2011-11-12

“Meu amigo procurava uma esposa, e de joelhos, na oração”


Com a palavra, Beato João Paulo II:

O problema essencial da juventude é profundamente pessoal. A juventude é precisamente o período da personalização da vida humana. É também o período da comunhão. Os jovens, tanto os rapazes como também as moças, sabem da obrigação de viver para os outros e com os outros, sabem que a sua vida tem sentido na medida em que se torna um dom gratuito para o próximo. Aí têm origem todas as vocações: tanto as sacerdotais ou religiosas como também as vocações ao matrimônio e à família.

Também a chamada para o matrimônio é uma vocação, um dom de Deus. Nunca mais vou me esquecer de um rapaz, estudante do politécnico de Cracóvia, do qual todos sabiam que aspirava com decisão a santidade. Ele tinha este programa de vida. Ele sabia ter sido “criado para os grandes ideais”, como se expressou certa vez São Estanislau kostka. E, ao mesmo tempo, não tinha dúvida alguma de que sua vocação não era nem o sacerdócio nem a vida religiosa. Sabia que devia ser um leigo. 

O que mais o apaixonava era o trabalho profissional, bem como os estudos de engenharia. Procurava uma companheira para a vida, e a procurava de joelhos, na oração. Jamais poderei esquecer o colóquio em que, depois de um dia especial de retiro, me disse: “Penso que exatamente esta moça vai ser minha esposa, e é Deus quem vai dá-la para mim.” Como se não seguisse apenas a voz de seus desejos, mas antes de tudo a voz do próprio Deus. Sabia que d’Ele vem todo bem, e fez uma boa escolha. Estou falando de Jerzy Ciesielski, desaparecido em um trágico acidente no Sudão, para onde foi enviado para ensinar na universidade, e cujo processo de beatificação já foi iniciado.  

Fonte: Cruzando o Limiar da Esperança, 1994.

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