2011-10-05

Justin Bieber: “o lindo e bom moço que veio de baixo”

O jovem astro canadense Justin Bieber está no Brasil onde fará show para os seus fãs em três apresentações. A legião de adolescentes vive esta expectativa há dias e se aglomera na entrada dos locais do mega espetáculo e também do apartamento em que está hospedado. Deseja-se vê-lo ao menos de longe. Chegar perto e até abraçá-lo é um sonho, porém difícil. O clima de euforia a até de “histerismo” é contagiante. A maioria dos fãs é composta por mulheres, mas todos, homens e mulheres, na sua totalidade, são de crianças e adolescentes. Os adultos infiltrados são exatamente os guardiões desses fãs, ou seja, seus pais ou adultos responsáveis.

O mais impressionante é esta adesão ao ídolo com toda a carga de emoções e reações, o que é muito particular desta idade, mas é verdade que também isto acontece com os adultos. Inclusive, estamos até chorando mais pelos “nossos ídolos”, talvez um reflexo da nossa carência de referenciais ou de pessoas que proporcionem alegrias e felicidade. Não só o futebol, mas a música sempre foi algo muito envolvente no Brasil. No caso dos adolescentes, vê-los gritando e chorando, fazendo declarações de amor ao ídolo Justin Bieber me faz também pensar que seja uma “reação normal”, da idade como dissemos, mas se pode refletir que, diante de um mundo de tantas atrocidades, inclusive contras as crianças e adolescentes, algo crescente no Brasil, as lágrimas desses adolescentes são sinais de que suas emoções resistem a se acostumarem com a barbárie.

Os pais compreendem esse processo, por isso acompanham os filhos, muitos deles pequenininhos. Justin Bieber é, segundo a mídia, o primeiro astro adolescente fruto do bom aproveitamento das redes sociais, onde divulgou seus primeiros trabalhos. Outra coisa a se refletir é a resposta de alguns desses fãs quando interrogados sobre os motivos de “extravasarem o amor” por Justin Bieber: “Gosto dele porque é lindo e suas músicas me tiram da tristeza, mas também porque venceu na vida, sendo um garoto que ‘veio de baixo’, por sua humildade e simplicidade”. Resposta simples? Eu diria que até complexa! O estético e o talento com as pessoas contam muito em nossos dias, mas uma grande parte ainda valoriza “os valores que o outro provoca em mim”.

Talvez seja muito cedo pra falar que Justin Bieber não será engolido pela fama e pelo dinheiro, até porque por trás de um ídolo como ele há um “mundo de gente” que faz tudo pelo status. É lamentável como o sensualismo e os contra valores quase sempre atropelam a consciência de uma grande parte de nossos astros quando a fama passa a dormir ao seu lado. O fato é que, de certa forma, é bom ver os nossos adolescentes viverem com tanta naturalidade seus sentimentos por seus ídolos. Se os pais souberem transmitir a eles os valores que vão além de qualquer emotividade e fases da vida, então não são nocivas estas reações. A gente cresce, amadurece, mas alegrias e lágrimas também devem acompanhar esse processo.

Pra concluir faço a seguinte reflexão: ali onde estão os adolescentes, fãs de Justin Bieber, ninguém disputa a particularidade do amor ao ídolo. Eles amam juntos, esperam juntos, gritam e choram em coletivo. Ninguém fica com ciúme se um demonstra mais amor, algo interessante, não é verdade? Penso que eles mandam com este gesto um sinal para nós, os adultos. É fato que estamos chorando e nos alegrando cada vez mais isolados em nossos pequenos grupos ou solitários. No mundo adulto tudo é tão individualista, tão egocêntrico. Queremos somente para nós! O outro que se “lixe”! Sim, essa extravagância de sentimentos dos adolescentes tem nas entrelinhas uma mensagem importante. Aprendamos!

Que o “bom moço” Justin Bieber viva seu “tempo de glórias” e proporcione oportunidade para que as crianças e adolescentes, como também os adultos, escolham mais o coletivo como espaço privilegiado para viverem alegrias e lágrimas, sem esquecer que os valores verdadeiros vão além, sempre além de qualquer emotividade.

Antonio Marcos

Um comentário:

  1. É verdade, o jevem astro Justin Bieber mexe com os sentimentos coletivos. Mas a moderação nunca é demais.esses meninos e meninas precisam ser orientados no que de essencial em suas vidas: as amizades sinceras. Estas são conquistadas justamente nesta etapa da vida. Até hoje eu tenho duas amigas que conquistei na adolescencia e sei q são sinceras, pq me conhecem de verdade.Abraços

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