2011-09-27

A gente não imagina aonde Deus vai nos levar

Trechos da homilia do Pe. João Wilkes, CVSh, (responsável pela dimensão missionária da Vocação Shalom no exterior), proferida no Congresso Nacional de Jovens Shalom, domingo, 25 de setembro de 2011.  
Queridos jovens, desejo começar esta homilia fazendo uma pergunta: quando é que Deus mais manifesta o seu poder? A resposta está exatamente na Oração do Dia: na Sua misericórdia! Assim diz o texto: “Ó Deus, que mostrais vosso poder sobretudo no perdão e na misericórdia, derramai sempre em nós a vossa graça (...)”. Podemos também fazer uma comparação com o Evangelho de São Marcos (cap. 2, 1-12), no qual está descrito a “cura do paralítico” introduzido no ambiente pelo telhado, depois de ser auxiliado pelos amigos.
Tal acontecimento despertou julgamentos contra Jesus, que questionou aos Mestres da Lei: “O que é mais fácil: dizer ao paralítico: 'os teus pecados estão perdoados', ou dizer: 'Levanta-te, pega a tua cama e anda'?”. Ora, reflitamos caríssimos jovens. É claro que, humanamente falando, é mais fácil dizer “os teus pecados estão perdoados”, porque não vemos nada acontecer. Já quando se diz “levanta-te e anda”, esta ação só depende de Jesus, da sua vontade e do seu poder. Jesus mostra que é mais difícil dizer: “os teus pecados estão perdoados”, porque requer fé, colaboração de quem deseja a conversão, mudar de vida.
O Salmista reza neste dia “pedindo a Deus que lhe mostre seus caminhos” (cf. Sl 24/25). Você deseja realmente que Deus lhe mostre Seu caminho? Pois, se você deseja, Deus vai lhe mostrar. E Deus faz isso por meio unicamente da oração. A oração é o maior risco do homem, principalmente para o jovem. A primeira vez que fiz esta oração (Salmo de hoje), não imaginava por qual caminho Deus me chamaria. Nunca pensei que seria o caminho da Vocação Shalom, da Comunidade de Vida e do Sacerdócio. É assim, a gente não imagina de início aonde Deus vai nos levar.
Temos aqui no palco os responsáveis pelas missões da Comunidade Shalom do exterior que vieram para o Congresso Nacional de Jovens (CNJ). Nós não tínhamos ideia dos caminhos do Senhor, como não sabemos por onde ele nos levará. Deus faz ressoar no coração de quem chama o pedido do pai ao filho, descrito no Evangelho: “Filho, vai trabalhar na minha vida!” (Mt 21,28-32). É verdade que o chamado de Deus para muito de nós é para ficar aqui e ofertar a vida no cuidado da salvação dos outros. Quantos jovens estão se perdendo nas drogas, no álcool... Porém, Deus vai chamar a muitos outros para lugares distantes, para o seguimento radical da oferta de vida.
O que vemos no Evangelho? O primeiro filho chamado pelo pai, de início se recusa, mas acaba indo. O segundo filho é o dissimulador, diz que vai, mas não se decide. Precisamos então de conversão, sermos curados de nossas dissimulações e enganos próprios. E, qual é o primeiro passa para ficarmos curados? É reconhecer que se está doente. Da mesma forma, o primeiro passo para ser livre é se reconhecer preso.
Assim, meus caríssimos jovens, voltemos agora ao início de nossa reflexão. Através da cura do paralítico, Jesus vai nos faz compreender que perdoar os pecados não depende apenas dele, mas também de nós. Precisamos nos reconhecer pecadores e desejosos de receber uma vida nova. Por isso que é mais difícil dizer: “os teus pecados estão perdoados”. Quando alguém não reconhece o seu pecado e vive na cegueira, Jesus tem dois trabalhos: o primeiro é de nos fazer reconhecer o pecado; o segundo é de nos converter. Vejam que nesse caso o trabalho é bem maior. “Levanta-te e anda...”, isto depende somente de Jesus. É maravilhoso meditar e compreender este mistério gratuita misericórdia de Deus e a liberdade do homem.
Queridos jovens, hoje Deus nos falou no Evangelho de missão, de chamado e resposta. Rezem pelos missionários, por aqueles que, corajosamente, ofertaram suas vidas para a evangelização dos outros, especialmente dos jovens. Exorto-te agora, a você que participa deste Congresso, a não esquecer que Deus também pode chamá-lo a seguir por um caminho de missão, e, diante deste chamado amoroso do Pai, não tenha medo de dar-Lhe uma resposta generosa.

Por: Luciana de S. Carvalho
Obra Shalom (Grupo de Oração "Kénosis", Shalom de Fátima / Fortaleza).

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