Uma razão ética como oxigênio

Escrito Por Antonio Marcos na quinta-feira, agosto 25, 2011 Sem Comentários

As recentes revoltas da juventude nos países árabes (exemplo claro o que acontece na Líbia), no Oriente Médio, mas também na Europa (o que se presenciou na Inglaterra), têm sido uma demonstração de que não só os regimes de governo incompatíveis com os valores que a humanidade conquistou na modernidade, mas também esta política econômica capitalista que insiste em encurralar os menos favorecidos e privilegiar uma pequena parcela, precisam de mudanças e em curto prazo. Na verdade, elas já se fazem presentes porque as massas, sobretudo juvenis, reagem com intolerância diante das consequências negativas deste tipo de opressão. É o que a Igreja, através da sua Doutrina Social, chama de Pecado Estrutural. O Brasil - país ainda de maioria católica e de uma significativa parcela de evangélicos, como também de outros que não se consideram ligados à religião e à Igreja, mas se dizem cristãos - se vê no lamaçal da corrupção. E parece que esta epidemia, esta loucura pelo ter e pelo poder, custe o que custar, apenas se alastra, constatações que nos entristecem. A corrupção no Brasil tem hoje uma proporção assustadora em todos os âmbitos da sociedade e não só nos maus políticos. Bem falou o papa Bento XVI: “A dimensão ética não é algo alheio aos problemas econômicos, mas uma dimensão interior e fundamental. A economia não funciona somente como uma autorregulamentação mercantil, mas tem necessidade de uma razão ética para funcionar para o homem” (Resposta aos jornalistas no voo à Madri, agosto de 2011). Esta “razão ética”, que não sufoca os valores da fé cristã, mas passa a desejá-los, é mesmo o oxigênio que falta nesses pulmões que se asfixiam pela ganância, pela indiferença ao valor da pessoa e seus direitos fundamentais.
Antonio Marcos