2011-11-05

Redes Sociais: afetos e objetos

Artigo de Lisiane Cysne Rego, Psiquiatra

Chama a atenção nos shoppings centers, restaurantes e bares, nas reuniões familiares e até mesmo destro dos carros o número cada vez maior de pessoas conectadas às redes sociais. Segundo estudo Nielsen Online, o Brasil é o país onde há mais usuários de internet acessando redes sociais (*)%), chegando a passar um de cada quatro minutos conectados às ditas redes.

Lamentavelmente, o Brasil ganha de gigantes como os Estados Unidos e a Alemanha, onde a média de tempo alcança um de cada 11 minutos. Há uma diversidade quanto à idade dos usuários, mas no ano de 2008 a faixa que mais cresceu foi de 35 a 49 anos. Nesse mesmo ano se incorporaram mais de 11 milhões de usuários com este perfil às redes sociais. Esse novo fenômeno vem adquirindo ares de doença à medida que começa a afetar as relações pessoais.

Desde os anos 70 observamos uma explosão do hiperconsumismo como uma tendência à acumulação, além da decadência da educação familiar levando a uma epidemia de faltas de limites e favorecendo o individualismo. Vimos surgir nos anos 80 o conceito de ludopatia (dependência do jogo) seguido do conceito de dependência do sexo, dependência às compras e, finalmente nos anos 2000, o “boom da internet.

As doenças mentais segundo a Associação Americana de Psiquiatria, saltaram de 106 para 357 e se observa, cada vez mais, a fragmentação da sociedade criando pessoas dependentes de rapidez, satisfação imediata e com dificuldades de autocontrole.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) ainda não reconheceu a dependência à tecnologia como uma doença, mas isso é uma questão de tempo. O problema não está na rede social e sim no seu uso indiscriminado substituindo as relações pessoais. O problema está numa sociedade que relaciona cada vez mais seus afetos a objetos.

Fonte: Publicado no Jornal O Povo (Opinião), “Dependência sem substância”, Fortaleza, 05 de novembro de 2011.

Um comentário:

  1. Oi Antonio!!

    Deus abençoe este espaço de evangelização.

    Shalom!!

    Raiane
    Petrolina-PE

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