Perdão: a mesquinhez humana procura sempre uma medida

Escrito Por Antonio Marcos na domingo, setembro 11, 2011 Sem Comentários
O judaísmo já conhecia o perdão das ofensas, mas se tratava de uma conquista recente, que só se conseguia impor mediante a lista de tarifas precisas. A mesquinhez humana procura sempre uma medida, uma norma que lhe dê satisfação. Perdoar, sim, mas quantas vezes? Os rabinos, para acentuar a liberalidade de Deus, diziam que ele perdoa três vezes; as escolas rabínicas exigiam que seus discípulos perdoassem certo número de vezes à mulher, aos filhos, aos irmãos etc., e esta lista variava de escola para escola. Pedro pergunta a Jesus qual a sua medida.

Setenta vezes sete

Jesus havia ensinado a amar os próprios inimigos, e orar pelos que nos perseguem a fim de sermos filhos do Pai que está nos céus, que faz surgir o sol sobre os maus e os bons e faz chover sobre justos e injustos (Mt 5, 44-45). No pai-nosso, havia ensinado a pedir: “perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Pedro, que pelo contato com Jesus, compreendeu que as medidas até agora tidas como válidas, não servem mais, tenta uma resposta: “até sete vezes”? É mais do que o dobro de três, e além disso é um número simbólico que significa plenitude (cf. Mt 18, 21-35). Jesus formula sua resposta retomando o número simbólico, mas multiplicando-o de tal maneira que signifique uma plenitude ilimitada. É preciso perdoar sempre. A parábola que segue explica esse dever de perdoar sem limites. O sentido da parábola é que Deus perdoa gratuitamente o pecado a quem lhe pede perdão, demonstrando uma benevolência absolutamente desinteressada para com os pecadores.

E consequência dessa experiência do perdão de Deus, o homem deve aprender a perdoar seus irmãos, tanto porque suas ofensas nada são diante da gravidade do pecado, como porque ele já foi alvo do perdão de Deus.

Fonte: Missal dominical. Comentários introdutórios, 24º Domingo Tempo Comum.