Ser bom e misericordioso em nossos dias: um desafio!

Escrito Por Antonio Marcos na segunda-feira, setembro 19, 2011 Sem Comentários

No Evangelho do 25º Domingo do Tempo Comum (18 de setembro de 2011), tivemos a oportunidade de meditar sobre a generosidade da misericórdia de Deus (cf. Mt 20,1-16a). A constatação da distância entre a justiça humana e a divina é evidente, a partir das nossas próprias atitudes. Também nos perguntamos acerca dessa “medida da misericórdia” que faz calar a nossa lógica de julgar o que os outros merecem. Muitas reflexões a “parábola dos trabalhadores da primeira e da segunda hora” nos proporciona. Uma delas é exatamente acerca dos cálculos feitos por quem vive o engajamento ou qualquer tipo de serviço na comunidade de fé, na igreja, no grupo, no ministério ou no ambiente em que se vive e testemunha a fé. A nossa tendência é demonstrarmos de alguma forma que somos melhores, mais capazes e virtuosos, mais santos e sábios que os outros. Até o “tempo de chegada na fé” – ainda que não corresponda com a prática de vida – é usada para intimidar os outros, quando não a Deus, exigindo dele os favores especiais pelos nossos serviços prestados. Claro, nem sempre isso é consciente, mas sutil, disfarçado, porém concreto, real. Aquela inveja dos ambientes de trabalho, infelizmente, também está na comunidade de fé porque lá está o homem pecador. O estranho é que em nossos dias até mesmo quem se destaca na generosidade e bondade é causa de desconforto para muitos. Paradoxalmente não é fácil ser bom e misericordioso em nossos dias, pois causa espanto e até revolta em muitos. É exigido de nós “o dente por dente e olho por olho”. E isto é lamentável, não justificável. Os operários da última hora, conforme relata a parábola, receberam a mesma quantidade em moeda em relação aos da primeira hora. Deus vai além, supera todo cálculo, não pensa e nem age como nós. Isto não autoriza ninguém a retardar sua conversão, sua volta para Deus, mas apressá-la por causa de si e dos outros. E quanto a nós que já iniciamos esse caminho de retorno para Deus, não obstante nossa lentidão e fraquezas, não deve haver competição, mas estímulo mútuo. Ser o primeiro na lógica de Deus e da fé cristã não é questão de cronologia, de simples “prestação de obrigações religiosas”, mas serviço de caridade ao próximo. A bondade dos outros não deve gerar inveja em nós, mas desejo de vivê-la na medida como Deus a vive, inclusive nos concedendo Sua misericórdia todos os dias.

Antonio Marcos