As decisões e os caminhos de Deus...

Escrito Por Antonio Marcos na segunda-feira, outubro 31, 2011 Sem Comentários

Na Liturgia da Palavra deste último dia de outubro (2011), o apóstolo Paulo, ao tratar dos Judeus no tocante ao não acolhimento da fé em Jesus Cristo, faz uma declaração profética de valor incalculável: “São eles agora os desobedientes, para que, em consequência da misericórdia usada convosco, alcancem finalmente misericórdia” (cf. Rm 11, 29-36). Todo o texto faz menção ao que é estranho a muitos, ou seja, que “Deus sabe tirar proveito até do que é desastroso”. Mas que fique claro: Deus não é o autor do Mal, não quer o sofrimento dos seus filhos, muito menos é dependente das coisas ruins para mostrar seu poder e sua força, jamais! Deus é Deus! Não é Ele que precisa dar sinais de seu poder, nós é que precisamos crescer na fé e na confiança de que não há acidentes no seu desígnio, que é sempre de amor, ainda que as lágrimas nos confundam. 

Por outro lado o texto não quer dizer que temos que ser desobedientes porque no final Deus terá misericórdia, isto sim, seria um grande equívoco e uma tragédia, comprometendo até mesmo nossa salvação. A liberdade orientada para a verdade e para o Bem é a nossa felicidade, e é o que Deus quer. No entanto, somos míopes e lentos quando precisamos ir além das próprias contingências, das nossas próprias limitações. Esta miopia está, inclusive e infelizmente, na maneira como muitos julgam o céu e o inferno dos outros. Quando a pregação de Paulo foi rejeitada, possibilitou que nós, “os gentios”, pudéssemos ter acesso à Boa Nova da Salvação que Jesus conquistou para todos. Porém, certo de que “os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis” (Rm 11,29), o apóstolo Paulo profetiza que Deus saberá conduzir os Judeus, os primeiros eleitos, ao seu mistério de amor em Jesus Cristo. E isto, mais que fato histórico, é mistério de fé. 

Também é assim nas nossas vidas. Os fatos históricos nem sempre dizem tudo, porque os desígnios de Deus fogem aos nossos míopes julgamentos. Belíssima é a doxologia de Paulo: “Ó profundidade da riqueza, da sabedoria e da ciência de Deus! Quão insondáveis suas decisões, quão impenetráveis seus caminhos!” (Rm 11, 33). Sim, Deus tem seus caminhos! Desejemos seguir às suas pegadas. Alegra-nos saber e crer que Deus quer de nós a radicalidade da decisão por Ele, pelo seu amor, mas também que quer a nossa humildade e paciência quando nos deparamos com nossas desobediências e fragilidades. O pecado nunca pode ser justificado, mas também a misericórdia de Deus nunca deve ser desacreditada pelos corações sinceros. Confiemos e recomecemos sempre! Os fatos transformam os contextos, redireciona nossos passos, há ganhos e perdas, mas Deus não muda, porque seu amor é irrevogável.  

Antonio Marcos