2011-12-24

Que o amor, atrofiado pelo não manifestar, volte a existir


Artigo de Ana Mary C. Cavalcante, Jornalista 

O homem tem acreditado menos. Tem perdido a imaginação da infância sobre anjos e céu, tem desistido mais cedo do amor, tem negado mais o perdão. Mas não é culpa do tempo, que parece envelhecer o homem. É porque o homem tem buscado mais explicação do que sentimento. Tem buscado de fora de si o que é próprio do ser.

O homem tem aprisionado a esperança na palavra. Tem questionado a própria fé. Tem desaprendido o abraço e se desacostumado da gentileza. E, antes que o homem se perca nesse desmundo, é urgente tomar o homem pela mão. A união é o sonho mais sonhado pelo tempo. É a canção do dia seguinte, é a oração da distância.

Que se somem as diferenças, em 2012, para que a humanidade se torne maior. Que se aproxime mais do que tem. Que se façam as pazes com o próximo e com o mais distante. Que se façam as pazes com o acreditar. E que se juntem as crenças. Que os direitos não sejam luta, mas paz. E que o respeito enriqueça os aprendizados. 

Que o amor, esquecido pelo não dizer, atrofiado pelo não manifestar, volte a existir. Como mandamento, ou como poesia, e principalmente como vida real. E que o amor seja mais forte do que a guerra. Ainda que seja uma outra vez uma utopia, mas que seja. Porque, como reconhece o escritor Viniciuis de Moraes, para isso fomos feitos: para a esperança no milagre. 

Fonte: Publicado no encarte como mensagem aos leitores do Jornal O Povo (“Prece do Povo”), Fortaleza, 24 de dezembro de 2011.

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