Reencarnações: sem chances de perdão ou de misericórdia

Escrito Por Antonio Marcos na sexta-feira, setembro 02, 2011 1 comment
O autor do texto é o Frei Patrício Sciadini, OCD, escrito em 2004.

Segundo o último censo do IBGE, os brasileiros que se declaram espíritas são mais de 2,3 milhões. Um número considerável que deve ser levado em conta. Não há dúvida que existem pessoas que são, ao mesmo tempo, católicas fervorosas e defensoras da filosofia espírita.

O espiritismo é uma crença alternativa para muitas pessoas que gostam dos livros de Allan Kardec e de tantos outros autores que, com uma linguagem sedutora e com frases bonitas, transmitem silenciosamente a doutrina espírita. Muitas novelas que a TV apresenta têm um fundo espírita e reencarnacionista. Afinal, a vida é muito dura e madrasta para ser vivida só uma vez, o espírito deve se purificar para poder entrar em paz definitiva e ser considerado assim um “espírito evoluído e superior”, que mais tarde voltará sobre a terra para ser modelo para todos. De antemão gostaria de colocar bem claro para todos que eu não tenho nada contra os meus irmãos espíritas, os admiro, aprecio, os olho com muito amor. Mas devo também dizer que não consigo aceitar de forma alguma a teoria espírita e que ela me “repugna”, à minha sensibilidade e fé.

Nos últimos tempos tenho tentado ler bastante sobre o espiritismo para ver se encontrava alguma coisa boa que me pudesse ajudar a ser mais benigno com o fundador do espiritismo e com todos os escritos de fundo que são, na verdade, um autêntico martírio para todos que têm um pouco de bom senso. O que diz fundamentalmente o espiritismo? Que todos nascemos no “ponto zero” e que é necessário passar através de várias reencarnações para poder chegar à perfeição, um passar e repassar para nos purificar. Para eles, Deus não é uma pessoa, mas simplesmente uma “forma de inteligência suprema, eterna, imutável, imaterial, justo, bom, onipotente”. No entanto, para nós que acreditamos no Deus de Jesus Cristo, Deus não é uma energia, mas uma pessoa com quem nós nos comunicamos através da oração e que nos criou por amor e nos conserva no amor, dando a liberdade de segui-lo, de escolhê-lo.

Mas o que mais me arrepia é a idéia que os espíritas têm de Jesus Cristo, que não seria o Filho de Deus, mas um espírito mais evoluído, modelo para toda a humanidade. Esta visão de Jesus não podemos aceitar de forma alguma. A nossa fé, a tradição e a própria Bíblia nos apresentam Cristo como Filho de Deus, como palavra completa do Pai que veio em nosso meio, se fez carne e nos redimiu de todos os nossos pecados. Contemplar Jesus como o melhor dos “médiuns” é destruir toda a sua identidade de salvador. O homem, para eles, não é outra coisa que um “espírito encarnado”, sujeito a tantas outras reencarnações que se fizerem necessárias para chegar à perfeição.

No espiritismo somos destinados ao eterno sofrimento de reencarnações, sem chance de perdão ou de misericórdia. O fundador do espiritismo dividiu o ser humano em três partes: “espírito”, que é a essência imortal; o “corpo”, que não é outra coisa que o invólucro material; “perispírito, corpo que reveste o espírito”. Claro que todas as correntes filosóficas e religiosas têm coisas boas que devemos saber aproveitar. Uma das frases mais bonitas do espiritismo é que “fora da caridade não há salvação”. O amor é o fundamento de tudo. E todos nós sabemos quanto bem fazem os espíritas, especialmente através de obras filantrópicas e caritativas. Mas a vida deve ser vista como realização e como encontro com Deus aqui e agora.

Não gostaria, com este artigo, de ter suscitado um mal estar entre os meus leitores por ventura espíritas, mas simplesmente manifestado o meu pensamento. Como cristão e católico não posso aceitar o espiritismo nem o “passe”, mas acredito na graça do Senhor que, tendo me dado a liberdade, me permite escolher o bem. Não necessito encontrar comunhão com os mortos, mas com a vida, aquela vida que está em Cristo Jesus, Filho de Deus e nosso salvador. Não é necessário se reencarnar para se purificar, mas acreditar na capacidade de fazermos aqui e agora o bem, para entrarmos na vida plena que é eterna.

Quem lê amorosamente o Evangelho e acredita em Jesus como filho de Deus não pode seguir a teoria espírita, não se pode aceitar, de forma alguma, a idéia de alguns espíritas: “a fé espírita é baseada nos ensinamentos de Jesus Cristo, logo é uma religião cristã”. Isto é simplesmente propaganda enganosa. O evangelho segundo o espiritismo é uma leitura inaceitável da Palavra de Deus. Amo meus irmãos espíritas, mas não posso concordar com eles...

Fonte: Uma só Palavra Basta. Edições Shalom.