Reconstruir o templo: voltar e recomeçar!

Escrito Por Antonio Marcos na sexta-feira, setembro 23, 2011 Sem Comentários
Durante a 25a Semana do Tempo Comum (ano A/2011) refletimos nas leituras bíblicas de Esdras e Ageu sobre o retorno do povo de Israel para a sua terra. Esta volta é recheada de emoção, de alegria e surpresas. Um acontecimento esperado há muitos anos. Tudo se dá dentro do reinado de Ciro (rei da Pérsia).

Mas, necessário és e fazer uma pequena memória. Como sabemos, o povo de Israel, povo amado, objeto da aliança com Deus, agraciado por tantos favores, temido e respeitado por todos os outros povos vizinhos, foi feito prisioneiro e submetido a humilhações e maus tratos. Tudo por causa do seu próprio pecado, de suas transgressões e infidelidades, não obstante a fidelidade de Deus.

O mais terrível dos acontecimentos foi, de fato, ver o Templo, “o símbolo maior” da sacralidade da aliança com Deus, ser invadido e destruído. Afinal, para os Judeus, era exatamente ali onde “residia” o Deus Soberano. Com o Templo foram destruídos os objetos do culto, saqueadas as riquezas, o que veio a constituir em desonra para toda a nação de Israel. O sentimento de dor e desolação era tamanho que não havia mais nada a se fazer. A consciência religiosa apontava como causa o abandono da Aliança com Deus”. A pergunta fundamental em cada coração era a mesma: “Será que Deus nos abandonou para sempre? Não terá Ele compaixão do seu povo amado? Fomos desprezados para sempre! Mas, somos nós os culpados, e Deus é justo!”

O tempo do cativeiro foi prefixado pela providência divina para que Israel reaprendesse a refletir seus crimes, seus pecados, suas maldades. Quando foram levados para o cativeiro pelos babilônicos, iniciou-se um longo e doloroso período de prova e purificação. Porém, o sofrimento não arrancou do mais profundo de suas vidas aquela confiança que os permitia dizer em meio aos algozes: “Na terra do meu cativeiro, haverei de honrar e louvar o Senhor. (...) Se ele vos ama, Israel, também vos dará seu perdão” (Cântico de Tobias 13, 2-8). Israel faz no Cativeiro a maior de todas as experiências: Deus continua com o seu povo, vivendo suas dores e sofrimentos. Deus não é o autor do mal e do sofrimento, mas sabe, misteriosamente, tirar deles um bem maior. É chegado o tempo de reconstruir o templo. Voltar e recomeçar!

Quais são os nossos cativeiros? Qual é o seu? A resposta pode ser coletiva se transferimos para um contexto de mundo contemporâneo, mas, neste contexto de reflexão, deixemos no plano pessoal, individual. Pretende-se dizer que, seja qual for o nosso cativeiro, honremos e louvemos o Senhor. Creiamos sempre que Ele nos ama, e por isso nos dará o perdão. É chegado o tempo de reconstruir o templo, portanto, escutemos as palavras do profeta Ageu: “Coragem, filho! Eu assumi um compromisso convosco, diz o Senhor. Coragem, povo de Deus, e mãos à obra. O esplendor de vossa casa será maior que o da primeira!” (cf. Ag 2, 1-9).

Antonio Marcos