2012-01-21

Conversão ao Evangelho: da ruína, ao tempo novo!

A Bíblia, revelação do Deus transcendente, abre-se e se fecha com observações temporais: “No princípio Deus criou...” (Gn 1,1); “Sim, venho muito em breve” (Ap 22,20). Deus não é cultuado, na Bíblia, de modo atemporal e abstrato, em sua essência eterna, como nos filósofos gregos, mas em suas intervenções no momento presente do homem, que fazem da história do mundo uma história divina. Na experiência humana do tempo se sobrepõem dois aspectos: um, regulado pelos ciclos da natureza (tempo cósmico), e outro, ritmado pelo fluxo dos acontecimentos (tempo histórico).

O tempo histórico, na mentalidade do homem bíblico, é marcado por grandes intervenções de Deus na história, de tal modo que a história do mundo se torna uma história da salvação. Esta história caminha trabalhosamente, através de etapas sucessivas, para Cristo, que representa seu cume e pleno acabamento. Cristo tem consciência disto quanto, no início de sua pregação, declara expressamente: “O tempo está realizado e o Reino de Deus está próximo...”. Com ele chegou a “plenitude dos tempos”. Ele introduz na história o elemento definitivo e discriminante pelo qual podemos dizer: antes... agora.

“Outrora éreis sem Cristo... estranhos às alianças da promessa” (Ef 2,12). “Agora, ele vos reconciliou pela morte do seu corpo de carne” (Cl 1,22). Com Jesus, verificou-se o evento definitivo, mas este ainda não deu todos os seus frutos. Os “últimos tempos” estão apenas inaugurados: a partir da sua ressurreição, eles se dilatam e se tornam “tempo da Igreja”. Por isso é que o reino de Deus tem uma dimensão atual e escatológica.

A conversão ao evangelho de Jesus Cristo representa para cada homem mudança de era, uma passagem do mundo presente ao mundo futuro, do tempo antigo, que caminha para a ruína, ao tempo novo, que caminha para a plena manifestação. A importância do “tempo da Igreja” deriva do fato de tornar ele possível essa passagem; e o “momento favorável” (Kairós), o “dia da salvação” (2Cor 6,2).

Fonte: Missal Dominical, Ed. 1995: Comentários introdutórios – 3º Domingo do Tempo Comum, Ano B. 

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