2011-08-25

Sob o signo do grão de mostarda


No ano de 1997, em entrevista ao jornalista alemão, Peter Seewald, o Cardeal Raztinger (que veio a se tornar Bento XVI em 2005), afirmou o seguinte: “Talvez tenhamos de nos despedir das ideias existentes de uma Igreja de massas. Estamos possivelmente perante uma época diferente e nova da história da Igreja. Nela, o cristianismo voltará a estar sob o signo do grão de mostarda, em pequenos grupos, aparentemente sem importância, mas que vivem intensamente contra o Mal e trazem o Bem para o mundo; que deixam Deus entrar” (O Sal da Terra). Pois bem, eis uma afirmação corajosa e profética. O desenrolar dos anos vai mostrando - especialmente na Europa, mas também no Brasil - que, de fato, caminhamos para isto: a fé vivida em pequenos grupos. Os órgãos de pesquisa e a imprensa se certificam oficialmente do diagnóstico já conhecido no interior da Igreja, na cotidianidade de sua vida e ações, ou seja, que a “Igreja de massas”, da quantidade, da maioria católica não quer dizer que tenha essa maioria uma qualidade de vida cristã, de seguimento a Jesus Cristo e engajamento na comunidade de fé. Sim, a Igreja reconhece que vale mais a qualidade do que a quantidade. Bento XVI tem dito nos dias de hoje que “a Igreja está viva e é sempre jovem”, porque Jesus Cristo está vivo e é sempre jovem, seu amor se renova cada dia. O “terremoto cristão” do qual falou o papa se referindo aos jovens na JMJ, em Madri 2011, não esconde o quadro da indiferença de Deus ou numa vivência de fé individualista na pós-modernidade, mas, certamente, nos faz compreender que Deus conduz a história, o mundo e a Igreja. Se Ele deseja que tudo volte a ser “grão de mostarda”, é porque prepara um novo tempo, tempo de homens e mulheres que renascem e fecundam a humanidade porque se ofertam, porque deixaram Deus entrar.
Antonio Marcos

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