felicidade de se conhecer e experimentar o amor de Deus.

Antonio Marcos

Novos Cardeais: Sirvam a Igreja com amor e vigor

Trecho do Discurso de Bento XVI durante o Consistório Ordinário Público para a criação de 22 novos Cardeais, Roma, 18 de fevereiro de 2012.

Aos novos Cardeais, é confiado o serviço do amor: amor a Deus, amor à sua Igreja, amor aos irmãos com dedicação absoluta e incondicional – se for necessário – até ao derramamento do sangue, como diz a fórmula para a imposição do barrete cardinalício e como indica a cor vermelha das vestes que trazem. Além disso, é-lhes pedido que sirvam a Igreja com amor e vigor, com a clareza e a sabedoria dos mestres, com a energia e a fortaleza dos pastores, com a fidelidade e a coragem dos mártires. Trata-se de ser servidores eminentes da Igreja, que encontra em Pedro o fundamento visível da unidade.

(...) Domínio e serviço, egoísmo e altruísmo, posse e dom, lucro e gratuidade: estas lógicas, profundamente contrastantes, defrontam-se em todo o tempo e lugar. Não há dúvida alguma sobre a estrada escolhida por Jesus: e não Se limita a indicá-la por palavras aos discípulos de ontem e de hoje, mas vive-a na sua própria carne. Efetivamente explica: “Também o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mc 10, 45). Estas palavras iluminam, com singular intensidade, o Consistório público de hoje. Ecoam no fundo da alma e constituem um convite e um apelo, um legado e um encorajamento especialmente para vós, amados e venerados Irmãos que estais para ser incluídos no Colégio Cardinalício.

Segundo a tradição bíblica, o Filho do Homem é aquele que recebe de Deus o poder e o domínio (cf. Dn 7, 13-14). Jesus interpreta a sua missão na terra, sobrepondo à figura do Filho do Homem a imagem do Servo sofredor descrita por Isaías (cf. Is 53, 1-12). Ele recebe o poder e a glória apenas enquanto “servo”; mas é servo na medida em que assume sobre Si o destino de sofrimento e de pecado da humanidade inteira. O seu serviço realiza-se na fidelidade total e na plena responsabilidade pelos homens. Por isso, a livre aceitação da sua morte violenta torna-se o preço de libertação para muitos, torna-se o princípio e o fundamento da redenção de cada homem e de todo o gênero humano.

Fonte: Publicado no ZENIT.org 

2012-02-14

A necessidade de rezar sempre

Texto de: François X. N. Van Thuan*, Cardeal

Após minha libertação, muitas pessoas me disseram: “Padre, o senhor deve ter tido muito tempo para rezar na prisão”. Mas não é tão simples assim como se poderia imaginar. Deus permitiu que eu experimentasse toda a minha fraqueza, a minha fragilidade física e mental. O tempo passa lentamente na prisão, sobretudo quando se está em isolamento total. Imaginem uma semana, um mês, dois meses de silêncio... São terrivelmente longos, mas quando se transformam em anos, tornam-se uma eternidade. Havia dias em que, reduzido ao extremo pelo cansaço, pela doença, eu não era capaz de recitar uma oração sequer!

Mas uma coisa é certa: é possível aprender muito sobre o que é a oração, sobre o espírito genuíno da oração, justamente quando se sofre por não poder rezar, devido à fraqueza física, à impossibilidade de concentrar-se, à aridez espiritual, com a sensação de ter sido abandonado por Deus e de estar tão longe dele a ponto de não lhe poder falar.

E talvez seja exatamente naqueles momentos que se descobre a essência da oração e que se compreende como é possível colocar em prática o que Jesus disse sobre a “necessidade de rezar sempre” (cf. Lc 18, 1).

Desde os Santos Padres do deserto ao Peregrino russo, dos monges do Ocidente àqueles do Oriente, houve uma preocupação fundamental, uma busca apaixonada: conseguir rezar de modo contínuo e perseverante. “Este é o cume da perfeição”, diz Cassiano: “que toda a nossa vida, cada batida de nosso coração se torne uma oração única e ininterrupta” (Cassiano, 1980, 10,7 SC 54,81).

(*) De nacionalidade Vietnamita, depois da última nomeação como arcebispo (1975), foi levado à prisão onde passou 13 anos, nove dos quais no mais completo isolamento. Em 1994 deixou o Vietnã e, em 1998, passou a presidir o Pontifício Conselho para a Justiça e Paz, Santa Sé. Em 2001 o papa João Paulo elegeu-o para o Colégio Cardinalício, faleceu em 2002, vítima de câncer. Em 2007, o papa Bento XVI deu início à causa de sua beatificação.

Fonte: Testemunhas da Esperança (Cap. XIII), Cidade Nova, 2007.   

2012-02-13

Shalom 30 anos: Só o céu explica esta obra

É motivo de intensa alegria para todos aqueles que se incluem como "testemunhas oculares" de que esta obra realmente só é explicada pelo céu. Os caminhos de Deus e sua providência superam abundantemente toda lógica humana, como também calam as estatísticas dos desesperançosos e incrédulos. Ouvi tantas vezes o Moysés Azevedo dizer: "Sou inocente com relação a este feito!" Nunca pensei em fundar nada, apenas desejei e decidi, pela graça de Deus, entregar a minha vida. Portanto, a obra é de Deus!". Por que, então, duvidamos tanto dos planos de Deus pra nossa vida e pra vida de muitos, através da nossa? Por que desistimos logo de nossos projetos e sonhos? A fidelidade de Deus não muda nunca. 30 anos de Comunidade Católica Shalom e quantas vidas que encontraram a luz por causa de um "sim". Da mesma forma podemos refletir: quantas vidas o nosso Batismo e o testemunho de caridade podem alcançar para Deus! O tempo passou e parece correr..., mas "Deus está no comando!", como afirma sempre o Moysés. Que Ele esteja no comando de nossas vidas e esperanças!

Antonio Marcos

2012-02-12

Encontros, desencontros e reencontros

Texto de: Zenilce Vieira Bruno, Psicóloga, sexóloga e pedagoga

Este é o título de um livro de Maria Helena Matarazzo, minha colega da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana. No nosso último Congresso, disse a ela que ainda escreveria algo com esse título e hoje me sinto inspirada e autorizada a fazê-lo
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As redes sociais têm facilitado muito nosso contato com antigos colegas de colégio, faculdade, e nos motivam a marcar um grande reencontro. É inacreditável como parece que nunca nos separamos. As mesmas brincadeiras, conversas e até planos como se fôssemos recomeçar a vida e, enfim, fazermos aquilo que planejamos na juventude.

Sempre saímos desses momentos renovados e com datas marcadas para o próximo reencontro. Tudo seria perfeito se a vida não voltasse ao normal e analisássemos o que estamos fazendo e principalmente com quem estamos vivendo.

Vem, em alguns casos, um sentimento de frustração e tristeza. Cadê aquela jovem garota que já chegou até a ser miss? E o jovem sonhador? Estão quietinhos e muitas vezes solitários. Alguns se tornaram grandes estrelas, outros não conseguiram brilhar. E, para ser sincera, alguns vibram com nosso sucesso. Outros, nem tanto.

E a grande questão é: o que fazer com esses sentimentos? Alguns não vão aos encontros exatamente por desconhecerem suas capacidades de lidarem com um “novo velho”. “Será que vão me achar gordo, chato, fracassado?” Com certeza acharão se é assim que você se sente. Mas outros não, vestem sua melhor roupa, dão uma “repaginada”, levam seu “currículo” profissional e pessoal e seguem numa alegria invejável. Esses sim vão ter um reencontro maravilhoso. Outros são indiferentes, foram os que deixaram “a vida me levar” e até hoje não sabem onde foram parar. Desses ninguém sente falta, talvez na hora da fotografia do grupo ou na despedida do encontro.

Mas o que mais me encanta, e não poderia deixar de ser, são os reencontros amorosos! Depois de tantos anos resolvem dizer finalmente que eram apaixonados, e, na maioria das vezes, com grandes risadas, mas em outras com algumas lágrimas de atraso e desencanto. A conversa quase sempre gira em torno do que poderia ter sido. Mas a melhor parte é renovar os planos e sentimentos. Aí vemos no casal uma alegria juvenil indescritível!

Recomeçar é mais difícil do que começar. Existe um medo enorme de errar de novo. Parece ser a última chance, e muitas vezes é mesmo. Mas cabe a quem encontrou, desencontrou e finalmente reencontrou aproveitar cada momento vivido sem esse tal medo de errar, porque iremos sim continuar sendo nós mesmos, provavelmente com mudanças, mas nossa essência será sempre a mesma. Talvez o grande causador das separações seja o desconhecimento dessa essência e que só depois de algum tempo temos maturidade para reconhecê-la.

Com a honra de escrever aqui o que penso, tenho a ousadia de oferecer o artigo de hoje a todos que durante os meus 50 anos passaram pela minha vida. Para os que eu encontrei, desencontrei e reencontrei minha grande alegria. E aos que eu não consegui mais abraçar, muita saudade!

Fonte: Publicado no Jornal O Povo (Opinião), Fortaleza, 12 de fevereiro de 2012.

Vencer o orgulho e confiar

Celebramos com toda a Igreja o VI Domingo do Tempo Comum e mais uma vez testemunhamos a ação de Jesus que cura e salva os enfermos e os perdidos. A lepra como doença física já dispõe de tratamento e até cura, mas há uma "lepra espiritual" que hoje provoca danos maiores se não encontrar o seu antídoto, que é a misericórdia de Deus. Misericórdia esta que pede de nós humildade, confiança, obediência, descida, algo que Naamã precisou aprender com seus servos. No entanto, é maravilhoso vencer o orgulho e confiar. Importa a glória de Deus, ainda que nos custe muito. Para Paulo servir e agradar os irmãos correspondia em não buscar vantagem pessoal, mas favorecer a ação do desígnio de salvação na vida dos irmãos. É assim, o amor tem um preço, mas só quem ama de verdade pode ser luzeiro, vida comprometida com os outros, vida a ser imitada. Talvez estejamos longe deste ideal, mas podemos nos dirigir a Jesus e dizer: "Se queres, tens o poder de curar-me". E ouvimos dele uma resposta impactante: "Eu quero: fica curado!" (cf. Mc 1,40-45). Realiza tua obra, Senhor! Salva-nos e cura-nos de nossas lepras, sobretudo do desamor, do desânimo, da exclusão dos outros, da indiferença à Tua vontade. "Feliz o homem que foi perdoado e cuja falta já foi encoberta!" (Sl 31/32).

Antonio Marcos

2012-02-11

ABORTO: “Como é bom viver!”

Texto de: Frei Patrício Sciadini, OCD. (Parte 2)

Os economistas, os filósofos, os que se consideram no direito de planejar o futuro da humanidade, se acham em direito de aprovar o aborto até como meio para evitar a super população para que um dia não se tenha uma humanidade faminta, porque a mãe terra é incapaz de dar comida a tantos bilhões de seres humanos, uma mãe terra como “terras secas” que não podem produzir o necessário. É necessário crer num Deus providente e Pai de todos os homens e mulheres por ele criados. É ele quem cuida das aves do céu e das flores dos campos, não deixará de cuidar de nós. E um dia, Jesus colocou uma pergunta que desde sempre foi respondida com a prova da vida: “Não valeis vocês mais do que muitos pardais? Vos faltou alguma coisa?”

É verdade que a fé não pode ser irracional nem determinista e inconsciente, e por isso a Igreja orienta todos os pais e mães a uma paternidade e maternidade responsáveis. A Igreja nunca contra o planejamento familiar e a natureza sábia dotou-nos de razão, de inteligência, de amor à vida para não sermos “reprodutores inconscientes de vidas”, mas geradores de vida no amor e na responsabilidade. Há quem pergunte: “Não seria melhor o ‘aborto’ para aqueles casos em que a vida é indesejável?”, talvez, quantas mães disseram não à gravidez num momento particular, e no entanto nos geraram silenciosamente no amor! Quantas mães solteiras, no sofrimento e por causa da própria fragilidade, e muitas vezes da “sem vergonhice masculina” aceitaram criar seus filhos no sofrimento e vivendo o estigma da marginalização.

Relembrando Pascal, o amor tem razões que a própria razão desconhece. Mas um dos meus leitores poderá até objetar: e por que deixar nascer alguém que hoje, à luz da ciência, pode-se prever que vai ser deficiente físico ou mental, incapaz de ser auto-suficiente, incapaz de ter uma vida “racional”? Não seria melhor evitar os sofrimentos? A ciência não está a serviço do homem?... Estas e outras razões são conhecidas desde sempre e não têm valor. O próprio Hitler falava assim e, para purificar a raça, uma raça geneticamente mais perfeita, construiu os campos de concentração onde milhões de pessoas morreram massacradas em nome de uma raça melhor. Por estes caminhos teremos hipoteticamente uma humanidade “elitista sadia” e, ao mínimo desvio, “bem vinda seja a pena de morte” ou a morte dirigida, orientada, onde cada um que é incapaz de entrar na vida sai dela quando quer e como quer. Há absurdos que são como a corrente de uma cadeia; admitindo um, os outros vêm por necessidade racional.

Eu não gostaria que minha mãe Domênica tivesse abortado. Ela me deu a vida no sofrimento de uma terrível viuvez e me ajudou a crer na vida. Tenho encontrado somente três ou quatro pessoas, tão deprimidas e tão doentes, que teriam gostado de não terem nascido. O que mais me tocou na vida foi o encontro de um excepcional que, num momento de lucidez, me dizia: “Como é bom viver!” Só esta frase é suficiente para nos colocar em favor da vida humana e dizer não a todo tipo de aborto biológico e espiritual. A ninguém é lícito matar a vida, a esperança no seu nascer. Não sou nem médico nem sociólogo, sou simplesmente um cristão e um carmelita descalço chamado ao sacerdócio pela graça de Deus, que acredita que a vida, na sua existência, nunca pode ser eliminada. Recordo ter lido não sei onde nem quem é o autor, uma oração chocante mas verdadeira:

“Senhor, te perdoo porque me criaste sem me pedir licença, mas te amo porque me criaste sem minha licença. Porque, se me tivesses pedido licença, poderia ter respondido ‘não’.” E você, meu amigo e leitor, teria gostado que sua mãe tivesse abortado? Eu não.

Fonte: Uma Palavra Basta (“Aborto”), Edições Shalom, 2004.

2012-02-09

ABORTO: “Ninguém pode ser julgado antes de ser provado que ele é culpado!”

Texto de: Frei Patrício Sciadini, OCD. (Parte 1)

Nunca o aborto esteve tanto na moda como hoje. Fala-se dele nas entrevistas feministas que se acham em direito de tratar do aborto como se trata de cirurgia plástica ou de um produto de maquiagem... Fala-se do aborto nos botequins e dentro dos ônibus, nas grandes platéias de políticos ou nas ruas. Fala-se de aborto com a maior simplicidade, como algo que nos interessa de perto; falam de aborto os que defendem o planejamento familiar como de um método inócuo, inocente, bom. Há quem se coloca contra por princípios ou motivos religiosos, sem conhecer o que é. Mas quando, falamos de aborto esquecemos algo importante: nos é permitido falar de aborto só porque um dia as nossas mães foram mulheres corajosas, fortes e amaram a vida, a nossa vida acima de tudo, e não abortaram, por isso estamos vivos. Se elas tivessem decidido abortar não estaríamos aqui discutindo sobre o aborto.

Acho no mínimo deselegante falar de legitimidade do aborto nós que estamos vivos. Deveríamos fazer uma pesquisa séria, honesta entre nós e ver quantos não “teriam gostado” de nascer e teriam preferido que suas mães os tivessem abortado. Os filósofos conseguiram definir o ser humano como “animal racional” que pensa, que tem capacidade de conhecer de decidir entre o bem e o mal. Mas cheguei à conclusão – talvez alguém me vai atirar pedras – que não há ninguém mais irracional que o ser humano. É incompreensível que, de um lado, defenda e lute pela vida do universo, pela ecologia, grite, faça passeata para eliminar focos de escravidões, que grite contra a pena de morte e, ao mesmo tempo, posicione-se a favor do “aborto”, que é eliminar sumariamente alguém que vive, que existe não como hipótese, mas como realidade, sem lhe permitir o direito primário do ser humano de se “defender”. Ninguém pode ser julgado antes de ser provado que ele é culpado. Quem defende a vida que ainda está informe, mas é vida, incapaz de se defender? Como pode ser condenado à morte sem ser ouvido? Às vezes se diz que o aborto é um tema polêmico e difícil para ser julgado, mesmo no plano ético, moral.

Na verdade, creio que é preciso ter uma visão honesta da vida. Assumir a cultura da vida e rejeitar toda cultura de morte. Não há nenhuma causa que justifique o aborto intencional. A vida é um valor que deve ser defendido com todas as forças. A defesa da vida não necessita que se busquem argumentos nem silogismos filosóficos ou teológicos, ela é vida e como tal se defende sozinha, sem necessidade de advogados.

Fonte: Uma Palavra Basta (“Aborto”), Edições Shalom, 2004.

"Só o riso, o amor e o prazer merecem revanche”

Texto de: Aíla Sampaio, Professora da SEDUC e da UNIFOR e Escritora cearense.

Entre as muitas coisas que aprendi nesses anos, duas estão na primeira página do meu manual de sobrevivência nessa selva chamada mundo dos humanos. A primeira: “Não adianta discutir com quem tem sempre razão; as pessoas só escutam o que querem e entendem como lhes é conveniente”. E a segunda: “só os mais fortes cedem, os fracos não são capazes disso”.

Quem não sabe ouvir críticas, não é capaz de reconhecer erros e limitações, não se reconhece humano; certamente se acha superior a tudo e a todos, considera-se um Deus. Discutir com pessoas que têm essa postura é jogo suicida. É inútil argumentar, elas só ouvem o que o seu coração é capaz de apreender: maldade. Infelizmente, esse tipo é muito comum na sociedade atual: a genética predispôs o comportamento egocêntrico e o mundo o aprimorou. Quase sempre aparecem como cordatas e boas, ‘acima de qualquer suspeita’, vestidas em pele de cordeiro para disfarçar o lobo que trama botes terríveis se contrariadas as suas vontades. São pessoas perigosas, capazes de convencer a todos de que são boas e as outras não prestam... na verdade, transferem para as outras as características que são suas, tudo com traiçoeira sutileza. O pior: elas acreditam no que dizem e tomam suas ‘verdades’ como medida de tudo. É preciso ter cuidado; elas são ruins e nunca desistem de tentar nos convencer de que somos iguais a elas...

Na verdade, quem é ruim acha que todo mundo é ruim; vive como diante de um espelho, vendo-se como a medida do mundo. Como não adianta discutir, como não vale a pena tentar convencer os outros do que ocorre, a postura mais sábia é não se defender, não acusar, deixar que o tempo passe e a realidade se mostre, pois toda máscara um dia cai. O que falam a nosso respeito não muda o que somos, mas diz muito de quem fala... Os fracos continuam a bradar sua fortaleza, arrotar seu poder. Os fortes se recolhem ao silêncio e fazem suas as palavras de Chico Xavier: "Só o riso, o amor e o prazer merecem revanche. O resto, mais que perda de tempo... é perda de vida."

Os cães latem, a caravana passa e a gente continua sendo o que é, independente do que falam ou pensam. E assim caminha a humanidade… pra onde, só saberemos bem depois!

Fonte: Publicado no Blog pessoal de Aíla Sampaio: “DE OLHOS ENTREABERTOS” (“Coisas do manual de sobrevivência emocional”), domingo, 5 de fevereiro de 2012 (O negrito do texto é nosso).

2012-02-07

De braços abertos: o amor de Deus sempre nos espera!

As luzes coloridas do Cristo Redentor (noite de 06 de fevereiro) sinalizavam – ao meu ver  - muito mais que as simples cores referentes às bandeiras dos 150 países que estarão representados na Jornada Mundial da Juventude (JMJ) em 2013, Rio de Janeiro, mas também sinalizavam o começo de um novo tempo na vida da Igreja do Brasil. As cores nos remetem sempre à alegria, à festa, por isso nos deixamos tomar pela celebração da fé no meio da Juventude que se enche de santa expectativa pelo que viveremos no próximo ano e pelo que já acontece nas Dioceses do Brasil (“Bote Fé”) com a peregrinação da Cruz da Jornada Mundial e o ícone da Virgem Maria. Momentos de renovação, de retorno à fé em Jesus Cristo, de conquista, de evangelização dos jovens e adultos, sobretudo os mais distantes de Deus e da Igreja. Vivemos um período da história no qual muitos não sabem, não conhecem, não experimentaram o sentido da vida, nem mesmo as razões da existência. As sombras, as “luzes apagadas” constituem, muitas vezes, a realidade existencial para a vida de muitos. Falta-lhes o segredo da felicidade, não obstante as dores deste mundo e a própria condição frágil da humanidade. Falta-lhes os anunciadores da alegria que não passa jamais! Por isso é que disse o Papa Bento XVI falando aos Cardeais (Disc. Cúria Romana, dez. 2011) sobre as Jornadas Mundias da Juventude, sobre as graças que elas estão possibilitando os jovens retornarem ao essencial: “Quero mencionar a alegria. Donde brota? (...) O fator decisivo é esta certeza que deriva da fé: Eu sou desejado; tenho uma missão na história; sou aceito, sou amado. (...) É preciso que haja outra pessoa que lhe diga, e não só com palavras: É bom que tu existas”.  Certamente a logomarca da “JMJ RIO 2013” também expressará esta alegria, esta festa da fé! O Cristo Redentor de braços abertos é mesmo o melhor sinal de que o amor de Deus está sempre a nos esperar, que a sua misericórdia excede as nossas fraquezas pessoais e sociais. É festa para celebrar a alegria de reencontrar o abraço de Deus. Digamos isto aos outros, como diz o papa, não somente com palavras, mas com a alegria do testemunho de vida.

Antonio Marcos

2012-02-05

A paixão é maravilhosa, mas é provisória

Artigo de: Zenilce Vieira Bruno, Psicóloga, Pedagoga e Sexóloga

Nossas relações com o outro, atravessam fases, estágios diversos. São etapas distintas que compõem a vivência em parceria. Há um tempo, primeiro de enamoramento, às vezes de paixão. Quando se deixam apaixonar, as pessoas tornam-se, reciprocamente, objeto-deus umas para as outras. Nessa condição, cada uma das partes é pura beleza, encanto, ternura e graça na relação. Tempo quase mágico, regido por uma ética da mais completa tolerância. Tempo, em que as falhas do outro passam despercebidas, são até graciosas. Na verdade, o ser apaixonado não vê, fica ofuscado pelo brilho que ele mesmo imprime à face do outro, a quem constituiu um pequeno deus. “A paixão corresponde à utopia humana de superar a insignificância do mundo, da vida e encontrar a felicidade”, diz Ana Valença.

Só que a paixão é um estado maravilhoso, mas provisório. Os apaixonados cometem seus equívocos: ora idealizam a parceria como lugar único de construção de felicidade, ora idealizam apenas o que é vivido como um amor extraordinário, e com isso perdem ocasiões significativas de pequenas vivências muito importantes. Na trajetória amorosa, queremos a felicidade do tamanho do nosso sonho, que é sempre maior que a realidade. Para além do tempo da paixão, há um outro, que é o tempo de amar o parceiro como ele é. Sem ilusões e sem esse fogo que queima e encandeia até os mais lúcidos mortais. A convivência mais prolongada nos empurra para o real da vida, da relação e do outro, nos levando a desmistificar esse deus que inventamos para satisfazer nossa ânsia de extraordinário.

Essa travessia que fazemos da mistificação ao real do outro, é quase sempre regida pela ética da intolerância. A intolerância é uma atitude que vai se transmutando e se disfarçando sob várias formas, até desembocar na rigidez e na violência. Assim o tique, o cacoete do outro, que antes era engraçado, até charmoso, começa parecer feio, torna-se irritante, às vezes insuportável. As excentricidades passam a ser patologizadas, ou seja, são consideradas doentias, perdem a graça, e passam a ser recriminadas. Esta é agora uma forma inconsciente de dizer que há um certo desencanto desse outro desmistificado, tornado tão real, tão revelado, tão pouco simbólico.

“O inferno são os outros”, dizia Sartre; “o inferno é ausência, a falta do outro” dizem as pessoas carentes de uma parceria e de uma relação afetivo-amorosa. Com quem ficamos? Talvez o fiel da balança não esteja no inferno da ausência, nem no paraíso da presença do outro em nossa vida. O inferno ou o paraíso, não serão produções do nosso modo de ser com os outros, não estarão, portanto, dentro de nós? Aguardamos sempre, que o outro seja maravilhoso para conosco, que ele nos compreenda e nos promova bem estar e felicidade.

Pouco nos damos conta, que somos nós que precisamos dele, e lhe atribuímos uma carga que ele não pode e não deve carregar: a de nos fazer feliz. A felicidade é uma construção pessoal e responsável, que cada um tem de assumir. O outro pode até estar inadequado à parceria que queremos, na construção de nossa felicidade, mas a responsabilidade de ser feliz é absolutamente pessoal. Fernando Pessoa é lúcido quanto a isso. “O paradoxo não é meu, sou eu”.

Fonte: Publicado na Revista Eletrônica “Autêncica Vida.Com”, “(Des) dealizando”, agosto de 2010.