A Igreja se seculariza quando reduz a fé à medida humana

Cardeal Robert Sarah adverte: a secularização entra na igreja quando deixa de propor uma fé fundada na revelação de Cristo para reduzi-la às exigências e à mentalidade do homem moderno.

Viver a difícil liberdade

Nestes nossos dias muito se fala de liberdade, seja de expressão, de opinião, sexual, afetiva ou financeira.

Sobre os Felizes

Olá, amigos e amigas leitoras, estamos de volta! Partilho com vocês esta Coluna me enviada no WhatsApp por uma amiga.

Namoro: escola de aprendizados felizes, apesar dos desafios

Partilhar a vida a dois é um anseio do coração humano, uma vocação, uma vivência que passa por muitas experiências de aprendizado...

2011-10-31

As decisões e os caminhos de Deus...


Na Liturgia da Palavra deste último dia de outubro (2011), o apóstolo Paulo, ao tratar dos Judeus no tocante ao não acolhimento da fé em Jesus Cristo, faz uma declaração profética de valor incalculável: “São eles agora os desobedientes, para que, em consequência da misericórdia usada convosco, alcancem finalmente misericórdia” (cf. Rm 11, 29-36). Todo o texto faz menção ao que é estranho a muitos, ou seja, que “Deus sabe tirar proveito até do que é desastroso”. Mas que fique claro: Deus não é o autor do Mal, não quer o sofrimento dos seus filhos, muito menos é dependente das coisas ruins para mostrar seu poder e sua força, jamais! Deus é Deus! Não é Ele que precisa dar sinais de seu poder, nós é que precisamos crescer na fé e na confiança de que não há acidentes no seu desígnio, que é sempre de amor, ainda que as lágrimas nos confundam. 

Por outro lado o texto não quer dizer que temos que ser desobedientes porque no final Deus terá misericórdia, isto sim, seria um grande equívoco e uma tragédia, comprometendo até mesmo nossa salvação. A liberdade orientada para a verdade e para o Bem é a nossa felicidade, e é o que Deus quer. No entanto, somos míopes e lentos quando precisamos ir além das próprias contingências, das nossas próprias limitações. Esta miopia está, inclusive e infelizmente, na maneira como muitos julgam o céu e o inferno dos outros. Quando a pregação de Paulo foi rejeitada, possibilitou que nós, “os gentios”, pudéssemos ter acesso à Boa Nova da Salvação que Jesus conquistou para todos. Porém, certo de que “os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis” (Rm 11,29), o apóstolo Paulo profetiza que Deus saberá conduzir os Judeus, os primeiros eleitos, ao seu mistério de amor em Jesus Cristo. E isto, mais que fato histórico, é mistério de fé. 

Também é assim nas nossas vidas. Os fatos históricos nem sempre dizem tudo, porque os desígnios de Deus fogem aos nossos míopes julgamentos. Belíssima é a doxologia de Paulo: “Ó profundidade da riqueza, da sabedoria e da ciência de Deus! Quão insondáveis suas decisões, quão impenetráveis seus caminhos!” (Rm 11, 33). Sim, Deus tem seus caminhos! Desejemos seguir às suas pegadas. Alegra-nos saber e crer que Deus quer de nós a radicalidade da decisão por Ele, pelo seu amor, mas também que quer a nossa humildade e paciência quando nos deparamos com nossas desobediências e fragilidades. O pecado nunca pode ser justificado, mas também a misericórdia de Deus nunca deve ser desacreditada pelos corações sinceros. Confiemos e recomecemos sempre! Os fatos transformam os contextos, redireciona nossos passos, há ganhos e perdas, mas Deus não muda, porque seu amor é irrevogável.  

Antonio Marcos

Há motivos abundantes para a esperança


Chegamos ao final do mês de outubro, mês missionário nas celebrações do calendário litúrgico. Que cada um tenha recebido muitas graças de renovação do santo Batismo para a sua caminhada rumo à santidade, processo de conversão, de retorno cada dia para a vontade de Deus, nosso paraíso, nossa felicidade. Alegramo-nos pelas novidades de Deus, pela vida da Igreja, pelo testemunho da fé e pela propagação do Evangelho, pela força do Bem que vence sempre toda Morte. Caminhamos assim para as últimas semanas do Ano Litúrgico (A), na esperança de chegarmos revigorados no Domingo da Solenidade de Cristo Rei do Universo e esperarmos os últimos dias que antecedem o começo do Advento, que nos preparará mais fortemente para o Santo Natal do Senhor. Há motivos abundantes para mantermos sempre a alegria e a esperança. Não tenhais medo! Viveremos nesses dias iniciais de novembro a celebração de Finados e no Domingo seguinte, a Solenidade de Todos os Santos. “Deus nos abençoe e nos guarde, nos mostre a Sua Face e se compadeça de nós!” Adiante, povo de Deus, temos o antídoto para toda e qualquer desesperança do homem de hoje: Jesus está vivo e caminha conosco!

Antonio Marcos

A vivência da caridade

"Quando deres uma festa convida os pobres (...). Então tu serás feliz! Porque eles não te podem retribuir. Tu receberás a recompensa na ressurreição dos justos" (Lc 14, 14). Jesus fala da fundamental vocação à caridade e à gratuidade cristã, sobretudo para com os mais necessitados. É inegável a percepção do sentido do texto. Porém, cada um de nós deve saber como a gratuidade opera no próprio coração, seja nas ações públicas ou nos gestos escondidos. A vivência da caridade: não há desculpas para não fazê-la! Justificar a omissão por conta do "perigo em confiar em certas pessoas" não convém, não nos torna "ressuscitados e felizes", mas nos afunda no egoísmo, no nosso mundinho de posses e de ambições. Quem ama é criativo no amor, jamais deixará de fazer com que os outros sejam um pouquinho mais felizes. Não tenhais medo! "Só permanece o que plantamos de caridade na vida das pessoas!" (Bento XVI).


Antonio Marcos

2011-10-30

Nada de desânimo, mas, conversão!

Tratar da questão da hipocrisia é sempre desafiante, porém necessário. Afinal, todos nós, os cristãos, somos sujeitos ao engano profundo, à infelicidade de falar bonito e não viver nada. Talvez alguns de nós já tenhamos provado das consequências desta areia movediça. Agarrados por ela agimos como se estivéssemos em terra fixa, mas estamos mesmo é afundando, porque a aparência na vida cristã é uma morte lenta, mas certa.  

O “legalismo farisaico”, denunciado por Jesus no Evangelho do 31º Domingo do Tempo Comum (cf. Mt 23, 1-12), apresenta-se a nós sempre como uma tentação. É fato que este legalismo mostra aos outros a fé, no seu desenrolar vivencial, de modo a ser vista como fardo, algo impossível. Bem sabemos que por trás de cobranças e imposições de verdades morais aos outros, não ajudando na reflexão e na conquista para a fé, para o seguimento a Jesus Cristo, pode exatamente não existir em nós a vivência e o testemunho daquilo que cremos e ensinamos. Quem está isento desta areia movediça? 

Não somente o profeta Malaquias (1ª Leitura) quando se dirigia aos sacerdotes, mas, principalmente Jesus “pega pesado” em denunciar a hipocrisia dos fariseus. E, é claro, o Evangelho é para nós, é para mim e para ti no hoje da história. Absolutamente ninguém que se diga cristão está isento de cuidar que cada dia a vida se aproxime do que se professa. A responsabilidade redobra quando nós, os anunciadores, passamos a gostar da areia movediça: “Quem anuncia o Evangelho não tem o direito de desmenti-lo por uma vivência falsa”. 

O Evangelho nos exorta a uma vida digna, que é um processo de conversão, de aproximação de Jesus pela oração, pela vida sacramental, pela capacidade de novas escolhas, escolhas que edifiquem os outros e não seja para eles “pedra de tropeço”. Não obstante nossas fraquezas, a santidade de vida é possível porque ela se chama coerência entre o creio e o que vivo, e isto se faz caminhando, decididamente por escolher voltar sempre para a terra sólida da graça de Deus. A vida cristã é bonita e possível, vocação para todos os chamados. Nada de desânimo, mas conversão, como assim nos anima a oração do Salmista: “Confia no Senhor, ó Israel, desde a gora e por toda a eternidade!” (Sl 130).

Antonio Marcos

2011-10-16

Deus e sua providência amorosa


"Reservei-te, e não me reconheceste" (Is 45, 4), disse Deus ao rei Ciro. Este, de fato, não conhecia a Deus, mas foi instrumento para a Sua obra na vida do povo de Israel quando fora “ungido como rei” para o exercício político. Deus é assim: sabe sempre se utilizar de pessoas e meios diversos para realizar a sua obra de reconstrução na sociedade e também em nós. "Dai, pois a César o que é de César e a Deus o que é de Deus" (Mt 22,21). A fé autêntica não se furta das realidades seculares, compromete-se com elas, mas sabe sempre distinguir o seu limite. No âmbito da experiência pessoal muitas vezes nos deparamos com o absurdo nas ações de certas pessoas que convivem conosco e até confessam com fervor a fé cristã. Já com outras, ainda que “não conheçam a intimidade da amizade com Deus”, agem de forma edificante, construtiva, porque o amor e a justiça para com o outro são valores não opcionais ou acidentais. E tudo corresponde - para nós que cremos - à intenção de que o Evangelho mude nossas vidas e também seja luz aos outros. Tornar o Evangelho presente e vivo na sociedade hodierna é algo que não depende apenas dos esforços pessoais, mas, sobretudo, da força do Espírito Santo (cf. 1Ts 1, 5). Sim, Deus tem seus desígnios, suas permissões, sua providência amorosa! Não temais!

Antonio Marcos

2011-10-15

Somos gigantes quando damos passos para Deus!

Depois de ver na TV o comercial “Johnnie Walker - Pão de Açúcar”, logo procurei revê-lo na internet, onde também está anexado um texto, por sua vez, fantástico, significativo ao tempo histórico que vivemos como nação. Esperamos que o gigante Brasil, tendo dado um passo decidido ao crescimento, continue sua direção ao mundo lá fora para encontrar seu destino (“Keep Walking, Brazil!”). Quando vemos um comercial como este, feito com tanta criatividade e emoção, capaz de nos deixar maravilhados com a homenagem ao Brasil que desperta do sono profundo rumo ao futuro, mas futuro que já é presente, lamentamos que não venha de uma Instituição Civil ou mesmo do Governo, mas de uma empresa de “bebida alcoólica”. As imagens do gigante despertando no símbolo rochoso e exuberante do “Pão de Açúcar” e se erguendo da sua era de sonolência, deixam a todos surpresos e felizes, sem dúvida, e desperta a sensibilidade e o patriotismo. Mas acontece que sendo este gigante eu e você não podemos associá-lo à bebida alcoólica, pois o consumo “não moderado” causa barbaridade na pessoa e no coletivo, nos filhos adolescentes, jovens e adultos desta nação. A irresponsabilidade no consumo do álcool tem levado à destruição de famílias inteiras, mutilado e destruído vidas no trânsito, uma das fontes de violência entre a juventude, como ainda outras desordens. O álcool, na verdade, muitas vezes andando de mãos dadas com as drogas, tem feito o gigante curvar-se e não erguer-se. Sim, o Brasil “politicamente” está ficando de pé e precisa ainda mais vencer suas mazelas: a corrupção, a miséria, a descriminação, a violência, a insegurança e as drogas. No entanto, o Brasil precisa rever sua política propagandista para o consumo do álcool que invade os lares e deixa nossos adolescentes com “tamanha sede” de prová-lo cada vez mais cedo. A agência de propaganda do “Whiski Johnnie Walker” tem seus méritos pela sempre criatividade em seus comerciais, não se valendo da sensualidade, mas dos talentos e da cultura de um povo. Não obstante se tratar de um comercial sobre bebida alcoólica, confesso que gostei muito do vídeo porque nos permite fazer uma leitura de outros contextos, podendo assim ser associado até mesmo às nossas superações pessoais. Muitas vezes perdemos de vista a nossa consciência de “gigantes por natureza”, ou seja, a filiação divina nos concedida pelo Batismo.  O pecado faz o gigante do coração e da alma adormecer e, o pior, pode ser que nunca venha a despertar do sono da indiferença a Deus e à vocação fundamental para qual todos fomos criados, a santidade! Então Brasil, “continue caminhando”, primeiro para o mundo interior, cuidando de seus filhos e filhas, e ao mesmo tempo para o mundo lá fora. Que tu, ó Brasil, acordando do sono político, não venhas a adormecer na indiferença religiosa e na omissão diante de tantos instrumentos de mortes existentes em teu seio, ó Pátria Amada! Despertar do sono, descobrir que o que nos faz gigantes são os passos para Deus, apesar de nossas fraquezas, e assim recomeçar sempre, continuar caminhando, é o mais importante. Na graça de Deus podemos dizer sempre a nós mesmos: “keep Walking!”
Antonio Marcos

Teresa de Ávila: "Eu quero ver Deus!"

Quando ainda criança Teresa de Ávila (1515-1582) disse aos pais: “Eu quero ver Deus”. Seria esta a sua maior inquietação da vida. Para isto orientou sua existência, suas procuras e fadigas. Teve ela que crescer na humildade cristã e reconhecer sua própria hipocrisia, o que a fez pedir com coragem uma radical mudança de vida. Mitigar a vocação cristã e seu chamado à vida religiosa a fez sentir-se não amiga, mas inimiga de Deus. Somente aos pés do "Flagelado", do “Cristo chagado”, Teresa de Ávila reencontrou a si própria. A partir de então precisou de uma “determinada determinação” para se conservar na amizade com Deus. Amizade que é a melhor definição que soube dar à oração: “trato de amizade com o Amado”. Mulher muito além do seu tempo, Teresa compreendeu que os conflitos interiores e exteriores não se resolvem criando “novas divisões”, mas vivendo a amizade com Jesus, a oração, a fraternidade e missão na proteção e orientação segura da Igreja. Teresa de Ávila soube exortar e exorcizar o seu coração acerca de toda perturbação com a temporalidade das coisas e dos fatos, pois tudo passa, só Deus permanece. Parecia dizer a si mesmo tantas vezes: “Aquieta-te, Teresa! O amor de Deus cuida de tudo!” A Igreja e a humanidade conheceram uma das mais brilhantes mulheres da história da fé e da mística. E o mais fascinante é que Teresa viveu a sua fé e se uniu a Jesus Cristo mostrando que não precisava deixar de ser “gente”, de amar, sorrir, chorar, conviver, trabalhar e rezar. Quanto mais amava o amigo Jesus, mais conhecia e se apaixonava pelo coração dos homens, por quem não se furtou de dar a vida e anunciar o Evangelho. Eis um exemplo para os nossos dias de como nossa fé pode nos ajudar a "ver Deus" em nós e nos outros.
Santa Teresa de Jesus, rogai por nós! 
Antonio Marcos

2011-10-05

Justin Bieber: “o lindo e bom moço que veio de baixo”

O jovem astro canadense Justin Bieber está no Brasil onde fará show para os seus fãs em três apresentações. A legião de adolescentes vive esta expectativa há dias e se aglomera na entrada dos locais do mega espetáculo e também do apartamento em que está hospedado. Deseja-se vê-lo ao menos de longe. Chegar perto e até abraçá-lo é um sonho, porém difícil. O clima de euforia a até de “histerismo” é contagiante. A maioria dos fãs é composta por mulheres, mas todos, homens e mulheres, na sua totalidade, são de crianças e adolescentes. Os adultos infiltrados são exatamente os guardiões desses fãs, ou seja, seus pais ou adultos responsáveis.

O mais impressionante é esta adesão ao ídolo com toda a carga de emoções e reações, o que é muito particular desta idade, mas é verdade que também isto acontece com os adultos. Inclusive, estamos até chorando mais pelos “nossos ídolos”, talvez um reflexo da nossa carência de referenciais ou de pessoas que proporcionem alegrias e felicidade. Não só o futebol, mas a música sempre foi algo muito envolvente no Brasil. No caso dos adolescentes, vê-los gritando e chorando, fazendo declarações de amor ao ídolo Justin Bieber me faz também pensar que seja uma “reação normal”, da idade como dissemos, mas se pode refletir que, diante de um mundo de tantas atrocidades, inclusive contras as crianças e adolescentes, algo crescente no Brasil, as lágrimas desses adolescentes são sinais de que suas emoções resistem a se acostumarem com a barbárie.

Os pais compreendem esse processo, por isso acompanham os filhos, muitos deles pequenininhos. Justin Bieber é, segundo a mídia, o primeiro astro adolescente fruto do bom aproveitamento das redes sociais, onde divulgou seus primeiros trabalhos. Outra coisa a se refletir é a resposta de alguns desses fãs quando interrogados sobre os motivos de “extravasarem o amor” por Justin Bieber: “Gosto dele porque é lindo e suas músicas me tiram da tristeza, mas também porque venceu na vida, sendo um garoto que ‘veio de baixo’, por sua humildade e simplicidade”. Resposta simples? Eu diria que até complexa! O estético e o talento com as pessoas contam muito em nossos dias, mas uma grande parte ainda valoriza “os valores que o outro provoca em mim”.

Talvez seja muito cedo pra falar que Justin Bieber não será engolido pela fama e pelo dinheiro, até porque por trás de um ídolo como ele há um “mundo de gente” que faz tudo pelo status. É lamentável como o sensualismo e os contra valores quase sempre atropelam a consciência de uma grande parte de nossos astros quando a fama passa a dormir ao seu lado. O fato é que, de certa forma, é bom ver os nossos adolescentes viverem com tanta naturalidade seus sentimentos por seus ídolos. Se os pais souberem transmitir a eles os valores que vão além de qualquer emotividade e fases da vida, então não são nocivas estas reações. A gente cresce, amadurece, mas alegrias e lágrimas também devem acompanhar esse processo.

Pra concluir faço a seguinte reflexão: ali onde estão os adolescentes, fãs de Justin Bieber, ninguém disputa a particularidade do amor ao ídolo. Eles amam juntos, esperam juntos, gritam e choram em coletivo. Ninguém fica com ciúme se um demonstra mais amor, algo interessante, não é verdade? Penso que eles mandam com este gesto um sinal para nós, os adultos. É fato que estamos chorando e nos alegrando cada vez mais isolados em nossos pequenos grupos ou solitários. No mundo adulto tudo é tão individualista, tão egocêntrico. Queremos somente para nós! O outro que se “lixe”! Sim, essa extravagância de sentimentos dos adolescentes tem nas entrelinhas uma mensagem importante. Aprendamos!

Que o “bom moço” Justin Bieber viva seu “tempo de glórias” e proporcione oportunidade para que as crianças e adolescentes, como também os adultos, escolham mais o coletivo como espaço privilegiado para viverem alegrias e lágrimas, sem esquecer que os valores verdadeiros vão além, sempre além de qualquer emotividade.

Antonio Marcos

2011-10-04

Francisco de Assis: radicalidade e entusiasmo

“Em três ocasiões, o Cristo na cruz adquiriu vida e lhe disse: ‘Vai, Francisco, e repara minha Igreja, que está em ruínas’. Este simples acontecimento da palavra do Senhor ouvida na igreja de São Damião esconde um simbolismo profundo. Imediatamente, São Francisco foi chamado a reparar esta pequena igreja, mas o estado ruinoso deste edifício era o símbolo da situação dramática e inquietante da própria Igreja nessa época, com uma fé superficial que não forma e não transforma a vida, com um clero pouco zeloso, com o esfriamento do amor; uma destruição interior da Igreja que comportou também uma decomposição da unidade, com o nascimento de movimentos hereges. Contudo, nessa Igreja em ruínas, o Crucifixo está no centro e fala: convida à renovação, chama Francisco a um trabalho manual para reparar concretamente a pequena igreja de São Damião, símbolo do chamado mais profundo a renovar a própria Igreja de Cristo, com sua radicalidade de fé e com seu entusiasmo de amor por Cristo” (Trecho da Audiência Geral, Bento XVI, Francisco: “Gigante da Santidade”, janeiro de 2010).

A vida convertida de São Francisco dispensa comentários, é verdade, porque o testemunho de configuração à Pessoa de Jesus é o segredo da transformação, a “revolução” que se pede quando o caminho fica turvo, seja na vida da Igreja, seja na nossa vida pessoal. E que providência: o mistério do Crucificado está sempre no início de toda vida nova! Não tem outro ponto de partida. Os Santos sempre partiram do Crucificado e caminharam para Ele. Alguma semelhança com o Batismo? Sim! Plenamente! O Batismo deve gerar sempre na nossa vida a “Radicalidade de fé”, sobretudo em nossos dias tão turvos, tão seduzidos outra vez pelo ter, pelo prazer e poder. Tempo que pede uma premente necessidade de batizados cheios de “entusiasmo de amor a Jesus Cristo” ou, interpretando o poeta Dante Alighieri, “que a vida cristã seja sempre o nascimento de um sol” na própria vida e na dos outros. Ajude-nos, Senhor! Ajude-nos a conjugar a fé e o entusiasmo não a um sentimentalismo, mas ao mistério da cruz, e assim podermos reconstruir a Tua Igreja, a começar do templo da nossa vida e o coração de tantas vidas que procuram uma luz, uma direção.

São Francisco de Assis, rogai por nós!
Antonio Marcos

2011-10-01

O segredo da “gigante Teresinha”

Celebrar Santa Teresinha é sempre um motivo de grande alegria para a vida de toda a Igreja, especialmente para aqueles que têm por ela especial devoção. Desta “gigante mulher” – segundo João Paulo II - se pode falar de diversos ângulos da espiritualidade e mesmo da teologia, porque sua “via de pequenez” é a mais bela teologia, o núcleo e o sentido maior do “saber sobre Deus”. Se o saber não se transforma em vida, se não muda minhas ações e ajuda aos outros no processo de santidade, pelo testemunho e pelo ensino, de nada adianta. Ela mesma afirmou: “Nenhum livro, nenhum teólogo me ensinou e, contudo, sinto no fundo do meu coração, que estou na verdade”. Esta sua declaração não é uma ofensa, muito menos desprezo à teologia, mas que Jesus quis agir em sua vida muito diretamente, trabalhando em seu interior em segredo. A graça agiu no silêncio e modelou uma obra bela, fruto de um coração que escolheu a vontade de Deus acima de tudo. 

Mas, é bem verdade, Santa Teresinha nunca se colocou independente das orientações dos seus “pais espirituais”: formadores e sacerdotes. Embora tivesse certeza de que “a via pela qual caminhasse, fosse tão reta, tão luminosa, permitindo-a tocar os mistérios de Deus”, nunca deixou de desconfiar de si mesma. É do conhecimento de todos que no Carmelo “o sol se cobriu para a serva de Deus e ela buscou ajuda dos que eram responsáveis por ela, sempre com grande disposição e humildade para aderir ao caminho da santidade, se único interesse”. Profundas as palavras de Teresinha: “Não creia, que eu nade nas consolações. Oh, não, minha consolação é de não tê-las na terra!”. Afinal, qual o segredo da vida desta “gigante mulher”? Não titubeamos em responder: a confiança na gratuidade do amor de Deus e a entrega incondicional a ele. A “ciência do Amor”, eis o segredo! “Amor louco de Deus”, como diria Teresinha, que faz maravilhas nas almas simples e nas mais sublimes. “Amor que se abaixa..., por isso só me resta cantar as maravilhas do Senhor!”. 

Santa Teresinha, rogai por nós!

Antonio Marcos