2012-01-21

Tempo de desgosto e tristeza para marginalizados

A vitória de Cristo sobre a morte é superação dos limites do tempo e do espaço. Cristo opera uma demitização do tempo contra as concepções que haviam divinizado, coisificado o incessante e incontrolável fluxo das estações. A vitória sobre a morte cria um tempo e um espaço para o homem, tempo e espaço de construção de sua identidade e da identidade de toda a comunidade humana. Um “tempo para o homem” não é só dom; deve ser também conquista. Mas a busca de tempos de produção cada vez mais breves, a impossibilidade de deter-se, a máquina cada vez mais veloz como símbolo da potência, a incapacidade de controlar a corrida dos acontecimentos, a necessidade frenética de atualização para não se sentir superado de um dia para o outro, podem ser sintomas de uma nova sujeição do homem ao tempo. Uma marcha para trás.

Há quem esteja cansado por já ter caminhado demais; há quem se viu repentinamente posto à margem, como detrito inútil; há os que foram lançados fora pela engrenagem social: anciãos, doentes crônicos, excepcionais, esquizofrênicos. A sociedade tecnológica não tem tempo para eles, porque não são úteis ao processo de produção. Para estes, constroem-se casa de saúde, hospitais, abrigos e asilos. O importante é que não impeçam o caminho. Tempo de desgosto e tristeza para marginalizados, os que se reconhecem um “peso”. Desejo do ancião de sair de seu meio, ou tentativas, por parte da família, de convencê-lo de que na casa de saúde “tudo é adequado a ele”: a sociedade se recusa a ser “comunidade terapêutica”, na qual o doente seja curado sem ser cortado do contexto social em que vive.

Fonte: Missal Dominical, Ed. 1995: Comentários introdutórios – 3º Domingo do Tempo Comum, Ano B. 

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