Conversando nesses dias com uma pessoa amiga, pude ouvir sua partilha, por sua vez dolorosa, acerca do que costumamos chamar de "silêncio de Deus" em nossas vidas. E, a gente, sabendo do que se trata por experiência pessoal, não deseja logo dar conselhos ou mesmo "direção espiritual", mas escutar e captar as entrelinhas do seu coração, exatamente lá onde se processa a obra de Deus, "Aquele cuja ação é misteriosa" (Jz 13,19). Quem nunca experimentou deste "aparente silêncio" de Deus? As Sagradas Escrituras e a vida dos santos mostram esta dura prova na vida dos homens e mulheres de Deus. Mas é verdade que "o dia transmite a mensagem ao dia e a noite faz conhecer à noite. Não é um discurso, não há palavras, não se lhe ouve a voz. Sua harmonia se estende sobre toda a terra, e sua linguagem, até as extremidades do mundo" (Sl 19,3-5). A harmonia da obra de Deus não para, o seu amor e cuidado por nós não se desarmonizam. Se há um silêncio e desarmonia, fazem-se a partir de nós mesmos, mas, ainda assim, através da fé podemos "escutar" os passos e a voz de quem nos procura todos os dias no jardim: "onde estás, meu filho Adão? Por que te escondes de mim e de ti mesmo?".
Antonio Marcos

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