2011-12-07

O Brasil é tolerante e muito com os homossexuais


Por Vanderlúcio Souza, leigo católico e estudante de jornalismo

O Projeto de Lei 122 de 2006, conhecido como lei da mordaça gay foi desarquivado pela senadora Marta Suplicy (PT/SP) e será votado na Comissão de Direitos humanos do Senado nesta quinta-feira, 8, dia em que os católicos celebram a Imaculada Conceição de Maria.

Da última vez que foi para discussão o projeto teve mudanças em sua redação devido à reflexão lançada pela bancada da família no Congresso e forte oposição da bancada evangélica.

O PL 122 criminaliza manifestações contra o homossexualismo. Na nova redação foi preservado que em culto religioso se pregue contra a conduta homossexual, contudo, ficou apenas nesta esfera. Em um mundo globalizado o púlpito é apenas um entre os diversos modos de ensinar a prática religiosa aos fieis, logo, a liberdade de consciência não é levada em consideração caso algum religioso ensine através de site ou redes sociais, por exemplo,  que a prática homossexual não é devida.

Já no âmbito do trabalho nada foi mudado. Neste caso é punido o empregador que venha a demitir um funcionário e este alegue que o ato tenha sido homofóbico. Leia o que diz a lei:

“Art. 4º Praticar o empregador ou seu preposto, atos de dispensa direta ou indireta. Pena: reclusão de dois a cinco anos”.

A pena é de dois a cinco anos. Mais um exemplo para ilustrar a gravidade do projeto. Caso o professor de seu filho assuma a homossexualidade e passe a ir para a escola travestido de mulher, nem a direção da escola pode lhe chamar a atenção, nem os pais podem pedir para  mudar o filho de turma, pois isto seria um ato homofóbico prescrito na lei, logo, passível da pena de dois a cinco anos de reclusão.

Muitos legalistas concordam que o projeto é inconstitucional. O amparo para o homossexual é o mesmo que atende a todos os demais cidadãos.

As minorias acusam que no Brasil existe perseguição gay e que a violência é avassaladora neste estrato da sociedade. Há controvérsias. O Brasil é tolerante e muito com os homossexuais, prova disso são as paradas gays que acontecem nas grandes capitais exibindo em plena luz do dia cenas de beijos e pessoas seminuas desfilando pelas ruas ou ainda os diversos personagens gays das telenovelas. Se for por isso se deverá criar lei para proteger os jovens já que estes são as maiores vítimas de violência do país.

O Projeto de Lei não goza da simpatias dos católicos e evangélicos do país o que representa um fatia de quase 90 % da população.No Senado a situação é semelhante, contudo os parlamentares não querem se envolver na discussão. Querem apoiar o projeto para ganhar o voto dos eleitores gays mas têm medo de tornar público a posição por conta dos que são contra. Deste modo agem não pela consciência, mas apenas por interesse eleitoreiro.

Globo

Já a mídia apóia o projeto e tenta-o fazer descer “goela abaixo” aos seus telespectadores. Especula-se que a Rede Globo em parceria com a Unesco e ONU lançará um campanha pró homossexualismo durante quinze dias em sua programação.

Cabe aos católicos e evangélicos manifestarem pacificamente sua opinião nos veículos de comunicação e redes sociais pedindo novamente o arquivamento do descabido projeto 122.

Envie para os senadores que compõem a Comissão dos Diretos Humano sua indignação com a lei da mordaça gay. Segue a lista de e-mail dos senadores:

 
Fonte: Publicado no Blog Ancoradouro (Jornal O Povo): “Lei da mordaça gay será votada no dia da Imaculada Conceição”, Fortaleza, 06 de dezembro de 2011 (o destaque em negrito é deste blog).

4 comentários:

  1. A afronta aos cristãos evangélicos e, sobretudo aos católicos, por esta discussão voltar a plenário em pleno festejos solenes do Dogma da concepção imaculada da Virgem Maria, com possibilidade de ser aprovada a PLC 122, que vai contra Direitos assegurados já pela Constituição Brasileira, é mesmo o reflexo da predominância de uma ideologia política disfarçada de "preocupação pelos direitos dos homossexuais". Chega a ser um "totalitarismo de interesses", custe o que custar. De fato, estamos em dias de "combates", não contra os homossexuais, filhos de Deus e cidadãos, irmãos nossos brasileiros, mas contra uma "cultura de morte" que quer se instalar com discursos bonitos de "igualdade e proteção", mas não passa de jogo político. Por outro lado tudo isto lança-nos naquela luz de consciência de que a "omissão cristã" talvez seja o pior de todos os males. ESTE ESPAÇO E ESTE BLOG, AO QUAL FOI PULBICADO O ARTIGO, É CONTRA A PLC 122, não contra a pessoa do homossexual. Temos que fazer nossa parte pela verdadeira valorização da Pessoa, anunciando a Boa Nova e denunciando o que não passa de "caricatura da verdade", que não promove a dignidade humana, mas a escravisa.

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  2. Bem, se fazer uma lei específica para o preconceito contra homossexuais é inconstitucional, pode-se considerar que a lei Maria da Penha também o é. O povo que não se engane, o governo só tem interesse de fazer esse tipo de legislação em vista das pressões internacionais que visam a preservação dos direitos humanos (sim, sexualidade é uma questão de direitos humanos; e pode ser considerada uma das "garantias e direitos individuais", a mesma cláusula pétrea que garante a liberdade religiosa; portanto liberdade religiosa e liberdade de orientação sexual têm a mesma importância) como o Brasil está em evidência intercionalmente essa pressão tende a aumentar. Prova disto é que desde os governos do PSDB se discute a implantação de uma legislação que garanta a liberdade de orientação sexual. Afirmar que ser homossexual é pecado é tão cruel quanto afirmar que ser negro é errado, e quem o faz merece punição. Dizer que o Brasil é tolerante com os homossexuais porque se permite que os homossexuais andem na rua é estar a um passo do nazismo. Tenho vergonha de um dia ter acreditado nesse monte de bobagem sem fundamento nenhum, mas acredito que um dia poderei viver em um país realmente democrático, onde nenhuma religião tenha o direito de ofender quem quer que seja. Pois é nisto que consiste o Estado de Direito: a minha liberdade termina onde a do outro começa.

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  3. Caro Leitor, "Anônimo"... (Resposta 1)

    A questão da violência contra os homossexuais é fato concreto, infelizmente. Mas, é preciso que se diga que os "casos isolados no Brasil" são tratados como oportunismo político e ideológico. Já as mulheres, diariamente milhares são violentadas, chega a ser uma epidemia deste câncer do machismo que ainda existe no Brasil. Mas venhamos e convenhamos: espera-se um maior rigor na execução da Lei Maria da Penha. Por quê? Porque a Legislação Brasileira está “atravessada” de outros interesses. Justifico caro leitor: cadê a bandeira contra as drogas que leva nossa juventude para a violência e para todo tipo de criminalidade? Cadê a bandeira de adesão em massa, inclusive pelos homossexuais, para com relação à Corrupção, ou ainda com a saúde? Sexualidade humana é um valor fundamental, sem dúvida, como o é a liberdade religiosa, mas o equívoco está em se acusar a Igreja de impedir os homossexuais de viverem suas escolhas. A questão da lei se trata de proibir a “liberdade de expressão”, de discordância por causa dos princípios religiosos que não são “bobagens”, como pensa o caro leitor. Não se está contra a pessoa do homossexual e nem dos seus direitos fundamentais, mas da criação de uma “casta superprotegida” no Brasil. Pode-se “dizer o que bem pensa” na hora de acusar a Igreja e seus interesses, mas ela, se fazendo do “direito divino” de salvaguardar o ensinamento ético e moral da fé cristã, não pode discordar eticamente e religiosamente de certas práticas? E, é claro, repito, não se trata de “uma oposição à pessoa do homossexual ou qualquer outra”, gente como nós, cidadão brasileiro e também obra da criação de Deus, chamado a uma vocação que realmente o realize, mas contra outros mecanismos, dois quais me parece que o caro leitor não tem percepção deles. Quanto ao pecado, só se pode falar de pecado dentro do plano e do amor de Deus para o homem. Infelizmente, nós, os cristãos, erramos muitas vezes quando, em vez de acolher a pessoa, conquistá-la a confiança e abri-la ao diálogo, “alguns” querem empurrar de goela abaixo um ensinamento moral e religioso e de caráter condenativo. Mas, caro leitor, o Evangelho não desumaniza, mas integra, redireciona e salva. O erro não está na proposta e naquilo que pensa a Igreja, mas no “modo operandi” de muitos de seus filhos.

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  4. Caro Leitor, "anônimo"... (Resposta 2)

    O autor do artigo, ao falar do que vemos nas ruas do Brasil nas paradas Gay, não está cogitando proibir este direito (como o Sr. o associa a um ato nazista, totalitário, e com razão), mas está, corretamente, lembrando que temos visto não “passeatas Gay”, onde os homossexuais possam ir às ruas defender seus direitos, mas, o fazem manipulados por gente de poder que tenta fazer os “não homossexuais” engolir de goela abaixo cenas de desrespeito aos que pensam diferente, inclusive se valendo de imagens religiosas distorcidas em traços sensuais” como forma de protesto. E o caro leito diz que isto está certo? Não é isto uma profunda contradição? Como fica a sacralidade da vida do povo? Suas crenças, caro leitor, são suas, mas é lastimável que considere a dos outros “bobagens”, o que me permite ver uma grande contradição, uma intolerância na verdade em suas posições de defesa. Concordo com o Sr. e também espero que a Religião se auto-avalie e repense sempre seu “modo de ir aos homens para ligá-los a Deus”, não para condenar, mas seria uma tragédia pensar um “Estado de Direito” sem a voz sensata, prudente, profética e evangélica da Religião comprometida com o bem, a vocação e a salvação da pessoa humana, seja ela quem for. Para que a liberdade do outro seja evidenciada e respeitada não é necessário que “cesse a minha”, porque o que nos liga não é um “terminar e começar”, mas valores éticos e morais. Muitos permanecem omissos diante de tantas barbaridades em nossa sociedade simplesmente se valendo da afirmação de que “o outro é livre e faz o que quer”, ainda que mate, estupre, desrespeite uma pessoa idosa, uma criança, roube... Essas tais liberdades não são “democracia”, mas uma loucura, consequência em grande parte de uma inversão de valores que asfixia a todos. Obrigado caro leitor, por sua presença e comentário, por aquilo que pude refletir com o seu ângulo de visão, por sua vez, digno de valorização, mas também devidamente e justamente enquadrado na discordância e crítica ética: um direito de todos. Deus o abençoe! Que a Virgem Maria, a Imaculada Conceição, o guarde sempre!

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