2012-01-06

Epifania do Senhor: um amor que rompe as fronteiras


Artigo do Pe. Fernando Torres, cmf.

Deus se fez carne. Esse é o ponto central da celebração do Natal. Mas esse acontecimento tão transcendental para a história da humanidade e do mundo leva consigo uma limitação necessária: acontece em um tempo e lugar reais. Não poderia ser de outra maneira. No final, o lugar é Belém, o tempo é o ano em que o imperador Augusto mandou fazer um censo em todo o Império. Mas aquela criança que nasceu em Belém não era apenas para os judeus, mas para todo o mundo. O amor de Deus manifestado nele não conhece fronteiras. Essa é a chave da celebração desse dia.

A Epifania não é nada além de uma maneira de celebrar o nascimento de Jesus. Hoje o vemos a partir de uma nova perspectiva. Não se trata somente de contemplar a criança nascida em meio à pobreza da manjedoura – porque não havia estalagem para os seus pais. Não é caso de apenas reconhecermos sua fragilidade e fraqueza. Hoje o vemos como aquilo que ele é: a luz que iluminará todos os povos. Hoje nos damos conta que essa criança recém-nascida é o amor de Deus que rompe todas as fronteiras que nós, homens, criamos neste mundo.

Fronteiras já havia no tempo de Jesus e elas continuam erguidas ainda hoje. Quando não são feitas pelas leis, são levantadas pelas tradições, pelos preconceitos e pela desconfiança. Há fronteiras marcadas por injustiças, raças, línguas, religiões ou ideologias políticas. Demasiadas fronteiras que dividem a família de Deus, que rompem a unidade de homens e mulheres deste mundo – o fato fundamental e indiscutível de que todos somos filhos de Deus.

As leituras deste dia nos falam dessa universalidade que deveria ser a característica mais básica da família humana. De uma maneira concisa e clara, afirma-se na segunda leitura extraída da Carta aos Efésios. O plano de Deus consiste em que “todos os povos compartilhem a mesma herança, visto que são membros do mesmo corpo e participam da mesma promessa de Jesus Cristo por meio do Evangelho”. Não é necessária nenhuma outra explicação. Deus não pensa mais que reunir todos os seus filhos ao redor da mesma mesa.        

Isso é o mesmo que, de uma forma mais poética, se afirma no relato do Evangelho. A história dos três reis magos do oriente - que tinham avistado uma estrela que os acaba guiando até o lugar em que está o recém-nascido a quem, em sinal de respeito e adoração, dão de presente ouro, incenso e mirra - confirma o que já foi dito. Os povos que viviam para além das fronteiras da Judeia reconheceram a importância daquela criança e seu significado para seus próprios povos. Hoje somos convidados a romper com os preconceitos e as fronteiras que dividem nossa humanidade para que, assim, possamos tornar realidade o plano de Deus.

Quais preconceitos me separam dos meus irmãos? Será que vejo como inimigos os que pertencem a outra raça e falam outra língua, ou, simplesmente, os que pensam diferente de mim em política? O que eu posso fazer para quebrar essas barreiras?

Fonte: Meditações sobre leituras dominicais (Festa da Epifania do Senhor, Ano B), 2009. 

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