2011-11-27

Tempo de Advento: iluminai a vossa face sobre nós, Senhor!

Já é tempo de Advento na vida da Igreja e o chamado para viver esta graça se estende a todos os batizados católicos, aos nossos corações. Viveremos 40 dias de preparação para o Solene Natal do Senhor, meditando nesta primeira parte, até o dia 17, a liturgia sobre a “Parusia”, ou seja, a segunda e definitiva vinda do Senhor.

A Liturgia da Palavra deste I Domingo de Advento é, por demais, forte e significativa diante do contexto em que nos encontramos: “caminhos tortuosos e corações endurecidos” para com as coisas do Senhor, para com a Sua vontade. Um mundo não distante, não fora de nós, mas aqui dentro, no desenrolar de nossas ações e decisões. O profeta Isaías (cf. 63,16ss) faz um clamor à misericórdia de Deus: “Como nos deixaste andar longe de teus caminhos? (...) Por amor de teus servos, das tribos de tua herança, volta atrás, Senhor”. E o profeta faz uma feliz e comovente memória: “Nunca se ouviu dizer nem chegou aos ouvidos de ninguém, jamais olhos viram que um Deus, exceto Tu, tenha feito tanto pelos que nele esperam” (Is 64,3). Mas também deixa claro que o pecado do povo irritou a Deus. “Todos nós nos tornamos imundície, e todas as nossas boas obras são como pano sujo”. No entanto, suas palavras se concluem de forma apaixonante: “Senhor, tu és nosso pai, nós somos barro; tu, o nosso oleiro, e nós, obra de tuas mãos”. 

Tudo parte da consciência e da revisão de vida: nós pecamos! O profeta faz assim uma exortação ao povo de Deus para a conversão, para o retorno. “Por minha culpa, minha tão grande culpa!” Aqui está a nossa fortaleza e felicidade: o desejo sincero de retornar, de voltar para Deus. Por isso rezamos com o profeta: “Senhor, volta atrás de tuas irritações e não abandone a obra de tuas mãos. Se tiras a tua mão de oleiro, seremos deformados pelo pecado, pela loucura de querermos caminhar com nossas próprias forças. E como diz o apóstolo Paulo: “Não tendes falta de nenhum dom, vós que guardais a revelação de Nosso Senhor Jesus Cristo. É ele também que vos dará perseverança até o fim (...)” (cf. ICor 1,3-9). 

Se tendo a Cristo, temos tudo; não tê-lo ou viver como se ele não existisse é a nossa infelicidade. Isto parece comum em nossos dias, em ambientes que até se vangloriam de não contar mais com o Evangelho como direção de vida, como único caminho seguro para a verdadeira felicidade. Felicidade estranha é esta que nos é apresentada por um contexto de sociedade e relações que coloca Deus sempre na desconfiança, no dispensável. Jesus, através do Evangelho deste dia (cf. Mc 13,33-37) nos fala de vigilância, do estar atento como sentinela, porque Sua volta é uma realidade, mas pode nos pegar de surpresa. Muitas coisas nos deixam hoje sonolentos, sobretudo o pecado, que faz com que o nosso coração caia no torpor, não havendo mais como esperar na luz da verdade. Reza o Salmista neste dia: “Iluminai a vossa face sobre nós, convertei-nos, para que sejamos salvos!” (Sl 97/98). Queremos viver isto, Senhor, confiantes na Tua misericórdia. Que esses dias de Advento sejam de retorno e redirecionamento para a santidade.

Feliz Tempo de Advento a todos os amigos e amigas deste espaço de fé!
Antonio Marcos

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