2011-12-01

Desistir por causa de nossas fraquezas? Jamais!

A Liturgia da Palavra do Tempo do Advento é mesmo de grande providência divina para o que precisamos viver como Igreja, como Sociedade, mas, sobretudo, como pessoa batizada e católica. Falamos muito da necessidade da escuta da Palavra, que já é um milagre em nossos dias de muitas correrias e compromissos, mas quase sempre esquecemos que esta escuta deve implicar numa construção, a construção da casa da fé, da amizade com Deus, do testemunho de vida cristã e dos nossos projetos e escolhas vividos com honestidade e fidelidade, ainda que com passos lentos. Quando a escuta da Palavra não penetra, não enraíza, a casa é mal construída. Fica sem firmeza e vulnerável aos ventos. Uma casa construída na areia é sempre uma futura ruína.

Talvez você conheça a natureza da ruína como experiência pessoal, por isso sabe que se trata de uma profunda dor e sofrimento quando ela se torna realidade. Creio que nem todos que dizem: “Senhor, Senhor”, e sofrem com suas omissões e infidelidades, podem ser julgados como atores da banalidade. Deus conhece nossas lutas, a retidão e a nudez do nosso coração. Deus sabe que a queda pode ser evitada, mas estaremos sempre sujeitos a ela. O interessante é que o Evangelho nos pede “prudência”, e não nos impõe uma mudança da noite para o dia. Conversão não é mágica, é processo lento de mudança de vida. O que não podemos é nos acostumar com o que não tem consistência e futuro. Deus sabe que a construção da casa é também um processo, seja sobre a rocha, ou, infelizmente, sobre a areia. Por que a prudência? Porque ela é o sinalizador de quando devemos avançar ou retroceder, mudar ou desistir, recomeçar ou refazer. Sem prudência, sem aquele juízo de desconfiança de si mesmo, o pecado encontra terra fértil, e ele mesmo é o vento a derrubar a casa sem alicerce (cf. Mt 9,27-31).

Então, o que fazer? Desistir por causa de nossas fraquezas, de nossas feridas, de nosso retardamento no processo de conversão? Jamais! Isto também seria uma ruína, talvez a pior de todas. A resposta nós a encontramos de forma consoladora na própria Oração da Igreja neste Tempo de Advento, 1º de dezembro: “Despertai, ó Deus, o vosso poder e socorrei-nos com a vossa força, para que a vossa misericórdia apresse a salvação que nossos pecados retardam” (Oração do Dia). Vemos que não há espaço para a desistência de nós mesmos diante de nossas fraquezas, mas uma humilde súplica para que Deus nos ajude com sua graça. 

Antonio Marcos

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